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Segunda-feira, 25 de Maio de 2026

Justiça

Por que o crime organizado se espalhou pelo Norte e Nordeste

Estrutura logística, fragilidade estatal e expansão econômica das facções explicam por que o crime organizado avançou com força pelo Norte e Nordeste, consolidando rotas estratégicas e novas formas de domínio territorial.

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Por que o crime organizado se espalhou pelo Norte e Nordeste
(Foto: Rafael Martins/(EPA) EFE)
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Especialistas apontam uma combinação de fatores geográficos, econômicos e institucionais para explicar a crescente expansão das grandes facções criminosas — como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) — nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Motivos da expansão criminosa

  1. Roteiros estratégicos
    Portos e aeroportos no Ceará, Bahia e Pernambuco se tornaram pontos centrais para o tráfico. Essas rotas, com fluxo internacional, potencializam a entrada e a saída de drogas, favorecendo os grupos criminosos.

  2. Turismo e demanda por drogas
    O turismo de alta renda, especialmente em destinos badalados como Jericoacoara (CE), Pipa (RN) e Porto de Galinhas (PE), atrai não só visitantes, mas também redes criminosas que veem ali potencial para vendas de entorpecentes.

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  3. Baixo policiamento e omissão estatal
    A falta de presença forte do Estado em muitas dessas regiões facilita a dominação territorial pelas facções. Falhas na lei e deficiência nos serviços públicos tornam algumas áreas especialmente vulneráveis.

  4. Estrutura empresarial do crime
    O CV e o PCC têm investido em operações “legítimas” para lavar dinheiro: postos de gasolina, lojas de perfumes e outros negócios legais servem como fachada para suas atividades criminosas.

  5. Diversificação criminosa
    Além do tráfico, as facções buscam ganhos via extorsão (“taxas de proteção”), controle de serviços nas comunidades (internet, luz, gás) e estabelecimento de redes empresariais que reforçam sua presença local.

  6. Rede de alianças
    Há articulações entre as grandes facções nacionais (PCC, CV) e grupos regionais dessas regiões, formando uma rede mais complexa e integrada.

  7. Infraestrutura penitenciária
    Segundo analistas, a transferência de presos para penitenciárias federais permite que líderes de facções articulem negócios entre diferentes regiões.

Consequências graves

  • O crime organizado se transformou em um “negócio empresarial”: não é apenas tráfico, mas exploração econômica em múltiplas frentes.

  • A violência é crescente: a disputa por territórios gera guerras entre facções e até confrontos com a polícia. 

  • Há denúncias de mecanismos de corrupção ou cumplicidade política, com influência das facções junto a empresários e autoridades locais.

  • As facções passam a ocupar espaços onde o Estado é fraco, oferecendo “serviços” e impondo regras próprias nas comunidades mais vulneráveis.

Soluções defendidas por especialistas

  • Integração policial: compartilhar inteligência entre polícias estaduais e federais para desarticular redes.

  • Investigações financeiras: cortar a lavagem de dinheiro por meio de apuração rigorosa das finanças das facções.

  • Cooperação internacional: especialmente para monitorar rotas logísticas que envolvem portos e aeroportos.

  • Políticas sociais: investir em saneamento, saúde e educação nas comunidades vulneráveis, para reduzir a dependência das pessoas dessas facções.

  • Mudanças na legislação: alguns defendem classificar facções criminosas como terroristas, o que ampliaria ferramentas legais de combate.

FONTE/CRÉDITOS: Gazeta do Povo
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