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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026

Economia

Projeções do PIB são revisadas para 2% em 2026 e 2,3% em 2027 pelo governo

De acordo com o Boletim Macrofiscal do Ministério da Fazenda, a inflação prevista para 2023 cai para 4,9%.

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Por Estadão Rondônia
Projeções do PIB são revisadas para 2% em 2026 e 2,3% em 2027 pelo governo
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Nesta terça-feira (22), o Ministério da Fazenda anunciou uma redução na expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026, que passou de 2,3% para 2%. A previsão para 2027 também foi revista para baixo, de 2,5% para 2,3%. Essas estimativas estão contidas no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE).

A SPE explicou que a revisão se deve principalmente aos efeitos persistentes de juros restritivos sobre a economia, afetando de maneira mais intensa os setores de serviços e indústria. Além disso, a equipe econômica passou a considerar uma trajetória de flexibilização monetária "marginalmente mais gradual do que o previsto" anteriormente.

Inflação prevista em 4,9%

A nova projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 foi ajustada de 5,1% para 4,9%. Apesar da melhora, esse número ainda se encontra acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5%.

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O governo estabeleceu uma meta contínua de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, sendo o limite superior de 4,5%.

A SPE afirmou que a revisão considera os resultados do IPCA até julho, que ficaram abaixo das expectativas anteriores, especialmente no que tange aos preços de alimentos e, em menor escala, aos serviços.

A Fazenda também mencionou a melhoria nas expectativas de inflação e a manutenção da Taxa Selic em um nível contracionista, o que desestimula a atividade econômica.

"A revisão também incorpora a melhora das expectativas de inflação para 2026, a manutenção da taxa Selic em patamar contracionista ao longo do ano e a desaceleração esperada da atividade econômica no segundo semestre de 2026", enfatizou a SPE no relatório.

Desempenho de serviços e indústria

A diminuição nas projeções de crescimento para 2026 focou principalmente os setores mais suscetíveis às condições de crédito e à demanda interna.

As novas estimativas são:

  • Serviços: de 2,4% para 1,8%;
  • Indústria: de 2,1% para 1,7%;
  • Agropecuária: de 1,8% para 2,8%.

A melhora projetada para a agropecuária compensou apenas parcialmente a revisão negativa nas estimativas de serviços e indústria.

Para os serviços, a Fazenda atribuiu a revisão ao "carrego mais fraco deixado pelo primeiro semestre" e ao efeito, com defasagem, da política monetária sobre a demanda interna.

Além disso, o endividamento familiar se apresenta como uma limitação ao consumo. Embora o endividamento mantenha-se estável em relação à renda, o comprometimento com as dívidas alcançou o maior nível da série histórica no segundo trimestre.

"O comprometimento com o serviço da dívida atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre, o que limita a conversão do avanço da massa de rendimentos em consumo", destacou o relatório.

Expectativas para 2027

Para o ano seguinte, o cenário traçado pela Fazenda prevê um crescimento econômico mais baixo e uma inflação mais elevada em comparação com as estimativas anteriores.

As novas projeções incluem:

  • PIB: de 2,5% para 2,3%;
  • IPCA: de 3,6% para 3,8%.

A elevação da previsão de inflação é atribuída, entre outros fatores, aos possíveis impactos de um El Niño mais intenso sobre a produção agrícola.

Esse fenômeno climático pode inicialmente afetar os preços dos grãos e, subsequentemente, pressionar outros alimentos, incluindo carnes.

"A projeção para 2027 foi revisada para cima em razão dos efeitos de primeira ordem do El Niño sobre a produção de grãos e de segunda ordem sobre os preços das carnes", informou a SPE.

Juros e recuperação econômica

A Fazenda também revisou a análise sobre a velocidade de transmissão da política monetária na economia. A expectativa é que os efeitos de possíveis cortes na Selic se manifestem gradualmente no crédito, consumo e investimentos.

De acordo com o boletim, a redução da taxa de juros tende a favorecer setores mais sensíveis ao ciclo econômico.

"A queda da Selic iniciada em 2026 transmite-se gradualmente ao crédito e à demanda doméstica, estimulando a indústria de transformação, a construção e os serviços mais cíclicos", assinalou o documento.

A secretaria também prevê efeitos positivos sobre os investimentos à medida que o custo de capital diminua.

Riscos no cenário econômico

O relatório aponta que, além do comportamento da inflação e juros, fatores climáticos e externos podem influenciar as projeções.

Os principais pontos de atenção incluem:

  • efeitos do El Niño na produção e nos preços de alimentos;
  • variações no preço do petróleo;
  • condições de crédito para famílias e empresas;
  • ritmo de recuperação da demanda interna;
  • desempenho das exportações e da indústria extrativa.

A SPE também alertou que conflitos internacionais podem aumentar a volatilidade dos preços de energia e impactar outras cadeias produtivas.

Diretrizes para o Orçamento

O Boletim Macrofiscal, publicado periodicamente pela Secretaria de Política Econômica, compila as principais projeções macroeconômicas usadas pelo governo na elaboração e atualização do Orçamento da União. Os dados servirão de base para a elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, que será divulgado na próxima quinta-feira (24) pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento.

Esse documento apresenta estimativas para indicadores como PIB, IPCA e Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e é uma referência importante na gestão das contas públicas.

A revisão permite que a equipe econômica atualize os parâmetros usados nas projeções de receitas, despesas e outros componentes do planejamento fiscal, conforme a evolução do cenário econômico.

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