O Brasil caiu sete posições no Ranking Mundial de Competitividade de 2026 e passou a ocupar a 65ª colocação entre 70 economias avaliadas, registrando seu pior desempenho dos últimos anos. O resultado coloca o país entre os nove últimos colocados, ao lado de economias como Nigéria, Mongólia e Venezuela.
Em entrevista ao CNN Money, Carla Beni, conselheira do Corecon-SP, afirmou que a queda reflete problemas estruturais persistentes da economia brasileira. Segundo ela, fatores como o elevado custo do capital, as altas taxas de juros e as dificuldades para investir exercem forte influência sobre a competitividade nacional.
A especialista também destaca obstáculos históricos, como a barreira linguística — já que o Brasil é um país de língua portuguesa em um ambiente global predominantemente anglófono — e as deficiências na educação financeira da população.
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Juros altos e endividamento
O relatório aponta deterioração nos quatro pilares avaliados: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura. Na avaliação de Carla Beni, a trajetória recente da taxa Selic ajuda a explicar esse cenário.
A economista lembra que, durante a pandemia, a taxa básica de juros chegou a 2% ao ano, mas avançou para 13,5% em apenas 18 meses.
Nesse período, muitas empresas recorreram ao crédito barato para atravessar a crise sanitária e, posteriormente, precisaram renegociar suas dívidas em um ambiente de juros muito mais elevados. O resultado foi um aumento do endividamento e da inadimplência, reduzindo a capacidade de investimento do setor produtivo.
Outro fator apontado pela especialista é o peso do serviço da dívida pública sobre as contas do governo. Segundo Carla, enquanto apenas 0,3% do orçamento federal é destinado à ciência e tecnologia, cerca de 46% são direcionados ao pagamento de juros e amortizações da dívida.
Para a economista, essa realidade limita a capacidade de investimento em áreas estratégicas para o aumento da competitividade.
Infraestrutura e disputa por recursos
A restrição orçamentária também afeta os investimentos em infraestrutura, um dos critérios considerados pelo ranking. Carla Beni cita como exemplo o PAC-3 (Programa de Aceleração do Crescimento), que, segundo ela, teve recursos remanejados para atender às emendas parlamentares.
Na avaliação da economista, o crescimento expressivo dessas emendas nas últimas décadas intensificou a disputa por recursos entre Executivo e Legislativo, dificultando o planejamento de longo prazo e comprometendo a execução de projetos estruturantes.
Para Beni, esse é um dos principais desafios que os próximos governos terão de enfrentar.
Pontos positivos
Apesar do desempenho negativo no ranking, o Brasil apresenta algumas vantagens competitivas. Entre os destaques estão a capacidade de atrair investimento estrangeiro, o potencial na área de energias renováveis e a boa colocação no quesito subsídios públicos, no qual o país ocupa a quinta posição.
Carla Beni também ressalta os avanços na educação financeira, que passou a integrar o currículo de escolas públicas e privadas.
Embora os resultados ainda não sejam perceptíveis no curto prazo, a expectativa é que essa mudança contribua para a formação de uma população mais preparada financeiramente e gere impactos positivos sobre a competitividade do país nos próximos anos.
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