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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2026

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Reino Unido permite que Ucrânia acesse tecnologia de mísseis secretos

Rússia reagiu com indignação ao anúncio; porta-voz Dmitry Peskov afirmou que britânicos estão "jogando lenha na fogueira"

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Reino Unido permite que Ucrânia acesse tecnologia de mísseis secretos
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O Reino Unido permitirá a liberação de tecnologia sigilosa para que um míssil de cruzeiro de projeto franco-britânico possa ser fabricado na Ucrânia — um reforço para Kiev em seus esforços para projetar maior poder de fogo a centenas de quilômetros dentro do território russo.

Paris e Kiev pretendem estabelecer uma linha de produção ucraniana para o míssil de cruzeiro lançado do ar SCALP — conhecido como Storm Shadow no Reino Unido — até o final do ano.

A desclassificação de informações sobre componentes de fabricação britânica desses mísseis, anunciada nesta segunda-feira (24), é um passo fundamental para alcançar esse objetivo.

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Fabricado pela empresa europeia de armamentos MBDA, o SCALP é uma arma de longo alcance e ataque a alvos profundos, com ogiva convencional; a Ucrânia tem utilizado versões importadas do míssil com sucesso contra alvos fortificados, inclusive em novembro de 2024, quando foram disparados pela primeira vez contra alvos dentro da Rússia.

Propulsionado por um motor turbojato, o míssil possui um alcance máximo de 550 quilômetros e pode transportar uma ogiva de alto explosivo de 400 quilogramas, segundo o projeto “Missile Threat” do CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais).

Uma vez lançado, o míssil utiliza uma combinação de navegação inercial, por posicionamento global e por referência de terreno, associada a um “sensor de busca infravermelho e algoritmos de reconhecimento automático de alvos”, para alcançar um alto grau de precisão em quaisquer condições meteorológicas, segundo o CSIS.

A Ucrânia o utilizará para atacar alvos militares enterrados, como bunkers de comando — uma tarefa mais desafiadora para os drones mais leves que Kiev tem empregado para atingir alvos mais expostos, como refinarias de petróleo ou depósitos.

Reação russa

O Kremlin reagiu com indignação ao anúncio; o porta-voz Dmitry Peskov afirmou que o Reino Unido estava “participando da guerra” e “jogando lenha na fogueira”.

A declaração ocorreu depois que a embaixada da Rússia em Londres alertou o Reino Unido, na semana passada, de que “quanto maior o seu envolvimento” e “maior o seu apoio” à Ucrânia, “mais alto será o preço a pagar”.

O Reino Unido e a França não divulgaram quantos mísseis SCALP/Storm Shadow foram fornecidos à Ucrânia até o momento, mas, em 2025, a fabricante MBDA reativou linhas de produção que estavam paralisadas há 15 anos.

“Fornecido à Ucrânia, o míssil franco-britânico SCALP/Storm Shadow demonstrou sua eficácia em combates modernos de alta intensidade, em situações decisivas”, disse na ocasião o ministro da Defesa da França, Sébastien Lecornu.

Mesmo com o anúncio do Reino Unido, pode levar vários anos para que a produção ganhe escala, mas o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirma que Londres apoia Kiev a longo prazo.

“O povo ucraniano não deve ter dúvidas: o Reino Unido está ao seu lado hoje e por quanto tempo for necessário”, disse Burnham em um comunicado à imprensa nesta segunda-feira, anunciando que o país liberaria sua tecnologia de mísseis.

“A segurança da Ucrânia é a nossa segurança”, disse o primeiro-ministro — que chegou a Kiev nesta segunda-feira para o Dia da Independência da Ucrânia, em sua primeira viagem ao exterior desde que assumiu o cargo, em 20 de julho.

Durante sua estadia, Burnham copresidirá uma reunião da “Coalizão dos Dispostos”, uma aliança internacional de 34 nações formada no ano passado pelo Reino Unido e pela França para apoiar a Ucrânia na guerra, em um momento em que a ajuda dos Estados Unidos diminuía sob a administração Trump.

Dificuldades com o interceptor

O que o SCALP não consegue resolver é a escassez de mísseis defensivos na Ucrânia — como o sistema Patriot, de fabricação americana —, uma vulnerabilidade que se revelou com consequências devastadoras nas últimas semanas, à medida que a Rússia lançava grandes ondas de seus próprios mísseis e drones em ataques que mataram dezenas de ucranianos.

A CNN visitou uma bateria de mísseis Patriot na Ucrânia no início deste mês e foi informada de que o sistema não era disparado há semanas por falta de interceptadores disponíveis.

A Ucrânia solicitou permissão para fabricar interceptadores Patriot no país — uma ideia que o presidente dos EUA, Donald Trump, apoiou inicialmente no início de julho, mas da qual recuou posteriormente.

O governo Trump também rejeitou as tentativas ucranianas de adquirir mísseis de cruzeiro americanos Tomahawk de longo alcance, cujos estoques foram sobrecarregados pela guerra no Irã.

No entanto, a produção nacional de mísseis da Ucrânia não estagnou.

A fabricante ucraniana Fire Point desenvolveu o míssil de cruzeiro FP-5 Flamingo.

Com um alcance de três mil quilômetros, ele pode atingir alvos no interior da Rússia; o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou no início deste mês que o míssil foi utilizado para atacar uma instalação russa estratégica de eletrônicos para foguetes, situada a cerca de 900 quilômetros da fronteira com a Ucrânia.

O líder ucraniano disse que o Flamingo estreou em combate em 2025, e relatórios de inteligência de fontes abertas indicam que seu uso tem aumentado neste ano.

A Fire Point também desenvolveu drones de longo alcance para complementar mísseis balísticos de menor alcance.

O uso de armas de maior alcance por Kiev transformou a vasta extensão territorial da Rússia — antes considerada uma vantagem militar — em um problema para Moscou, que luta para alocar seus limitados recursos de defesa diante do número crescente de alvos situados dentro do alcance ucraniano, escreveu Peter Dickinson, editor do blog “Ukraine Alert” do Atlantic Council, no início deste mês.

“Uma longa lista de aspirantes a conquistadores invadiu a Rússia, apenas para ver seus exércitos serem engolidos pela imensidão do país.

A Ucrânia agora tenta inverter essa lógica militar com uma campanha de bombardeio estratégico que visa explorar a imensidão da Rússia e transformá-la de um ponto forte fundamental em uma fraqueza fatal”, escreveu Dickinson.

Conheça Andy Burnham, primeiro-ministro do Reino Unido

FONTE/CRÉDITOS: laurasantana
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