O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, disse que, em casos de assalto ou latrocínio, o “sangue derramado” deve ser do criminoso e não da vítima. Em entrevista à TV Globo na noite desta quarta-feira (26), ele ainda afirmou que vai desobedecer, em casos específicos, decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) que considerar “ilegais”.
Durante a sabatina, o candidato mencionou o exemplo de um jovem morto em um assalto ao tentar defender a namorada e disse que, nesta situação, houve “banho de sangue” de um inocente. “Eu acho que o sangue que tem que ser derramado não é do inocente”, disse.
Renan também afirmou que, ao viajar pelo Brasil, a população implora que ele faça algo a respeito da violência no país e que a maior parte das vítimas desse tipo de agressão são as pessoas mais pobres e marginalizadas.
“Uma pessoa que aponta uma arma para você se torna juiz da sua vida, ela não tem esse direito”, afirmou. “Se um policial estiver ali na frente, ele tem que atirar para matar.”
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Decisões do STF
Ao ser questionado sobre falas anteriores de que descumpriria decisões impostas pelo Supremo, Renan disse: “Não é que vou desrespeitar todas as decisões do STF, isso é um absurdo”.
O candidato do Missão disse que quem vai determinar os limites de suas decisões caso seja eleito é “a lei”, mas não explicou o agente responsável por interpretar o que é certo ou errado nesses contextos.
Nesse momento, Renan criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de quebrar o sigilo e investigar o ex-secretário de Estado Raimundo Cutrim, apontado como a fonte do jornalista Luís Pablo nas reportagens feitas contra o ministro da Corte Flávio Dino.
“Não existe democracia sem sigilo de fonte”, afirmou. “Ele [Moraes] derrubou o sigilo de fonte, isso é cláusula pétrea”, continuou. “Não se deveria, por parte das autoridades, cumprir uma decisão grotesca que quebra basicamente um princípio constitucional basilar.”
Na entrevista, exemplificou dizendo que, se estiver no meio de uma operação policial em uma favela no Rio de Janeiro, e receber uma ordem do STF pedindo a suspensão, ele não vai cumprir.
“Qualquer cidadão, diante de uma decisão ilegal, ele pode não cumprir, na verdade, ele tem o dever de não cumprir. Decisão ilegal não se cumpre. Se você vier com uma decisão ilegal que faça as pessoas correrem um risco muito grande, você não pode cumprir, uma decisão ilegal pode acabar com a vida de uma pessoa”, disse.
“Não é que não vou cumprir da minha cabeça, porque eu sou apenas eu, eu vou ver a AGU (Advocacia-Geral da União), vou pedir um parecer e vou recorrer ao STF”, pontuou. “Eu não vou colocar a vida das pessoas em risco.”
À CNN, Renan Santos diz não ter medo de perder votos ao falar a verdade, veja íntegra | CNN BRASIL
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