A morte de Diogo Jota deixou uma lacuna no Liverpool. Para Andy Robertson, a perda do amigo e companheiro de equipe foi sentida de maneira mais profunda do que a ausência de um atacante valioso; foi a separação de um amigo que compartilhou experiências e momentos marcantes em sua vida.
Após mais de um ano da tragédia, o lateral escocês compartilhou como o grupo dos Reds foi afetado pelo luto e reconheceu que, durante certo período, os jogadores enfrentaram dificuldades para se reerguer e encontrar motivação em campo.
Em entrevista ao podcast “The Overlap”, Robertson descreveu um ambiente emocionalmente abalado pela morte do jogador português. A situação se complicou ainda mais para as contratações que chegaram ao clube, já que se depararam com um grupo fragilizado emocionalmente. O defensor enfatizou que não era razoável esperar que os atletas simplesmente ignorassem a dor e voltassem à rotina competitiva como se nada tivesse ocorrido.
— É complicado escrever ou discutir isso, porque o que vivemos foi horrível. Os novos jogadores vieram para um clube em ruínas e tentaram ao máximo fazer a diferença. Sinto pena deles. Eles vieram para ganhar muito dinheiro e nós simplesmente não queríamos saber de futebol. Essa é a verdade. Não queríamos saber de futebol porque tínhamos perdido um dos nossos melhores companheiros.
A declaração de Robertson evidencia o impacto emocional significativo da tragédia. Em um contexto onde resultados, treinos e cobranças são parte da rotina, o Liverpool teve que lidar com uma perda que não poderia ser resolvida simplesmente com uma mudança tática ou uma sequência de vitórias.
A dificuldade estava em encontrar novamente um propósito em uma atividade que, naquele momento, havia deixado de ser uma prioridade para muitos jogadores. Isso ajuda a explicar a irregularidade da equipe na temporada passada. Após conquistarem a Premier League em 2024/25, os Reds terminaram a temporada 2025/26 sem títulos e ocupando apenas a quinta posição.
Liverpool sem Jota: o luto que alterou a relação do time com o futebol
Robertson e Van Dijk carregam coroas de flores ao chegarem no funeral de Diogo Jota (Foto: Gonçalo Delgado/Atlantico Press/ABACAPRESS.COM/Icon Sport)
Robertson também destacou que a perda de um objetivo coletivo pode afetar o desempenho de qualquer atleta, independente da sua experiência ou habilidade técnica. Para ele, a concentração exigida no futebol profissional foi comprometida diante de uma situação que atingiu o grupo em um nível muito pessoal.
— Todos os jogadores de futebol têm um foco e, se o perdermos, não conseguimos atuar em nosso melhor nível. Quando olho para trás, parece que em vários momentos só pensávamos: “Qual é o objetivo disso?”. Vimos a família dele e o que estão passando, olhamos para as crianças. Ele não era apenas um jogador profissional, era um amigo.
A proximidade entre os dois ajuda a explicar a profundidade do relato. A amizade que se desenvolveu ao longo dos anos no Liverpool deixou a despedida ainda mais dolorosa. O escocês, agora no Tottenham, também recordou a sequência de eventos que transformaram um dia de celebração em uma experiência de luto.
— Na semana anterior à sua morte, estive no casamento dele. Passar de um dos dias mais felizes para, na semana seguinte, ver a família completamente arrasada foi muito difícil.
A trajetória de Jota e o vazio deixado em Anfield
Diogo Jota em ação pelo Liverpool (Foto: Andrew Yates / Sportimage / Icon Sport)
Diogo Jota faleceu em 3 de julho de 2025, aos 28 anos, devido a um acidente de carro na Espanha. O atacante estava acompanhado do irmão, André Silva, quando o veículo perdeu o controle e pegou fogo na cidade de Zamora. Ambos faleceram no local, em uma tragédia que interrompeu a carreira de um jogador que ainda estava ativo.
Desde sua chegada ao Liverpool em 2020, Jota construiu uma trajetória significativa. O clube de Anfield adquiriu o atacante do Wolverhampton por 44,7 milhões de euros, e o português se tornou uma peça essencial do elenco ao longo de cinco temporadas.
Pelo Liverpool, Jota conquistou a Premier League na temporada 2024/25, uma Copa da Inglaterra em 2022 e duas Copas da Liga Inglesa em 2022 e 2024, somando 65 gols em 182 partidas pelo clube.
A declaração de Robertson ilustra como a morte de Jota afetou o Liverpool para além da escalação e do desempenho em campo. O time teve que se adaptar à ausência de um membro importante de seu cotidiano e ao impacto emocional sobre aqueles que mantinham uma relação construída dentro e fora das quatro linhas.
Ao relembrar aquele período, o lateral revela que o luto não seguiu o ritmo habitual do calendário esportivo. Para o grupo, retornar aos jogos significava também aprender a lidar com a ausência de alguém que continuava presente nas memórias de cada companheiro.
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