Daniela Beatriz, tia que evitou o sequestro da própria sobrinha recém-nascida em uma maternidade no Piauí informou que funcionários do hospital tentaram apagar os registros que ela havia feito em seu celular e que indicavam a tentativa do crime. A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil nesta terça-feira (14).
Segundo Daniela, ela havia filmado o momento em que a técnica de enfermagem Auricélia de Sousa Rocha tentava sair do hospital com a criança. O caso aconteceu no último dia 6 de julho, na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa em Teresina, no Piauí.
Ainda de acordo com a tia da criança, a técnica teria se aproximado da mãe da bebê, logo após o parto, informando que a levaria para um “teste do pezinho” – exame laboratorial realizado em recém-nascidos.
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Segundo ela, a técnica teria entrado em uma sala, trocado de roupa, e tentado fugir por outra porta com a bebê. Ao desconfiar do sequestro, a tia puxou a bolsa que a mulher carregava e viu o rosto da criança.
“Quando eu questiono ela sobre o que tá acontecendo, se realmente ela é uma funcionária da maternidade, ela disse pra mim que é uma funcionária e que não era aquilo que eu estava pensando”, contou.
Na confusão, outras pessoas aparecem e Daniela pede para chamar a direção da maternidade. Ela alega que também solicitou a presença da polícia, mas o pedido não foi atendido.
“Eles não chamaram a polícia […] lembrando aqui também que a direção da maternidade não ajudou, não forneceu ali uma segurança. [Eles] também tentaram apagar as provas do meu celular, porque eu consigo gravar um vídeozinho pequeno”, informou.
Por outro lado, a Secretaria da Saúde do Piauí informou que a maternidade chegou a registrar um boletim de ocorrência e que forneceu as imagens de segurança do hospital. A pasta diz ainda que afastou Auricélia de suas funções.
A CNN Brasil entrou em contato com o hospital e aguarda retorno. O espaço segue aberto.
Prisão da suspeita e problemas psiquiátricos
Em nota, a SSP-PI (Secretaria de Segurança Pública do Piauí) informou que um mandado de prisão preventiva foi cumprida contra Auricélia. A suspeita foi encontrada em uma instituição psiquiátrica, na zona Norte da Capital.
Em nota, a defesa da técnica de enfermagem disse que a mulher sofre problemas psiquiátricos e que poderia estar em surto no momento do crime.
Segundo ele, visando assegurar a “saúde mental” da técnica de enfermagem, a defesa entrará com um pedido de revogação da prisão preventiva e impetrará um Habeas Corpus ao Tribunal Superior.
Veja nota completa da defesa:
A defesa técnica de Auricélia de Sousa Rocha, representada pelo advogado Tiago Carvalho Moreira (OAB/PI nº 16.503 | OAB/MA nº 24.219-A), vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:
Desde o início, a defesa manifesta profundo respeito à família da recém-nascida, aos profissionais da Maternidade Dona Evangelina Rosa e ao trabalho desenvolvido pelas autoridades responsáveis pela investigação dos fatos.
Entretanto, é imprescindível destacar que o caso possui um aspecto de extrema relevância que não pode ser ignorado: a condição de saúde mental da investigada.
Após os acontecimentos, Auricélia foi submetida à avaliação por equipe especializada do Hospital Areolino de Abreu, referência em psiquiatria no Estado do Piauí, tendo recebido o diagnóstico de Transtorno Psicótico Agudo Polimorfo com sintomas esquizofrênicos (CID F23.1), permanecendo em observação e recebendo alta com encaminhamento para acompanhamento psiquiátrico especializado.
Além disso, a defesa juntou aos autos documentos que demonstram que ela fazia uso de medicação de natureza psiquiátrica, circunstância que será devidamente submetida à apreciação do Poder Judiciário.
No atual estado clínico, conforme constatado pela defesa e pelos familiares, Auricélia apresenta importante comprometimento de sua compreensão acerca da realidade vivenciada, demonstrando dificuldade para compreender a gravidade dos fatos investigados e até mesmo a própria situação processual em que se encontra. Essa percepção é compatível com a necessidade de avaliação especializada já documentada, mas a repercussão jurídica desse quadro deverá ser apurada pelos meios periciais previstos na legislação, não cabendo à defesa antecipar conclusões sobre sua imputabilidade penal.
A defesa informa que protocolará pedido de revogação da prisão preventiva e, caso necessário, impetrará Habeas Corpus perante o Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, sustentando que a manutenção da custódia cautelar deve ser reavaliada também à luz dos documentos médicos supervenientes já apresentados ao Juízo.
É importante ressaltar que essa iniciativa não busca minimizar a gravidade dos fatos investigados, tampouco desrespeitar o sofrimento da família envolvida. O objetivo é assegurar que o processo penal observe integralmente a Constituição Federal, o devido processo legal e os direitos fundamentais da investigada, inclusive o direito de receber tratamento médico adequado quando há elementos clínicos relevantes.
A defesa reafirma sua confiança nas instituições, no Ministério Público e no Poder Judiciário, acreditando que todas as decisões serão tomadas com base nas provas constantes dos autos, na legislação vigente e nos princípios constitucionais que regem o Estado Democrático de Direito.
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