Merendeiras da rede municipal de Porto Velho relatam sobrecarga de trabalho, falta de estrutura, escassez de alimentos básicos e um cardápio considerado inviável, especialmente para aquelas que atuam sozinhas em escolas rurais.
As denúncias ganharam força após a implementação de um novo cardápio para o primeiro trimestre de 2025. De acordo com uma das profissionais, o plano elaborado pelas nutricionistas da Secretaria Municipal de Educação (Semed) não considerou as condições reais das escolas, em especial aquelas que contam com apenas um merendeiro para atender dezenas de alunos.
“Tem escola com 70, 80 crianças e só um merendeiro. O cardápio exige mingau, pão com carne, frutas, suco... É impossível fazer tudo isso sozinha. Isso é um desrespeito”, desabafa uma merendeira.
Outro ponto crítico levantado diz respeito à insuficiência de recursos para a compra dos ingredientes exigidos. O repasse de verbas para as escolas com menor número de alunos, especialmente nas zonas rurais, é insuficiente para a aquisição de todos os itens listados no cardápio, como frutas, proteínas e temperos básicos.
“O recurso que vem para a escola é pequeno. Às vezes, ficamos semanas sem mercadorias até a chegada de novos repasses. Como cumprir esse cardápio?”, questiona outra profissional.
Além disso, as merendeiras enfrentam sérios problemas de saúde devido à carga excessiva de trabalho, como lesões físicas e exaustão, e apontam a falta de apoio institucional, formação adequada e acompanhamento ocupacional.
As denúncias também revelam que, embora a agricultura familiar seja uma exigência para a composição da merenda escolar, ela não fornece itens essenciais como arroz, feijão e carne, limitando ainda mais as opções alimentícias.
“A agricultura familiar só nos fornece frutas, legumes e hortaliças. Não temos como comprar carne ou peixe deles. E, mesmo assim, querem que sirvamos três lanches em algumas escolas”, afirmam.
Outro agravante identificado é a diferença no financiamento entre escolas urbanas e rurais. Como o repasse de recursos é baseado no número de alunos matriculados no ano anterior, unidades que aumentaram a matrícula em 2025 enfrentam dificuldades para atender a todos os estudantes.
Além das críticas ao cardápio e à falta de estrutura, as merendeiras também cobram melhorias na gestão da alimentação escolar. Recentemente, uma reunião com o sindicato da categoria resultou em um reajuste salarial de 6,27% e 10 dias de férias em julho, mas as questões relacionadas à alimentação e às condições de trabalho permanecem sem solução.
As merendeiras exigem que as decisões sobre o cardápio sejam feitas em diálogo com quem vivencia a realidade das escolas. Elas reivindicam respeito, condições dignas de trabalho e políticas públicas que atendam de forma justa à realidade da educação básica.
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