A australiana St George Mining anunciou que recebeu compromissos para levantar 60 milhões de dólares australianos, o equivalente a mais de R$ 215 milhões, para acelerar o desenvolvimento do projeto Araxá, em Minas Gerais, voltado à exploração de terras raras e nióbio.
Segundo comunicado ao mercado divulgado nesta quarta-feira (17), a captação será feita por meio de uma colocação institucional em duas etapas, com a emissão de 600 milhões de novas ações ordinárias ao preço de A$ 0,10 por papel.
Os recursos serão usados para avançar o desenvolvimento do ativo, incluindo estudos de viabilidade e preparação para uma futura decisão final de investimento.
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A operação teve apoio de investidores institucionais já presentes na companhia, incluindo a Hancock Prospecting, empresa da bilionária australiana Gina Rinehart e maior acionista da St George.
A Hancock se comprometeu a subscrever A$ 20 milhões, ou cerca de R$ 72 milhões, equivalentes a 200 milhões de novas ações. Após a conclusão da colocação, a empresa deve deter aproximadamente 10,5% da St George.
O presidente-executivo da St George, John Prineas, afirmou que o projeto Araxá tem potencial para ser desenvolvido em um cronograma acelerado, por reunir mineralização de alto teor a partir da superfície, logística favorável e localização em uma região mineradora já consolidada.
Segundo ele, governos e empresas privadas no mundo têm buscado novas cadeias de suprimento para minerais críticos.
“O recurso de classe mundial em Araxá tem potencial para ser desenvolvido em um cronograma acelerado, com mineralização de alto teor começando na superfície e logística favorável em uma região mineradora estabelecida”, disse Prineas, em comunicado.
Gina Rinehart, presidente-executiva da Hancock, afirmou que a empresa vê o projeto brasileiro como parte relevante da cadeia global de minerais críticos.
A declaração reforça o interesse de grupos estrangeiros por ativos de terras raras no Brasil, em meio à corrida de países ocidentais para reduzir a dependência de cadeias concentradas na China.
A captação será dividida em duas rodadas. Na primeira, a St George deve emitir aproximadamente 424,5 milhões de novas ações, levantando cerca de A$ 42,4 milhões. Na segunda, sujeita à aprovação dos acionistas, serão emitidas aproximadamente 175,5 milhões de ações, com captação prevista de A$ 17,6 milhões.
A primeira rodada deve ser liquidada em 23 de junho, com emissão das novas ações no dia seguinte. Já a segunda etapa depende de aval dos acionistas em assembleia extraordinária marcada para 10 de julho.
O projeto Araxá está localizado em Minas Gerais e combina dois minerais considerados estratégicos para cadeias industriais de alta tecnologia. As terras raras são usadas em ímãs permanentes, motores elétricos, turbinas e equipamentos eletrônicos, enquanto o nióbio tem aplicação em ligas metálicas de alto desempenho.
Apesar do avanço financeiro, o projeto ainda não está em produção. A captação sinaliza avanço no desenvolvimento do ativo, mas não representa início imediato de produção.
Na última semana, a mineradora australiana divulgou que testes metalúrgicos iniciais demonstraram que o minério encontrado próximo à superfície pode ser beneficiado para gerar concentrados separados dos dois minerais críticos.
O principal resultado foi a produção de um concentrado com teor de até 40,2% de óxido de nióbio. Em outro teste, a companhia obteve teor de 39,6%, com recuperação de 54,3% do nióbio presente no minério.
Segundo a St George, os resultados são comparáveis aos alcançados por operações comerciais que processam mineralizações semelhantes às encontradas em Araxá. Nesse tipo de depósito, as taxas de recuperação normalmente variam entre 40% e 60%.
Os testes também indicaram a possibilidade de recuperar terras raras durante o processamento do nióbio. A companhia produziu uma corrente concentrada com teor de 15,7% de óxidos totais de terras raras.
O projeto, que ainda está em fase de desenvolvimento, vem sendo acompanhado de perto por empresas e governos estrangeiros.
A St George ainda precisa concluir estudos metalúrgicos, econômicos e de engenharia antes de tomar uma decisão sobre a construção da mina.
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