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Sexta-feira, 17 de Julho de 2026

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Tráfico de pepinos-do-mar brasileiros é identificado por DNA em estudo

Pesquisa da Unesp usou sequenciamento genético para revelar espécies confiscadas pelo Ibama no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Tráfico de pepinos-do-mar brasileiros é identificado por DNA em estudo
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Um estudo brasileiro utilizou técnicas de sequenciamento de DNA para identificar toneladas de pepinos-do-mar que haviam sido apreendidos pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo. A pesquisa acende um alerta para a queda populacional de espécies e o desequilíbrio ecológico causados pelo tráfico.

Os animais são alvos frequentes de comércio ilegal no Brasil especialmente para a China, já que são considerados uma iguaria milenar na culinária asiática e na medicina tradicional do país.

A pesquisa, conduzida por pesquisadores do Lagenpe (Laboratório de Genômica e Conservação de Peixes) da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e apoiada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), foi publicada na revista Scientific Reports.

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A equipe de demonstrou que os animais encontrados em malas pertencem às espécies Holothuria grisea e Isostichopus badionotus. Eles são, comprovadamente, oriundos do sudeste brasileiro, configurando um crime ambiental e podendo indicar uma futura crise para a biodiversidade costeira do país.

Pepinos-do-mar sendo vendidos em uma feira popular na cidade de Chongqing, no sudoeste da China. • Crédito: Ricardo Utsunomia

O risco para a espécie

Atualmente, segundo a Unesp, existem 1.250 espécies de pepinos-do-mar espalhadas pelo globo, com 40 delas em território brasileiro.

Os animais indicados no estudo estão atualmente listados como de “Menor Preocupação” pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), ainda assim, isso não significa que sua exploração não apresente riscos ao meio ambiente.

Segundo Fabio Porto-Foresti, biólogo e professor no Departamento de Ciências Biológicas da FC (Faculdade de Ciências) da Unesp, um dos riscos envolvendo o comércio ilegal dessa espécie é que a exploração intensa reduza drasticamente populações e espécies de pepino-do-mar na região, cenário que pode ter acontecido na China.

“O comércio ilegal de qualquer espécie é extremamente danoso, porque é uma ameaça invisível. O pepino seco, forma que é transportado, permite que seja levada uma grande quantidade nas bagagens. Se muitos indivíduos forem retirados na mesma região, isso pode reduzir a população, acabando com o potencial evolutivo da espécie”

Fabio Porto-Foresti, biólogo e professor da Unesp

Outro docente da FC, Ricardo Utsunomia, reforçou que a retirada dos pepinos-do-mar de forma intensiva e em tão pouco tempo causa um alto desequilíbrio ecológico, já que eles ficam no fundo do oceano, onde extraem e ingerem matéria orgânica.

Exemplar de pepino-do-mar vivo, encontrado na costa de Ubatuba, no litoral de São Paulo. • Ricardo Utsunomia

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O processo de pesquisa

O estudo envolvendo os pepinos-do-mar é uma parceria entre o Lagenpe e o Ibama que teve início em 2015, quando um mestrando do laboratório decidiu pesquisar as redes de comércio ilegal no Aeroporto Internacional de Guarulhos envolvendo os peixes-de-bico.

Os pesquisadores da Unesp realizavam a análise molecular para identificar a espécie após as apreensões de materiais realizadas pelo Ibama. Os espécimes secos de pepino-do-mar usados foram apreendidos em 2023.

Pepinos-do-mar apreendidos estão, geralmente, descaracterizados e secos, dificultando a identificação da espécie • Fabio Porto-Foresti

Geralmente, os animais apreendidos estão descaracterizados, cortados e secos, dificultando a identificação com base na aparência. De acordo com Fabio Porto-Foresti, o marcador molecular permite saber o que está sendo comercializado. O que não é visto na aparência, então, é visto do ponto de vista genético.

Os materiais apreendidos ficavam escondidos em caixas e malas, cada uma contendo aproximadamente 500 animais secos. Dessas, os pesquisadores selecionaram, aleatoriamente, 40 espécimes para as análises moleculares. Foi identificado que 18 pertenciam à espécie Holothuria grisea e 22 à Isostichopus badionotus.

O objetivo maior desse projeto é pensar nesse comércio que vem acontecendo e que não conseguimos identificar a espécie do ponto de vista morfológico. Com o marcador genético, vai ser possível ver exatamente qual espécie está sendo comercializada, seja para pepino-do-mar, peixe, camarão ou outros grupos. Essa é a grande questão.

Fabio Porto-Foresti, biólogo e professor da Unesp

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*Sob supervisão de Rafael Saldanha

FONTE/CRÉDITOS: larissasoave
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