A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) concedeu, na última terça-feira (7), o diploma póstumo de bacharel em Ciências Econômicas ao estudante Stuart Angel, assassinado durante a ditadura em 1971. O jovem era filho da estilista Zuzu Angel.
A cerimônia foi realizada no Salão Dourado do Palácio Universitário, e o documento foi recebido pela irmã do homenageado, a jornalista Hildegard Angel.
O momento foi registrado e divulgado nas redes sociais da Adufrj, seção sindical que representa os professores da UFRJ, ativos e aposentados, na defesa das condições de trabalho, ensino, pesquisa e extensão na universidade pública brasileira.
Veja a solenidade:
Hildegard, irmã do homenageado, ressaltou a coragem daqueles que, assim como Stuart, enfrentaram a ditadura.
“A gente não pode se dominar pelo medo. Porque esse medo contagiante alimenta os ardis para retomarem a ditadura, a tirania, para entregarem o Brasil a outro país. Não podemos permitir isso”, disse.
“Quando uma juventude é interrompida pela violência, toda a sociedade perde uma parte do seu próprio futuro (…) Essa lembrança nos impõe uma responsabilidade. A melhor homenagem que podemos prestar não é apenas olhar para o passado. É perguntar o que fazemos com a juventude que chega até nós”, ressaltou o diretor do Instituto de Economia, professor Carlos Frederico Leão Rocha.
Já o reitor Roberto Medronho encerrou a cerimônia afirmando que o diploma não devolve a juventude a Stuart, mas representa o reconhecimento de seu direito à universidade.
“Esse diploma que entregamos hoje não devolve a juventude roubada de Stuart Angel. Não devolve o corpo jamais entregue. Não devolve à mãe o direito de velar pelo próprio filho. Ainda assim, esse diploma afirma com toda força simbólica da universidade pública brasileira que Stuart Angel é e sempre será filho da UFRJ”, concluiu.
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Quem foi Stuart Angel?
Stuart Angel nasceu em Salvador, em 11 de janeiro de 1945. O estudante cursava Ciências Econômicas na UFRJ, no Rio de Janeiro, quando ingressou na militância política na Dissidência Estudantil do PCB da Guanabara, posteriormente denominada MR-8, organização da qual se tornou dirigente em 1969.
Segundo o projeto “Memórias da Ditadura“, documentos da repressão política o apontam como participante de operações armadas. O relatório do Inquérito Policial Militar (IPM) que investigou o sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, contido na Informação nº 511/70/S-102-S1-CIE, do Centro de Informações do Exército (CIE), de 2 de março de 1970, acusa Stuart de participar da ação.
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Os agentes de informação identificam o estudante como “parte da Frente de Trabalho Armado responsável pelo sequestro do embaixador norte-americano”.
Em abril de 1971, os órgãos de repressão entenderam que as prisões de Stuart e de outros integrantes do MR-8 e da VPR estavam ligadas ao fato de Carlos Lamarca ter deixado a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e ingressado no MR-8.
Em maio de 1971, Stuart foi utilizado como isca e há relatos de que o jovem foi torturado até a morte por agentes do CISA para que revelasse o paradeiro de Carlos Lamarca.
Em pesquisa realizada no acervo fotográfico da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi localizada, em um dos canteiros de obras da construtora CETENCO, responsável pelas reformas na Base Aérea de Santa Cruz em 1976, a fotografia de um crânio. As características e outros elementos levaram a Comissão Nacional da Verdade (CNV) a encaminhar a imagem para análise.
Filho da Zuzu Angel
A conclusão da análise pericial indicou que há semelhança morfológica craniofacial entre as imagens de Stuart Angel e as imagens da ossada.
O desaparecimento de Stuart é um dos casos mais conhecidos da Ditadura Militar, após as denúncias feitas por sua mãe, a estilista Zuzu Angel. A forte pressão internacional resultou, em 15 de março de 1972, no afastamento de Burnier, dos coronéis-aviadores Roberto Hipólito da Costa, Carlos Affonso Dellamora e Márcio César Leal Coqueiro, além de outros três oficiais, e na demissão do ministro da Aeronáutica, Márcio de Souza e Mello.
*Sob supervisão de Thiago Félix
61 anos do golpe militar que impôs a ditadura no Brasil | CNN PRIME TIME
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