A mãe de Joan Vitor da Silva, brasileiro que está desaparecido há quase um mês em Moçambique, está decidida que vai vender a própria casa, em Bangu, na zona Oeste do Rio de Janeiro, para custear a viagem a Moçambique, na África, atrás do filho.
O rapaz, de 27 anos, morador do Rio, deixou o país no último dia 8 de março com a promessa de um emprego na área de construção civil, em Maputo. Há quase um mês, os familiares não sabem do paradeiro dele.
Em uma conversa com um funcionário da Embaixada do Brasil na cidade africana, Jane Maria afirmou que não vê alternativa além de arrecadar dinheiro com a venda da residência para conseguir financiar a ida para o exterior.
“‘Eu disse a ele, ‘eu estou indo. Vou vender minha casa e vou atrás do meu filho’. Ele falou que seria muito mais fácil uma brasileira ir atrás do próprio filho na África, que as coisas iriam andar mais rápido e que eu receberia o endereço (da Embaixada em Maputo)“, relatou à CNN Brasil.
Por meio de uma troca de mensagens com o telefone da Embaixada, Jane foi informada de que representantes realizarão uma visita a Essuatíni (país vizinho a Moçambique) em breve. “Fiquei 2 minutos e 40 segundos conversando por telefone com um funcionário da Embaixada do Brasil em Maputo. Não estou aguentando mais”, desabafou Jane.
Casa incendiada e demissão: Joan saiu do Brasil buscando melhores condições de vida
No dia 8 de março, Joan foi a São Paulo e, de lá, viajou para o exterior rumo à nova fase profissional. Mas por cerca de 20 dias, o homem não entrou em contato os familiares. Em 27 de março, a mãe, Jane Maria, recebeu uma ligação de alguém que falava em inglês. Em uma nova ligação, a pessoa afirmou que Joan estaria preso, que responderia por diversos crimes e que seria necessária uma transferência de US$ 10 mil para custear a alimentação do brasileiro.
Posteriormente, em uma chamada de vídeo, os parentes finalmente puderam vê-lo: Joan apareceu ao lado de outros homens em um ambiente semelhante a uma cela. Em português, Joan disse apenas uma palavra: “Embaixada”.
Na sequência, duas pessoas utilizando uniformes semelhantes a trajes oficiais de segurança falam em inglês com o brasileiro e encerram a ligação. Os parentes não tiveram mais notícia do rapaz.
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A mãe de Joan e a esposa dele, Rafaela Pereira, procuraram à Polícia Civil para registrar o caso, que foi encaminhado à DDPA (Delegacia de Descoberta de Paradeiros). Uma advogada orientou com que procurassem o Consulado de Moçambique aqui no Brasil.
As duas alegam que não estão recebendo apoio do Itamaraty neste caso. “A gente não tem informações de quando ele vai voltar. O Itamaraty não nos dá suporte, consulado nenhum nos procura, estamos sem suporte algum, a gente não sabe o que está havendo”, afirma a esposa Rafaela.
Logo antes de ser dispensado do trabalho no Rio, Joan e a família enfrentaram uma tragédia: a casa em que eles moravam no bairro de Guaratiba, também na zona Oeste da cidade, pegou fogo. O casal perdeu grande parte dos móveis e pertences que tinham.
Eles se mudaram para a residência de uma prima da esposa, onde moravam temporariamente quando Joan conseguiu a vaga de emprego no exterior. Joan e Rafaela são pais de dois filhos.
“Achamos que foi tráfico humano, extorsão. Prenderam Joan e outras pessoas… Queriam extorquir a gente”. afirma Rafaela.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Maputo, informou que “tem conhecimento do caso e presta assistência consular ao nacional”, mas que o Ministério das Relações Exteriores não fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros. A Polícia Civil ressaltou que as equipes realizam diligências para localizar Joan.
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