A 25ª edição do Prêmio Grande Otelo, realizada na noite de terça-feira (4), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, entrou para a história ao registrar, pela primeira vez, um empate na principal categoria da premiação.
Os longas “Manas”, de Marianna Brennand, e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, dividiram o troféu de Melhor Longa-Metragem Ficção, após empate na votação da Academia Brasileira de Cinema.
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A decisão inédita, porém, dividiu opiniões nas redes sociais. Muitos internautas questionaram o empate e levantaram suspeitas de que o resultado teria sido uma “forma de evitar desagradar parte da comunidade cinematográfica”.
Entre os comentários publicados no X, antigo Twitter, usuários escreveram: “Praticamente um prêmio de consolação para o Kleber, que bizarro (risos)”, “Claramente ‘O Agente Secreto’ foi boicotado”, “Acabem com essa Academia, pelo amor de Deus” e “Aposto que ‘Manas’ ia levar e resolveram não deixar ‘tão na cara’ assim”.
As críticas surgiram principalmente porque “O Agente Secreto” era apontado por parte do público como um dos grandes favoritos da noite. O filme chegou ao Grande Otelo com o maior número de indicações, 18 ao todo, e já havia conquistado reconhecimento em importantes festivais internacionais. Além do prêmio principal dividido, levou os troféus de Melhor Direção de Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Efeito Visual.
Apesar disso, o maior vencedor da cerimônia acabou sendo “Homem Com H”, cinebiografia de Ney Matogrosso dirigida por Esmir Filho. O longa conquistou seis troféus, incluindo Melhor Filme pelo Júri Popular, Melhor Ator, com Jesuíta Barbosa, além de prêmios técnicos como Figurino, Maquiagem, Som e Trilha Sonora.
Já “Manas” encerrou a noite com cinco vitórias. Além de dividir o prêmio de Melhor Longa-Metragem Ficção, venceu Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem de Ficção e garantiu a Dira Paes o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. Com essa conquista, a atriz tornou-se a mulher mais premiada nas categorias de atuação da história do Grande Otelo, somando quatro troféus.
Os dois filmes contam histórias bastante diferentes. Dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, “O Agente Secreto” se passa no Recife de 1977, durante a ditadura militar, e acompanha um professor que tenta escapar de um passado marcado por perseguições políticas.
Já “Manas”, de Marianna Brennand, acompanha a jovem Marcielle, conhecida como Tielle, moradora da Ilha do Marajó, no Pará, que enfrenta a violência contra mulheres ao descobrir a realidade por trás do desaparecimento da irmã mais velha.
A repercussão do empate também fez muitos internautas lembrarem da disputa para definir o representante brasileiro ao Oscar, em 2025. Na época, houve intensa mobilização nas redes entre os defensores de diferentes candidatos, especialmente “Manas” e “O Agente Secreto”.
Polêmica na época do Oscar
Na ocasião, uma publicação da atriz Fernanda Torres sobre “Manas” foi interpretada por usuários das redes sociais como um apoio ao filme na corrida pela indicação brasileira ao Oscar. Diante da repercussão, ela esclareceu que a postagem celebrava apenas o apoio do ator Sean Penn ao longa nos Estados Unidos e negou que estivesse fazendo campanha por qualquer candidato.
Em seguida, Fernanda publicou mensagens sobre todos os filmes que disputavam a vaga e gravou um vídeo para explicar sua posição. Nele, destacou a qualidade da safra do cinema brasileiro, mas afirmou que, em sua opinião, “O Agente Secreto” reunia fortes credenciais para representar o país.
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