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A derrota por 1 a 0 para o Arsenal em Anfield trouxe à tona uma realidade desconfortável para o Liverpool sob a direção de Andoni Iraola. A equipe dominou boa parte do jogo, mantendo-se no campo adversário, acumulando chutes e rondando a meta de David Raya, mas não foi capaz de acertar o alvo nenhuma vez. Esse resultado marcou a primeira vez desde que a Opta começou a registrar dados, em 2003/04, que os Reds finalizaram um jogo da Premier League em casa sem um chute a gol.
Embora o Liverpool tenha apresentado um volume ofensivo considerável, a equipe enfrentou problemas para converter essa posse em chances claras. Com 17 finalizações, apenas uma foi considerada uma grande oportunidade. Após abrir o placar com Kai Havertz, o Arsenal se fechou de forma eficiente e forçou o Liverpool a se aventurar contra uma defesa bem organizada.
A dificuldade volta a ser um tema relevante antes da Champions League, com a visita ao Fenerbahçe marcada para esta quarta-feira (4). Apesar de uma campanha irregular, o time turco pode oferecer um desafio semelhante ao que tem incomodado o Liverpool: uma defesa compacta que busca explorar os espaços disponíveis.
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Volume do Liverpool não gera perigo
Este é um dos principais desafios enfrentados pelo Liverpool nesta temporada: a dificuldade em desmontar defesas bem posicionadas. Um levantamento do jornal inglês "The Guardian" aponta que os Reds são a equipe que mais se depara com blocos defensivos baixos na Premier League, passando mais de 25% do tempo nessa situação.
Para compreender o problema, é crucial distinguir entre dominar o campo e criar oportunidades. Um time pode ter a posse no campo adversário, realizar passes perto da área e até finalizar bastante, sem ameaçar o gol com frequência.
Bradley Barcola em jogo do Liverpool em Anfield. Foto: IMAGO / Propaganda Photo
Isso exemplifica a situação do Liverpool, que teve 52 toques na área do Arsenal, mas apenas uma grande chance gerada. A média da Premier League é de 10,3 toques na área para cada oportunidade desse tipo, indicando que o Liverpool necessitou de uma presença consideravelmente maior nessa zona para criar uma chance valiosa.
O problema não se limita à chegada ao último terço, mas também no que ocorre em seguida. Quando enfrenta uma defesa baixa, os espaços nas costas da linha defensiva praticamente desaparecem. Assim, a equipe atacante deve encontrar maneiras de movimentar os defensores, criar superioridade em determinadas áreas e abrir espaço para infiltrações.
Uma das soluções é movimentar a estrutura defensiva adversária. Um ataque que circula a bola rapidamente de um lado para o outro força o bloco a se deslocar. No entanto, se essa troca de lado é feita lentamente, o adversário consegue manter sua organização. O Liverpool tem encontrado dificuldades para acelerar essa circulação e, principalmente, para converter a posse em jogadas verticais.
Contra o Arsenal, essa dificuldade ficou clara após o gol de Havertz. Com a vantagem no placar, o time de Mikel Arteta se viu livre para não correr riscos, protegendo a região central e diminuindo os espaços entre defesa e meio-campo, permitindo que o Liverpool tivesse a posse em áreas menos perigosas.
Wirtz precisa se tornar decisivo
É aqui que Florian Wirtz entra em cena. Adquirido pela capacidade de desvelar soluções em espaços limitados, o alemão possui características que podem ser fundamentais contra defesas compactas: qualidade no passe, controle orientado, habilidade de receber entre as linhas e competência para acelerar a jogada em poucos toques.
Florian Wirtz, meia-atacante do Liverpool (Foto: Branislav Racko / IMAGO)
No entanto, a influência de sua participação ainda não se traduziu em oportunidades claras de gol. Até agora, Wirtz não criou uma grande chance na Premier League nesta temporada. Embora ele figure entre os jogadores com mais passes completos no último terço, sua contribuição tem se mostrado mais vinculada à circulação de bola e à manutenção da posse do que à criação de situações de perigo.
Isso não implica que o alemão esteja atuando mal ou que o problema seja de responsabilidade individual. A criação de espaço depende de movimentos coletivos. Para que Wirtz receba entre as linhas, seus companheiros precisam movimentar os defensores e oferecer opções de passe. Se os atacantes se mantêm presos à linha defensiva e os jogadores do meio-campo não ameaçam a profundidade, o espaço para o meia se torna limitado.
O Liverpool pode se beneficiar de aproximações entre Wirtz e os atacantes, tabelas curtas e movimentações que tirem os zagueiros de suas posições. Em vez de depender apenas de cruzamentos ou passes laterais, a equipe deve buscar maneiras de colocar um jogador na frente do gol, seja dentro da área ou em condições de acionar quem infiltra.
A amplitude é igualmente relevante. Laterais e pontas devem obrigar o adversário a defender toda a largura do campo. Quando a defesa se concentra no corredor central, espaços podem surgir pelas laterais; e, quando a defesa se desloca para conter os jogadores abertos, oportunidades aparecem nos meio-espaços. O desafio é que essas movimentações ocorram de forma coordenada, e não como ações isoladas.
Pressão alta pode ser uma alternativa para o Liverpool
Outra abordagem seria aproveitar melhor as recuperações de bola no campo ofensivo. A pressão alta de Iraola caracteriza seu trabalho como treinador, mas o Liverpool ainda não tem conseguido traduzir esse comportamento defensivo em oportunidades da forma esperada.
Um levantamento do jornal inglês revela que os Reds geraram finalizações em apenas 16,7% das recuperações de bola nos últimos 36 metros do campo, um índice abaixo da média da Premier League, que é de 18,4%, ocupando a sétima pior posição na competição.
Andoni Iraola, técnico do Liverpool (Foto: PA Images / Icon Sport)
Esse tipo de jogada pode ser valiosa contra times que se defendem recuados. Um bloco baixo bem organizado é desafiador de desmontar quando está em posição. No entanto, se o Liverpool recupera a bola antes que o adversário consiga se recompor, eles encontram uma defesa desorganizada, com jogadores fora de posição.
O desempenho na Europa apresenta um contraste. O Liverpool já marcou 12 gols e criou 12 grandes chances nas três primeiras partidas da Champions League, números que superam os registrados no campeonato inglês. Parte dessa diferença se deve ao perfil dos adversários e ao contexto das partidas: LASK e Villarreal proporcionaram jogos mais abertos, com espaços para transições e ataques rápidos.
O Fenerbahçe pode colocar essa questão à prova novamente. A equipe turca entra em campo sem vitórias na fase de grupos, após sofrer uma derrota por 6 a 0 para o Aston Villa e empatar em 2 a 2 com o Slavia Praga. Não é possível afirmar desde já que os turcos adotarão uma postura defensiva durante toda a partida, mas as diferenças de momento entre as equipes podem favorecer um cenário de maior controle territorial para o Liverpool.
Para Iraola, o confronto em Istambul será uma oportunidade de testar soluções que ainda não têm aparecido regularmente na Premier League. O Liverpool possui qualidade técnica suficiente para dominar a posse, pressionar a saída adversária e ocupar o campo de ataque. O próximo passo é transformar esse domínio em mais do que apenas volume: é necessário gerar infiltrações, passes decisivos e finalizações em melhores condições.
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