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Quinta-feira, 06 de Agosto de 2026

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Alguns cérebros humanos não apodrecem: entenda quais são eles e por quê

Pesquisa molecular explica como o sistema nervoso central consegue resistir à decomposição em cemitérios antigos e solos sem oxigênio

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Alguns cérebros humanos não apodrecem: entenda quais são eles e por quê
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Embora o cérebro seja considerado um dos primeiros órgãos a se decompor após a morte, mais de 4.400 cérebros humanos já foram recuperados por arqueólogos em sítios arqueológicos de até 12 mil anos. Um novo estudo desvendou o mecanismo químico por trás dessa conservação.

Cerca de um terço dos órgãos preservados foi encontrado em sepultamentos inundados e com baixo teor de oxigênio, nos quais o cérebro era o único tecido mole sobrevivente em meio a restos completamente esqueletizados.

A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de Oxford, descreve que as condições do ambiente de sepultamento alteram ativamente o destino das proteínas do órgão, revelando que a preservação pode surgir diretamente do próprio processo de decomposição sob circunstâncias específicas.

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O papel da água e da falta de oxigênio

Para entender o processo de preservação, os pesquisadores analisaram a degradação de proteínas cerebrais sob diferentes regimes de umidade e oxigenação. Os resultados indicam que a disponibilidade de oxigênio dita o destino molecular do tecido.

Em ambientes secos ou abertos com circulação de ar (ácidos ou alcalinos), ocorre uma perda generalizada de proteínas devido à fragmentação oxidativa contínua.

Já em solos encharcados e sem oxigênio (hipóxia), o processo é diferente: a água atua facilitando as reações de radicais livres, enquanto a falta de oxigênio limita a propagação da destruição química. Esse cenário gera ligações cruzadas oxidativas localizadas, que unem covalentemente as moléculas vizinhas em microambientes de membranas celulares.

Esse tipo de reação química reduz a solubilidade e a mobilidade das proteínas, criando uma barreira rígida que impede o ataque de enzimas digestivas e microrganismos decompositores.

As proteínas mais resistentes

A retenção do tecido cerebral ao longo de séculos e milênios não ocorre de forma uniforme. O estudo identificou que apenas um grupo específico de fragmentos proteicos, chamados de peptídeos recalcitrantes, resiste ao tempo.

Essas estruturas sobreviventes apresentam propriedades físicas e químicas específicas:

  • Predomínio de folhas-beta: Estruturas proteicas densamente unidas por pontes de hidrogênio e altamente estáveis contra a quebra.
  • Riqueza em aminoácidos aromáticos e de enxofre: Compostos químicos que estabilizam e interrompem a ação de radicais livres oxidativos.
  • Associação a membranas celulares: Áreas que concentram metais e lipídeos, limitando a difusão do oxigênio.

Semelhança com doenças neurodegenerativas

A pesquisa demonstrou que as assinaturas moleculares que tornam o cérebro resistente à decomposição após a morte são parecidas com as que causam a estabilização patológica de proteínas durante o envelhecimento cerebral e em doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

Nos dois cenários, a biologia envolve o acúmulo de agregados proteicos ricos em folhas-beta e ligações cruzadas induzidas por oxidação. Fatores intrínsecos do cérebro, como a alta concentração de ferro livre e a elevada densidade de membranas celulares, aceleram essas reações tanto em vida quanto após a morte.

Em locais de sepultamento inundados e com restrição de oxigênio, essas características biológicas convertem a decomposição em um mecanismo de proteção, garantindo a conservação do órgão por milênios.

FONTE/CRÉDITOS: robertosouza
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