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Quarta-feira, 03 de Junho de 2026

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Análise: Brasil deveria evitar “grandes brigas” com Estados Unidos

Governo brasileiro falha em antecipar situações de crise com Casa Branca e precisa investir em negociações

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Análise: Brasil deveria evitar “grandes brigas” com Estados Unidos
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Na relação com os Estados Unidos, é melhor o Brasil “pagar” para não entrar em uma grande briga do que arcar com os enormes custos dela.

Os dois países têm uma relação histórica, permanente. Mas, nas últimas semanas, novos conflitos e percalços foram retomados.

O primeiro envolve a denominação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pelos EUA. Isso abre um leque de possibilidades para ações unilaterais americanas sobre o Brasil, desde que comprovada a participação consciente de entidades com o crime organizado transnacional.

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Existe um espaço para a cooperação, mas ele vai depender do diálogo entre as autoridades.

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O segundo é, novamente, a questão das tarifas.

Volta o tarifaço ao Brasil, mas agora mais embasado e justificado. Ele chega a partir de uma medida do USTR (Escritório do Representante Comercial Americano). A investigação concluiu que o governo brasileiro tem várias práticas ilegais e desleais de comércio, afetando interesses de empresários do país. 

O órgão também propôs uma outra taxa, com base em uma outra análise da 301, relacionada com trabalho forçado. Esse caso não envolve só o Brasil, mas também outros 59 países. No entanto, o Planalto não impôs fiscalização ou regulação para impedir que nações que usam trabalho forçado trouxessem produtos ao território nacional.

No lado da segurança, é preciso aproveitar a possibilidade de uma ação mais forte e dura por parte de Washington. Brasileiros e americanos querem combater as organizações criminosas, não importa se elas são terroristas ou golpistas econômicos, importa que afetam as duas sociedades.

No plano comercial, o Brasil dormiu no ponto. O governo tinha que ter realizado um diálogo aproximado desde o ano passado, tratado de negociar para evitar essa tarifa que deve ficar vigente entre o final de julho e começo de agosto.

Os brasileiros sabem que têm um grande parceiro nos EUA e a Casa Branca não vê Brasília como um foco da atenção. Essas medidas não são todas concatenadas, elas vêm de várias instâncias do governo americano.

Mas o Planalto precisa ter a vigilância e antecipação para evitar o efeito negativo dessas medidas sobre sua sociedade e economia. Também precisa saber aproveitar as oportunidades para negociar e para cooperar em defesa dos seus interesses nacionais e do bem-estar da sua população.

*Alberto Pfeifer é coordenador-geral do grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisador de geopolítica do Insper Agro Global. Foi diretor de projetos especiais e diretor de assuntos internacionais estratégicos da Presidência da República. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.

FONTE/CRÉDITOS: danilocruz
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