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Sabado, 05 de Setembro de 2026

Justiça

André Mendonça pode solicitar ao STF a investigação de Moraes

Mendonça deve requisitar a apuração sobre Moraes, destacando as complicações nas relações dentro do STF e suas consequências.

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
André Mendonça pode solicitar ao STF a investigação de Moraes
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André Mendonça não necessita de artimanhas ou ações desleais para comprometer seus opositores — que, na realidade, são contrários à aplicação da lei. O ministro utiliza apenas os meios legítimos disponíveis a ele.

Observe agora a manobra que ele executou, atingindo simultaneamente três alvos. O mais significativo deles é Alexandre de Moraes.

Conforme foi noticiado em primeira mão pela jornalista Andreza Matais, da equipe do Metrópoles, “em ofício (à PGR), o ministro solicitou informações complementares sobre o conteúdo de mensagens enviadas por WhatsApp que mencionam duas autoridades da República: o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet”.

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As mensagens que estão em questão foram enviadas por Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. Nelas, o banqueiro do Master solicita a proteção de Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.

Diversas mensagens foram trocadas entre os dois, e agora não restam dúvidas de que foram direcionadas ao ministro — e que ele respondeu utilizando a visualização única para evitar deixar rastros. Até que a PF descobrisse tudo, o ministro negava ser o destinatário de Daniel Vorcaro. Ou seja, Alexandre de Moraes mentiu.

Os repórteres Fausto Macedo, Felipe de Paula e Aguirre Talento divulgaram nesta manhã a íntegra de algumas mensagens que o banqueiro do Master enviou ao seu influente interlocutor.

O grau de proximidade entre o autor da maior fraude do sistema financeiro do país e um ministro do STF é alarmante. No dia 30 de outubro, o banqueiro do Master disse a Alexandre de Moraes que alteraria a data de uma viagem a Abu Dhabi “para conseguir te ver, se puder na terça-feira!”.

Nessa mesma mensagem, ele menciona ter “informações informais e em confidência de pessoas do banco central, que G e os diretores estão sob pressão máxima novamente para uma medida, pois o Bacen está sendo fortemente pressionado pela PF e MP, alegando que farão algo contra mim”. G se refere ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, com quem Alexandre de Moraes já havia tratado sobre a aquisição do Master pelo BRB.

É nesse momento que Daniel Vorcaro solicita apoio ao ministro: “É fundamental reforçar com Andrei e Paulo para que ninguém de baixo faça uma sacanagem que pode arruinar tudo. Estou à disposição para tratar e esclarecer qualquer coisa, só não pode haver sacanagem. Vou te mandar os nomes que têm ido ao Bacen alegando que farão algo em breve”.

Outras mensagens foram enviadas ao ministro pouco antes da primeira prisão do banqueiro do Master, em 17 de novembro de 2025. Nelas, Daniel Vorcaro demonstra que já estava ciente da prisão e reafirma o pedido de proteção.

Em uma dessas mensagens, datada de 16 de novembro, ele escreve: “Se o Andrei conseguir adiar para outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta conversar com ele e sensibilizá-lo se achar possível”.

Um dia antes, ele questionou Alexandre de Moraes: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”. E ainda: “Acha que na segunda já preciso estar fora?”

Temos, portanto, um criminoso consultando um ministro do STF sobre a possibilidade de fugir para o exterior “na segunda”. Quarenta e oito horas após a consulta ao ministro, ele tentou efetivamente escapar do país. Isso é inaceitável.

É importante lembrar que, desde o início do ano anterior, o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, mantinha um contrato milionário, no valor de R$ 130 milhões, com o Banco Master, negociado diretamente com Daniel Vorcaro.

A má notícia para Alexandre de Moraes é que não há mais como ele afirmar que não tinha relação com o acordo.

Os jornalistas Fausto Macedo, Felipe de Paula e Aguirre Talento também revelaram hoje que foi o ministro que fez a edição da última versão do contrato (na verdade, de R$ 131 milhões):

“A versão do contrato devolvida por Vorcaro a Viviane, de acordo com os metadados do arquivo, foi aberta e modificada no sistema Office 365 utilizado pelo ministro do STF. O perfil que alterou o documento, conforme os metadados do contrato, é identificado como ‘Ministro Alexandre de Moraes’.”

A justificativa (fraca) do escritório de Viviane Barci de Moraes é que “o setor de compliance solicitou ao ministro informações sobre eventuais impedimentos legais à contratação pelo Banco Master da banca da Viviane Moraes”. Francamente, isso é desrespeitar aqueles que trabalham.

Diante de todas essas evidências, torna-se impossível para o ministro André Mendonça não levar ao plenário do STF o pedido de autorização para investigar Alexandre Moraes no contexto do caso Master. Se o STF negar a autorização, isso significará que já não existem mais juízes em Brasília e, portanto, Justiça no Brasil. Isso será o fim, de fato, da República.

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