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Sexta-feira, 24 de Julho de 2026

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Anitta: veja quem são os rappers indígenas que estão em “Equilibrivm II”

Conheça as trajetórias de Brô MC's e Katú Mirim, artistas que representam os povos originários na faixa "OKE", de Equilibrium II

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Anitta: veja quem são os rappers indígenas que estão em “Equilibrivm II”
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Anitta lançou nesta quinta-feira (23) a continuação de seu projeto mais recente, “Equilibrivm II“, com 17 novas faixas. Entre as participações especiais estão o grupo sul-mato-grossense Brô MC’s e a rapper Katú Mirim, artistas que dividem os vocais na faixa “OKE“, última música do projeto.

A colaboração colocou em evidência dois dos principais nomes do rap indígena. Na continuação, a cantora também dividiu espaço com nomes como Maria Bethânia, Alceu Valença, Letícia Fialho e Mestrinho.

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Brô MC’s: os pioneiros do rap indígena brasileiro

Fundado em 2009, o Brô MC’s é reconhecido como o primeiro grupo de rap indígena do Brasil. O coletivo surgiu nas aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados (MS), reunindo jovens do povo Guarani Kaiowá que encontraram no hip hop uma ferramenta para denunciar desigualdades, combater preconceitos e fortalecer sua identidade cultural.

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A parceria com a artista sucede uma série de projetos que ampliaram a visibilidade do Brô MC’s. Em 2024, o grupo dividiu o palco com Alok e os artistas indígenas Célia Xakriabá, Mapu Huni Kuin e Owerá durante o festival Global Citizen, realizado no Central Park, em Nova York (EUA). A apresentação levou a cultura e a música dos povos originários a um dos maiores eventos internacionais dedicados à mobilização social e ambiental.

No ano seguinte, o coletivo lançou o álbum Retomada, produzido pelo Instituto Alok. Com repertório em guarani, o trabalho reafirma a valorização da língua, da cultura e da ancestralidade dos povos originários. O lançamento aconteceu em 9 de agosto, data em que é celebrado o Dia Internacional dos Povos Indígenas, reforçando o caráter simbólico do projeto.

Alok se apresentou com os artistas indígenas Célia Xakriabá. Mapu Huni Kuin, Owerá e Brô MC’s em Nova York • @timoteco

Em entrevista à CNN Brasil, o grupo explicou que o convite de Anitta vai além da visibilidade conquistada por meio de um dos maiores lançamentos da música brasileira, mas trata-se da oportunidade de apresentar a cultura Guarani Kaiowá a milhões de pessoas, ampliando o espaço de artistas indígenas na indústria fonográfica.

“Para nós foi muito gratificante participar do álbum. Ficamos muito felizes por poder levar a nossa cultura, a nossa realidade e a língua guarani para um público cada vez maior. Ver mais artistas indígenas ocupando espaços na música mostra que estamos derrubando barreiras”, contam.

Na avaliação dos integrantes, a colaboração também pode representar um ponto de virada para a nova geração de músicos indígenas. Eles acreditam que a presença em grandes projetos ajuda a romper estereótipos e cria caminhos para que outros artistas sejam reconhecidos nacionalmente.

“Esperamos que esse trabalho abra portas para outros artistas indígenas serem vistos e reconhecidos. Queremos mostrar para a nossa comunidade que vale a pena continuar levando a nossa luta, a nossa língua e a nossa cultura adiante”.

Embora a carreira do Brô MC’s tenha alcançado novos públicos nos últimos anos, a realidade financeira do grupo ainda está distante daquela vivida por nomes consolidados da música brasileira.

“Hoje conseguimos viver exclusivamente da música, mas ainda estamos longe de receber os cachês que muitos imaginam. Sobrevivemos do nosso trabalho, porém os eventos de grande porte que valorizam o rap indígena ainda são poucos”, concluem.

Katú Mirim une rap, ativismo e ancestralidade

Ao lado do Brô MC’s está Katú Mirim, rapper paulista de origem Boe Bororo, que se tornou uma das principais vozes indígenas da música brasileira.

Suas letras misturam críticas sociais, memória ancestral e afirmação identitária. Em suas composições, a artista questiona estereótipos sobre os povos indígenas e denuncia violências históricas, utilizando o rap como instrumento de conscientização e resistência.

Também em entrevista à CNN Brasil, a rapper conta que o convite surgiu pelo reconhecimento de sua produção artística. “Receber o convite da própria Anitta foi um dos momentos mais emocionantes da minha trajetória. Pela primeira vez, uma artista do mainstream reconheceu a excelência da minha arte. A Anitta não me convidou apenas por eu ser indígena, mas porque conheceu o meu trabalho, gostou da minha música e acreditou no meu potencial”, diz.

Assim como o Brô MC’s, Katú Mirim afirma que a realidade financeira ainda é um desafio para quem produz música indígena no Brasil. Embora tenha conquistado reconhecimento artístico, ela ainda precisa conciliar a carreira musical com outra profissão.

“Nós estamos aqui, criando, compondo e cantando em diferentes gêneros musicais. Queremos ocupar o nosso espaço e viver da nossa arte como qualquer outro artista. Hoje, eu ainda não consigo viver exclusivamente da música. Para sustentar esse sonho, também trabalho como motorista de aplicativo. Mas sigo acreditando que esse dia vai chegar”, afirma.

Para a artista, a participação no álbum de Anitta pode representar um divisor de águas não apenas em sua trajetória, mas também para toda uma geração de músicos indígenas que busca espaço na indústria fonográfica.

“Talvez a Anitta nem tenha dimensão disso, mas, ao apostar no meu trabalho, ela abriu uma porta que pode transformar a história de muitos artistas indígenas. Quando uma artista do tamanho dela reconhece o valor da nossa arte, ela ajuda a mostrar ao Brasil e ao mundo que a música indígena contemporânea existe, é potente, diversa e merece ser ouvida”, conclui.

Além da música, Katú Mirim também atua como escritora, palestrante e ativista, participando de debates sobre direitos indígenas, representatividade e preservação cultural.

Katú Mirim • Divulgação

Veja a tracklist oficial de “Equilibrium – Parte II”

  • “Você Já Sabe” (colaboração com o trio Los Brasileiros)
  • “Sal Grosso” (colaboração com Kbrum)
  • “Não Me Cutuca” (colaboração com Alceu Valença)
  • “Eu Não Sou Santa” (colaboração com Mestrinho)
  • “Feitiço” (colaboração com Mart’nália)
  • “Ponta do Pé”
  • “Abre Caminho” (colaboração com Alexandre Carlo)
  • “Tudo Isso”
  • “Sem Pressa” (colaboração com MC Tha)
  • “Deus Mãe” (colaboração com KING Saints
  • “Ogum Me Rodeia” (colaboração com Maria Bethânia e Letícia Fialho)
  • “Contemplação” (colaboração com Grupo Ofá)
  • “Pra Você Gostar de Mim”
  • “Divino Sexual”
  • “Azul”
  • “Respira”
  • “OKE” (colaboração com Bro Mc’s e Katú Mirim)
  • FONTE/CRÉDITOS: Bárbara Carvalho
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