Em meio à crise de crédito no agronegócio e à alta dos custos de insumos importados, o mercado de defensivos biológicos mantém ritmo de crescimento impulsionado por uma vantagem competitiva: cerca de 90% da produção nacional de biodefensivos é feita no Brasil. Segundo Gustavo Herrmann, CEO da Koppert Brasil, de biodefensivos, a produção local reduz a dependência externa e melhora a relação de troca com o produtor rural em um cenário de pressão sobre custos e financiamento.
De acordo com o executivo, o setor de insumos agrícolas enfrenta um ambiente de dificuldades financeiras, marcado pelo aumento de recuperações judiciais tanto entre distribuidores quanto entre produtores. Ainda assim, “o biológico não deixou de crescer mesmo com a crise”, afirmou.
Herrmann disse que o segmento ganhou competitividade principalmente em culturas de commodities como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar, nas quais os produtores têm pouca margem para ampliar custos por hectare. Segundo ele, a alta nos preços de defensivos químicos, agravada por fatores externos como o conflito no Oriente Médio, abriu espaço para substituições parciais de aplicações químicas por biológicas.
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“Hoje a gente vê o produtor trocando aplicações de químicos por biológicos, coisa que não é tão corriqueira no dia a dia”, afirmou. Segundo o executivo, tradicionalmente os produtos biológicos eram usados de forma complementar, mas o cenário atual favorece uma ampliação do uso pela combinação de menor custo e perfil considerado mais sustentável.
Na avaliação do CEO da Koppert Brasil, a restrição de crédito afeta de forma semelhante empresas químicas e biológicas. Ele explicou que, diante da menor oferta de financiamento bancário, a própria indústria tem assumido parte do risco ao conceder prazos alongados de pagamento aos produtores, em alguns casos de até 365 dias.
“A indústria funciona muitas vezes como banco”, disse Herrmann. Segundo ele, o aumento do risco faz com que as empresas sejam mais seletivas na concessão de crédito, mas a produção nacional de biológicos reduz parte da exposição cambial e da dependência de importações.
A Koppert Brasil registrou crescimento de 15% em 2025, em linha com a expansão do mercado de biológicos, segundo o executivo. Para 2026, a expectativa é de avanço orgânico entre 10% e 15%, com potencial adicional impulsionado pelo lançamento de três novos produtos.
A empresa também prepara uma expansão de operações no país como parte de um movimento voltado a uma futura abertura de capital no médio prazo. Em novembro, a companhia iniciou uma captação de 100 milhões de euros, em operação conduzida pelo Itaú BBA. Os recursos serão destinados à construção de três novas fábricas no Brasil.
Segundo Herrmann, a operação faz parte da estratégia de busca por maior independência financeira e de gestão em relação à matriz holandesa. De acordo com o executivo, a estrutura permitirá à companhia acessar instrumentos financeiros que hoje não utiliza, como CPRs, CRAs e linhas do BNDES. A expectativa é concluir o anúncio da operação até julho.
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