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Bola de Ouro: Qual a última vez que teve uma disputa tão aberta?

A Bola de Ouro de 2026 terá uma característica cada vez mais rara: é difícil apontar um candidato claramente acima dos concorrentes. Harry Kane teve uma temporada extraordinária em números e conquistou títulos com o Bayern de Munique. Lamine Yamal ganhou protagonismo no Barcelona e ajudou a Espanha a conquistar a Copa do Mundo. Kylian …

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Bola de Ouro: Qual a última vez que teve uma disputa tão aberta?
A Bola de Ouro de 2026 terá uma característica cada vez mais rara: é difícil apontar um candidato claramente acima dos concorrentes. Harry Kane teve uma temporada extraordinária em números e conquistou títulos com o Bayern de Munique. Lamine Yamal ganhou
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Bola de Ouro: Qual a última vez que teve uma disputa tão aberta?

A Bola de Ouro de 2026 terá uma característica cada vez mais rara: é difícil apontar um candidato claramente acima dos concorrentes. Harry Kane teve uma temporada extraordinária em números e conquistou títulos com o Bayern de Munique. Lamine Yamal ganhou protagonismo no Barcelona e ajudou a Espanha a conquistar a Copa do Mundo. Kylian Mbappé brilhou individualmente, enquanto Lionel Messi também apresentou números expressivos e conduziu a Argentina à final do Mundial.

A lista de 30 indicados reúne outros nomes, mas a discussão se concentra sobretudo no equilíbrio entre desempenho individual e conquistas coletivas. A cerimônia acontece em 26 de outubro, em Londres, e a votação já foi encerrada. Ainda assim, as projeções publicadas nas semanas anteriores mostram como diferentes critérios podem levar a conclusões distintas sobre quem merece o prêmio.

Para encontrar uma comparação histórica, é preciso separar duas situações. Uma disputa pode parecer aberta antes da cerimônia e terminar com uma vitória relativamente confortável. Também pode acontecer o contrário: um candidato ser apontado como favorito e perder por uma margem mínima. As edições de 2013, 2021 e 2024 ajudam a entender como essas diferenças se manifestam na história da Bola de Ouro.

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Os dez favoritos à Bola de Ouro de 2026

Os dez favoritos à Bola de Ouro de 2026

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Bola de Ouro 2026: por que ninguém se distancia dos rivais?

O principal argumento de Harry Kane é a combinação entre números individuais e títulos. O atacante marcou 61 gols em 51 partidas pelo Bayern na temporada 2025/26 e também teve destaque pela Inglaterra na Copa do Mundo, com seis gols. A campanha reforçou sua candidatura, apoiada tanto na capacidade de decidir partidas quanto na regularidade ao longo do ano.

Yamal, por sua vez, representa um tipo diferente de candidato. O espanhol foi um dos protagonistas do Barcelona, terminou a temporada 2025/26 com 24 gols e 17 assistências em 45 jogos e acrescentou ao currículo o título mundial com a seleção. Aos 18 anos, já havia terminado como vice-campeão da Bola de Ouro de 2025. Combina produção ofensiva, influência no jogo e conquistas coletivas de peso.

Mbappé também tem números que sustentam sua presença na discussão. O francês terminou a Copa do Mundo como artilheiro, com dez gols, mas a ausência de títulos importantes com o Real Madrid e a seleção enfraquece seu caso diante de concorrentes que levantaram troféus relevantes.

Yamal, do Barcelona, com o Troféu KopaYamal, do Barcelona, com o Troféu Kopa. Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire

Messi acrescenta outra dimensão à disputa. O argentino ajudou a levar sua seleção à final do Mundial e manteve uma produção ofensiva expressiva pelo Inter Miami. A candidatura mostra que a idade, por si só, não encerra a discussão quando um jogador continua acumulando participações decisivas. Rodri, vencedor em 2024, e Ousmane Dembélé, atual detentor do prêmio, também figuram entre os nomes que podem entrar na disputa, embora com argumentos diferentes dos principais favoritos.

A Copa do Mundo é um elemento central para entender essa edição. O torneio costuma concentrar a atenção global e pode mudar a percepção sobre uma temporada inteira, sobretudo quando um jogador decide partidas eliminatórias ou conduz sua seleção a uma conquista histórica. Mas o Mundial não apaga automaticamente o que aconteceu nos clubes.

Em 2026, essa combinação produziu candidaturas difíceis de comparar. Kane tem números individuais impressionantes e títulos pelo Bayern; Yamal une protagonismo no Barcelona e o Mundial; Messi chega com uma campanha relevante pela Argentina; e Mbappé tem produção individual, mas menos conquistas coletivas de peso.

2013, 2021 e 2024 podem ser exemplo na Bola de Ouro

Uma das comparações mais fortes é a Bola de Ouro de 2021, quando Lionel Messi venceu Robert Lewandowski por apenas 33 pontos. O argentino recebeu 613, contra 580 do polonês, em uma votação que colocou dois jogadores com argumentos diferentes no centro da discussão.

Lewandowski tinha a seu favor uma produção goleadora extraordinária pelo Bayern de Munique. Messi, por outro lado, conquistou a Copa América com a Argentina, seu primeiro grande título pela seleção principal, e teve papel decisivo na campanha. A votação terminou apertada porque os dois apresentavam méritos importantes, mas de naturezas distintas.

A semelhança com 2026 está na dificuldade de estabelecer um único critério para decidir a disputa. Kane pode reivindicar os números, Yamal tem o Mundial e o protagonismo em um dos principais clubes europeus. O peso atribuído a cada componente pode alterar a conclusão.

Cristiano Ronaldo com a Bola de Ouro de 2013Cristiano Ronaldo com a Bola de Ouro de 2013 (Foto: IMAGO / AFLOSPORT)

A edição de 2013 oferece outro exemplo de uma corrida com três candidaturas fortes. Cristiano Ronaldo venceu com 1.365 votos, à frente de Lionel Messi, com 1.205, e Franck Ribéry, com 1.127. Os três ficaram relativamente próximos dentro de uma disputa que reuniu argumentos individuais e coletivos distintos.

Ronaldo se destacou pela capacidade de marcar gols e decidir partidas pelo Real Madrid. Messi continuava sendo uma referência técnica e ofensiva, enquanto Ribéry vinha de uma temporada histórica com o Bayern de Munique, campeão da Champions League. O francês era sustentado pelo sucesso coletivo de uma equipe dominante; Ronaldo, por sua produção individual extraordinária.

O caso mostra que a Bola de Ouro nem sempre premia o jogador com o maior número de troféus. O desempenho individual pode se sobrepor ao currículo coletivo, mas não existe uma fórmula fixa: o contexto da temporada e a maneira como cada candidato foi percebido pelos eleitores também pesam.

Já em 2024, Rodri venceu Vinicius Júnior por apenas 41 pontos: 1.170 contra 1.129. A margem foi especialmente pequena no sistema de votação daquele ano, que atribuía 15 pontos ao primeiro colocado de cada lista. Além dos dois finalistas, sete outros jogadores receberam ao menos um voto em primeiro lugar, sinal de que os eleitores divergiram sobre quem havia sido o melhor da temporada.

A disputa opôs dois perfis diferentes. Vinicius foi um dos grandes protagonistas do Real Madrid campeão da Champions League, enquanto Rodri se destacou pelo Manchester City e pela seleção espanhola, campeã da Eurocopa. O volante acabou reconhecido por uma influência que nem sempre aparece nos números de gols e assistências, enquanto o brasileiro tinha o impacto individual e a capacidade de decidir partidas como argumentos centrais.

O que torna 2026 diferente?

Harry Kane vai seguir no BayernHarry Kane vai seguir no Bayern. Foto: PictureAlliance / Icon Sport

As três edições anteriores mostram que a Bola de Ouro fica mais interessante quando os argumentos dos candidatos não podem ser reduzidos a uma única estatística ou a um único título. A edição de 2026 reúne elementos dessas disputas, mas a Copa do Mundo acrescenta uma variável enorme.

O torneio fortaleceu candidaturas como a de Yamal e Messi, enquanto Kane conseguiu combinar uma temporada goleadora pelo Bayern com uma campanha relevante pela Inglaterra. Mbappé também teve protagonismo individual no Mundial, mas a falta de grandes títulos coletivos pesa contra ele.

É impossível afirmar, antes da cerimônia, que esta é definitivamente a disputa mais aberta da história recente. Isso exigiria comparar não apenas as margens de votação, conhecidas depois da divulgação dos resultados, mas também as expectativas e projeções que existiam antes de cada premiação. Ainda assim, há razões para colocá-la entre as edições mais imprevisíveis dos últimos anos: vários candidatos apresentam argumentos fortes, e nenhum reúne todos os fatores a seu favor.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Ramos

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