O Brasil e a América Latina enfrentam significativos obstáculos para se tornarem players relevantes no cenário global de inteligência artificial (IA), principalmente devido à falta de investimentos massivos necessários para competir com as grandes empresas do setor.
Durante participação no programa É Negócio, da CNN, o CEO do Softbank para a América Latina, Alex Szapiro explicou que, a fabricação de chips para IA, por exemplo, exige “bilhões e bilhões de dólares” de investimento, um montante que dificilmente países em desenvolvimento conseguem mobilizar. Mesmo na área de data centers, onde o Brasil possui grande potencial energético, a capacidade atual de geração de energia está muito aquém do necessário para sustentar a infraestrutura que a IA avançada demanda.
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O SoftBank é um gigante global de investimentos em tecnologia, com mais de 450 empresas no portfólio, incluindo OpenAI, Nubank e Rappi. Na visão de Szapiro, no campo dos modelos fundamentais de IA, como os desenvolvidos pela OpenAI e Antropic, o desafio é ainda maior. A combinação da falta de capital humano especializado com a necessidade de investimentos bilionários torna praticamente impossível para o Brasil desenvolver empresas competitivas de Large Language Models (LLM). Atualmente, esse mercado é dominado por gigantes como X (de Elon Musk), Meta, OpenAI e Antropic.
Por outro lado, existe uma oportunidade promissora na chamada “application layer” (camada de aplicação). Dentro da pirâmide tecnológica da IA, que inclui desde chips até modelos fundamentais, quem detém dados possui uma vantagem competitiva significativa. Essa pode ser uma área onde países como o Brasil encontrem nichos para desenvolver soluções baseadas em IA, aproveitando dados específicos de seus mercados e realidades locais.
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IA no Brasil: oportunidades na camada de aplicações
A inteligência artificial avança em ritmo acelerado no mundo, mas o Brasil e a América Latina enfrentam barreiras significativas para competir nos segmentos mais intensivos em capital, como a fabricação de chips e o desenvolvimento de modelos fundamentais de linguagem. Essa é a avaliação compartilhada por um investidor do setor de tecnologia, que contextualiza o cenário global para a realidade brasileira.
Brasil tem potencial na camada de aplicações
Segundo o investidor, áreas como produção de semicondutores e construção de grandes modelos de linguagem, os chamados LLMs, sigla em inglês para Large Language Models, exigem bilhões de dólares em investimento e um capital humano especializado que o país ainda não possui em escala suficiente. “Vai ser muito difícil a gente ter o capital humano e também os bilhões de dólares para fazer uma nova empresa que a gente chama de modelos fundamentais, a LLM”, afirmou. Empresas como OpenAI, Anthropic, Meta e X, de Elon Musk, já ocupam esse espaço.
Por outro lado, Szapiro destaca que a chamada camada de aplicações, o topo da pirâmide tecnológica, representa uma grande oportunidade para empresas brasileiras. Nesse segmento, quem detém dados possui vantagem competitiva relevante. Como exemplo, ele cita o investimento realizado na empresa Blip, plataforma que orquestra conversas e transações entre grandes empresas e seus consumidores, principalmente via WhatsApp. “A gente não está falando do chatbot. A gente está falando de sistemas muito avançados de comunicação, de resolver problemas e até de vender coisa para as empresas”, explicou.
É Negócio
O programa É Negócio é uma parceira do NeoFeed com a CNN Brasil, Carlos Sambrana entrevista os executivos e líderes das maiores companhias do Brasil. Acompanhe os episódios inéditos, todos os domingos, às 20h45 na CNN Brasil, com reprise às quartas-feiras, às 19h15 no CNN Money.
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