A cada novo relatório divulgado pelas agências climáticas, aumentando a probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro, os preços de importantes soft commodities agrícolas sobem junto, refletindo o prêmio de risco para as safras de 2026/27 e também 2027/28.
Levantamento feito pela consultoria StoneX mostra que o mercado já precifica o impacto do clima nos contratos futuros com destaque para culturas tropicais como café, cacau e açúcar.
Cacau: alta de mais de 40% mesmo com oferta de curto prazo em recuperação
Os contratos futuros de cacau negociados na Bolsa de Nova York acumulam alta de mais de 40% desde o início de fevereiro. Mesmo com uma maior oferta nesse momento puxada pelo avanço das entregas no Oeste Africano e pela recuperação dos estoques certificados.
Para a StoneX, o movimento de alta é explicado sobretudo pela preocupação crescente com a safra 2026/27.
A consultoria revisou para baixo as projeções para os estoques globais de cacau.
Ao longo de 2025/26 a projeção de superávit para o cacau saltou de 247 mil para 422 mil toneladas, refletindo a safra maior no momento.
Agora, para 2026/27, a estimativa de superávit caiu: de 149 mil para apenas 25 mil toneladas, mostrando que o mercado trabalha com um cenário ainda mais enxuto à frente.
Ainda é cedo para afirmar que o El Niño seja o responsável direto pelos problemas observados nas lavouras, já que sua intensificação é esperada para os próximos meses. Entretanto, já existem fatores concretos que reforçam a preocupação do mercado.
As chuvas excessivas em junho na Costa do Marfim e em Gana provocaram enchentes, dificuldades operacionais e mais casos de doenças nas lavouras. Levantamentos de produtividade no campo indicam contagem de vagens abaixo do padrão para a época, e órgãos oficiais marfinenses reduziram o ritmo de vendas antecipadas da próxima temporada.
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Café: prêmio de risco sobe com floradas antecipadas no Brasil
O El Niño já figura entre os fatores que sustentam a recente valorização dos preços, embora não seja o único.
Desde junho os contratos futuros do café arábica subiram cerca de 35%. E o do robusta tiveram 20% de alta em média.
Parte desse movimento reflete o atraso na colheita da safra brasileira que influenciou no ritmo menor das exportações. E para a StoneX outro motivo está no aumento do prêmio de risco climático para a próxima safra 2027/28.
Chuvas acima da média atingem o cinturão cafeeiro brasileiro desde junho, período que normalmente seria mais seco. Em algumas regiões do Sul de Minas, o volume acumulado em uma semana igualou – ou até superou – a média histórica de todo o mês de julho. O excesso de umidade prejudicou a fermentação e a secagem da safra atual, levantando dúvidas sobre a qualidade dos lotes.
Ao mesmo tempo, essas chuvas anteciparam o desenvolvimento das gemas florais. Com as primeiras floradas registradas em São Paulo, Sul de Minas e Cerrado Mineiro, além do conilon em Rondônia, Espírito Santo e Bahia.
O risco, segundo a Stone X, está na previsão de um possível período mais quente e seco, entre setembro e novembro, justamente durante a fase de enchimento dos frutos, o que aumentaria as chances de abortamento de flores, perdas de produtividade e falta de padrão dos grãos destinados ao mercado de cafés especiais.
Açúcar: Tailândia e Índia no radar
Os preços do açúcar também já reagem aos efeitos do El Niño, segundo a Stone X.
Na Tailândia, as chuvas estão 20% abaixo da média. Enquanto na Índia as monções acumulam índice 11% abaixo do histórico até o momento. Combinação que reforça o pessimismo com a oferta 2026/27 dos dois países.
Nesta quarta-feira (19) os contratos futuros em Nova York operam acima de 17 centavos de dólar por libra-peso, alta acumulada de quase 18% em um mês, e bem acima dos 14 centavos de dólar por libra-peso registrado na maior parte do primeiro semestre.
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