Cafés cultivados em Rondônia são mostrados por produtores indígenas
O café produzido por Tawã Arauá e sua família, originário da Terra Indígena Rio Branco em Alta Floresta d’Oeste, percorreu muitos quilômetros até chegar à Agrotec, em Porto Velho. No Pavilhão do Café, Tawã apresenta ao público o Café Arauá, fruto de um trabalho realizado em família dentro da própria comunidade.
A maior parte do processo, desde a produção até o empacotamento, é feita na propriedade. Anteriormente, o café era comercializado principalmente em pontos de entrega na cidade de origem, mas agora encontrou na feira uma chance de alcançar novos consumidores. “O café é produzido na Terra Indígena Rio Branco e vem da agricultura familiar. Participamos de todo o processo até a embalagem. Estar aqui é muito gratificante porque conseguimos mostrar nosso trabalho, ouvir as opiniões das pessoas e receber novas ideias que ajudam a melhorar e agregar valor ao nosso produto”, declarou Tawã.
Outra narrativa que chegou à capital é de Cacoal. Daniel Suruí, da Aldeia Paiter Suruí, está presente na Agrotec com o Café Mopimop, um produto que carrega uma tradição familiar que começou há mais de 30 anos.
Daniel explica que a conexão da família com a cafeicultura teve início com seu avô e se estendeu por gerações. A busca pela qualidade se intensificou nos últimos anos, com conquistas em concursos. “O café é parte de nossa história desde 1992. Meu avô começou a trabalhar com café, meu pai deu continuidade, e hoje nós mantemos esse trabalho. Participamos de concursos, obtivemos resultados significativos e isso motivou ainda mais nossa família a produzir, melhorar a qualidade e comercializar nosso café. Estar em um grande evento como a Agrotec e poder expor nosso produto é uma grande alegria”, afirmou Daniel.
Essas duas histórias estão inseridas no Pavilhão do Café – Sabores e Aromas do Campo, que é um espaço da Agrotec dedicado à valorização da cafeicultura e, especialmente, dos Robustas Amazônicos cultivados em Rondônia.
O pavilhão reúne diversos produtores, empreendedores e marcas, incluindo cafés que foram reconhecidos em concursos. Durante a feira, os visitantes têm a oportunidade de experimentar diferentes aromas e sabores, participar de degustações e entender um pouco mais sobre o trajeto do grão, desde a propriedade até a torra, comercialização e preparação da bebida.
O espaço também abriga o Lounge do Café, onde ocorrem experiências, demonstrações e capacitações sobre qualidade dos grãos, colheita e pós-colheita, torra, métodos de preparo, análise sensorial, agregação de valor e oportunidades de mercado.
O secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Douglas Bener, destacou que a presença dos produtores indígenas enriquece a diversidade e a relevância do espaço. “Aqui estão produtos que trazem qualidade, história e identidade. A Agrotec possibilita que esses produtores apresentem seus cafés diretamente ao público, troquem experiências e encontrem novas oportunidades para levar o que produzem a outros mercados”, comentou.
O prefeito Léo Moraes enfatizou que dar espaço para diferentes produtores também é mostrar a diversidade da produção amazônica. “Cada café apresentado aqui possui uma história, uma família e a identidade de quem vive e produz na nossa Amazônia. A Agrotec é uma grande vitrine para aproximar esses produtores dos consumidores e demonstrar que temos qualidade suficiente para conquistar mercados dentro e fora de Rondônia”, ressaltou.
A programação faz parte da Agrotec 2026, que está sendo realizada no Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho.
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