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Caminhos Distintos: Olise e Eze após saírem do Palace para Arsenal e Bayern

Enquanto Michael Olise rumou ao Bayern de Munique em 2024, Eberechi Eze teve a oportunidade de realizar seu sonho no Arsenal um ano depois. Ambos, protagonistas do Crystal Palace, trilharam trajetórias marcadas por diferentes contextos e desafios.

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Caminhos Distintos: Olise e Eze após saírem do Palace para Arsenal e Bayern
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Eze e Olise: Como dois destaques do Palace seguiram caminhos tão diferentes em Arsenal e Bayern

Após deixarem o Crystal Palace em momentos distintos, Michael Olise e Eberechi Eze compartilharam um traço em comum: ambos se destacaram como jogadores de grande talento nos Eagles. O atleta francês transferiu-se para o Bayern de Munique em 2024, enquanto Eze concretizou seu sonho de defender o Arsenal um ano depois.

Desde suas transferências, as carreiras de ambos tomaram direções bem diferentes, evidenciando como o contexto tático e a posição dentro de uma equipe podem influenciar o desenvolvimento de um jogador.

Transformando o potencial que já demonstrava na Inglaterra em protagonismo na Alemanha, Olise se destacou no Bayern. Desde sua chegada, o atacante se tornou uma das principais referências ofensivas do time, acumulando gols, assistências e contribuindo ativamente na construção das jogadas. Seu nono lugar na Bola de Ouro de 2026 foi um reconhecimento de sua evolução em campo, embora uma colocação superior fosse mais apropriada.

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Por outro lado, Eze ainda enfrenta dificuldades para reproduzir no Arsenal a influência que tinha no Palace. Trazido para agregar criatividade e habilidade ao ataque, o meia alterna entre jogar aberto nas laterais e atuar como substituto de Martin Odegaard. Essa mudança de função, aliada à competição por espaço, explica por que sua adaptação não tem sido tão bem-sucedida quanto a de seu ex-companheiro.

Olise encontrou no Bayern o ambiente ideal para potencializar seu talento

Olise celebra gol pelo BayernOlise celebra gol pelo Bayern (Foto: Fotostand / IMAGO)

Os números de Michael Olise na Bundesliga são impressionantes e mostram uma evolução que vai além da simples fase. Em sua primeira temporada no Bayern, 2024/25, ele marcou 20 gols e forneceu 20 assistências em 55 partidas. Na temporada seguinte, conseguiu manter a regularidade, elevando sua produção para 21 gols e 26 assistências em 52 jogos. Já na atual temporada, 2026/27, ele contabiliza dez gols e cinco assistências em apenas 11 partidas.

A quantidade de participações diretas em gols é notável, mas não é o único fator que destaca a importância do atacante. Olise demonstra capacidade para finalizar jogadas, assim como para identificar companheiros em melhores posições para marcar. Seu leque de opções inclui passes que quebram linhas defensivas, cruzamentos exatos e jogadas individuais que forçam a defesa adversária a se deslocar.

Essa diversidade de habilidades o torna um verdadeiro playmaker, mesmo atuando maioritariamente pelas laterais.

Olise não precisa estar em posição de finalização para ser decisivo: ele pode recuar e participar da circulação da bola, acelerando o ataque com passes que desorganizam a defesa adversária. Quando consegue espaço para avançar, combina sua criatividade com uma constante ameaça de gol.

O ambiente do Bayern favorece seu estilo de jogo. Em uma equipe que frequentemente controla as partidas e possui atacantes dispostos a atacar a área, ele encontra alternativas para transformar sua visão em assistências. A movimentação de seus companheiros para receber seus passes aumenta as opções de combinação e evita que a defesa rival foque apenas em bloquear suas finalizações.

Contudo, isso não implica que Olise tenha se tornado um jogador distinto do que era no Crystal Palace. Ele já demonstrava habilidade técnica, visão de jogo e capacidade de decidir partidas na Inglaterra. A diferença está na amplitude que essas características ganharam em Munique.

O Bayern proporciona um palco grandioso, e Olise tem correspondido à altura, aprimorando sua regularidade e influência em diferentes momentos dos jogos.

Eze ainda procura espaço para repetir o protagonismo no Arsenal

Eze em ação pelo ArsenalEze em ação pelo Arsenal (Foto: Ian Stephen / Every Second Media / IMAGO)

A trajetória de Eberechi Eze apresenta uma complexidade maior, pois suas dificuldades vão além da produção ofensiva. Na temporada 2024/25, sua última completa pelo Crystal Palace, o meio-campista anotou 15 gols e 11 assistências em 43 partidas, sendo um dos principais responsáveis pela criatividade do time, com liberdade para operar entre as linhas, conduzir a bola e se aproximar da área. Tal desempenho atraiu o interesse do Arsenal, que o contratou em 2025.

No entanto, a primeira temporada nos Gunners trouxe resultados menos expressivos do que os números podem indicar. Eze conseguiu marcar dez gols e fornecer cinco assistências em 52 partidas na campanha 2025/26.

Embora esses números sejam razoáveis para um jogador em adaptação a um novo clube, a distribuição dos gols é digna de nota: cinco deles foram marcados em apenas dois clássicos contra o Tottenham, ambos pela Premier League. Em um desses jogos, ele fez um hat-trick; no outro, balançou a rede duas vezes.

Esses dois encontros ajudaram a construir sua imagem como carrasco dos Spurs, mas também evidenciam que a contagem total de gols não é suficiente para avaliar sua temporada. Fora desses clássicos, Eze não conseguiu manter uma frequência de atuações decisivas que o colocasse entre as principais referências ofensivas do Arsenal.

O problema não está em minimizar a importância de marcar em clássicos, mas em entender que grandes atuações pontuais não são suficientes para substituir a influência constante esperada de um jogador contratado para trazer criatividade ao time.

A questão tática é fundamental. No Palace, Eze atuava em um esquema com três zagueiros e dois alas, o 3-4-3, o que lhe permitia ocupar áreas interiores com frequência e participar diretamente da construção. No Arsenal, sua utilização tem sido mais variável, atuando algumas vezes aberto nas laterais e em outras como alternativa a Odegaard, que desempenha um papel central na organização ofensiva da equipe.

Essa diferença não se resume apenas ao posicionamento inicial. Ao receber a bola mais distante da área, Eze precisa superar marcadores em situações onde há menos opções de passe disponíveis. Por outro lado, atuando mais por dentro, ele pode aproveitar melhor sua condução, habilidade de girar sob pressão e visão para encontrar companheiros. Ao mesmo tempo, disputar espaço com Odegaard significa competir por um lugar onde o Arsenal já tem um jogador consolidado.

O início de 2026/27 destaca ainda mais a dificuldade de estabelecer continuidade. Eze acumula dois gols e uma assistência em 12 partidas por todas as competições. Nas oito primeiras rodadas da Premier League, foi titular em apenas duas oportunidades, entrou em quatro jogos e não foi utilizado nas outras duas. Com menos minutos e funções variadas, a aquisição de ritmo, o entrosamento e a criação de uma sequência de atuações que mude sua situação tornam-se desafiadores.

O talento não mudou, mas o contexto fez a diferença

Olise e Eze nos tempos de Crystal PalaceOlise e Eze nos tempos de Crystal Palace (Foto: Micah Crook / PPAUK / IMAGO)

A comparação entre Olise e Eze não deve ser vista como um veredicto final sobre a qualidade de Eze. Ambos chegaram a seus novos clubes em circunstâncias diversas e enfrentaram exigências diferentes. Enquanto o francês encontrou espaço para transformar sua criatividade em um pilar central do Bayern, o inglês ainda busca uma função que lhe permita participar mais da construção e receber a bola em áreas onde seu desempenho é mais eficaz.

O talento que fez de Eze um dos destaques do Palace continua presente. O desafio reside em como utilizá-lo em um Arsenal com uma estrutura ofensiva diferente daquela à qual estava habituado. Olise já encontrou essa solução no Bayern, tornando-se um dos jogadores mais influentes da equipe. Eze ainda busca a sua – e, enquanto não conseguir um espaço e regularidade, a diferença entre as duas trajetórias permanecerá evidente.

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