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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2026

Agro

Carne de jacaré se destaca na Agrotec e busca Indicação Geográfica

Produto da Resex do Lago do Cuniã combina tradição, manejo sustentável e geração de renda para as comunidades locais

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Carne de jacaré se destaca na Agrotec e busca Indicação Geográfica
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Produto da Resex do Lago do Cuniã combina tradição, manejo sustentável e geração de renda para as comunidades locais

Filho de seringueiro e soldado da borracha, Carlos Santos aprendeu desde pequeno que a carne de jacaré poderia ser muito mais do que um simples prato. Observou seu pai caçando, tratando e preparando a carne, e com o tempo desenvolveu receitas que variam do assado ao bolinho, passando pelo estrogonofe.

Décadas depois, Carlos encontrou na Agrotec a oportunidade de apresentar essa rica história a quem nunca havia provado a iguaria.

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“Eu sei fazer de tudo com carne de jacaré. Tem que saber manejar para ficar bom. É uma carne deliciosa e esse momento é importante para que todos possam conhecer. Precisamos dessa identidade amazônica do nosso jacaré”.

Da tradição ao reconhecimento

A programação de quinta-feira (27) representou mais um avanço em direção à Indicação Geográfica (IG) da carne de jacaré do Cuniã, uma iniciativa que envolve a Prefeitura de Porto Velho, Sebrae, ICMBio e organizações da comunidade.

O secretário-adjunto da Semtel e historiador Aleks Palitot destaca que o reconhecimento visa associar o produto não apenas ao território, mas também à história das populações tradicionais e ao manejo sustentável.

“A pessoa quer experimentar essa carne, mas também quer conhecer a história do lugar de onde ela vem, a vida das populações tradicionais, sua relação com a natureza e com a sustentabilidade. Isso cria identidade e valor para o produto”.

Manejo que também conta histórias

Para Erlan Alves Lopes, diretor do Departamento de Agricultura, o desenvolvimento da cadeia produtiva tem um significado pessoal. Um primo seu faleceu após um ataque de jacaré em 2006, o que o motivou a estudar sobre o tema e participar das discussões em torno do manejo.

“Isso significa muito para mim. Eu chego a me arrepiar. A gente começou a estudar a cadeia produtiva e hoje queremos construir uma memória saudável da carne do jacaré e do manejo sustentável”.

Na Resex do Lago do Cuniã, as atividades seguem regras específicas. Ronaldo Rodrigues, presidente da Cooperativa do Cuniã, conta que os animais são capturados à noite e passam por medição para garantir que atendem aos critérios estabelecidos para o manejo. Em seguida, carne e couro são aproveitados e comercializados.

Da Amazônia para a mesa

Na Agrotec, também teve quem confirmasse o sabor no prato. Evellyn Peixoto, analista técnica do Sebrae, já conhecia a carne e aproveitou a feira para provar novamente.

“Eu sugiro que todos experimentem e deem esse primeiro passo sem preconceito. A textura lembra alimentos que as pessoas já conhecem, como o frango, mas os nossos temperos amazônicos trazem um diferencial ao sabor”.

Para o prefeito Léo Moraes, valorizar produtos que estão ligados à identidade de Porto Velho também é uma forma de gerar novas oportunidades para as comunidades tradicionais.

“Temos uma riqueza que é nossa, construída pela história e pela relação das comunidades com a Amazônia. Valorizar essa identidade, com responsabilidade e sustentabilidade, é também gerar oportunidades e fazer com que Porto Velho seja reconhecida pelo que tem de único”.

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FONTE/CRÉDITOS: Texto: Helen Paiva
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