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Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

Policial

Chefe do crime organizado de Rondônia, com atuação no Rio de Janeiro, conheceu Fernandinho Beira-Mar em presídio de Porto Velho, segundo a polícia.

Zeus já ocupou a posição de líder do tráfico em Vilhena (RO). Após ser preso, foi transferido para um presídio em Porto Velho, onde dividiu cela com Fernandinho Beira-Mar, um dos traficantes mais conhecidos do Brasil.

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Chefe do crime organizado de Rondônia, com atuação no Rio de Janeiro, conheceu Fernandinho Beira-Mar em presídio de Porto Velho, segundo a polícia.
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Chefe do tráfico na Muzema conheceu Beira-Mar em presídio federal de Porto Velho, diz polícia

O homem apontado como líder do tráfico de drogas na comunidade da Muzema, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e financiador da expansão do Comando Vermelho na região, já comandou o tráfico em Vilhena, Rondônia. Segundo a Polícia Civil, ele conheceu Fernandinho Beira-Mar enquanto cumpria pena no presídio federal de Porto Velho.

LEIA MAIS: Zeus, chefe do crime em Rondônia, comanda o tráfico na Muzema e financia avanço de facção na Zona Oeste do Rio

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Identificado como Luiz Carlos Bandera Rodrigues, conhecido pelos apelidos "Da Roça" e "Zeus", o criminoso atuava como chefe do tráfico em Vilhena em 2015. Após ser preso, foi transferido para o presídio federal em Porto Velho, onde dividiu espaço com Beira-Mar, um dos traficantes mais conhecidos do país, preso na unidade desde 2012.

Segundo as investigações, Luiz Carlos foi solto anos depois e mudou-se para o Rio de Janeiro. Com o início da pandemia, passou a se esconder na capital fluminense e, conforme apontam o Ministério Público e a Polícia Civil do Rio, começou a investir na expansão do Comando Vermelho na Muzema, desafiando a milícia que já controlava a área.

Operação mira facção na Zona Oeste

Luiz Carlos foi um dos alvos da operação deflagrada nesta terça-feira (13) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio. A ação teve como objetivo desarticular a atuação do Comando Vermelho na Zona Oeste carioca. Ao todo, foram expedidos 22 mandados de prisão e 39 de busca e apreensão.

Apesar de ter nascido em Fortaleza, Zeus consolidou-se como um dos principais nomes do tráfico em Rondônia. Após a entrada do Comando Vermelho no estado, passou a se aproximar da cúpula da facção, especialmente de Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”, liderança do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Com o respaldo da facção, assumiu o controle do tráfico na Muzema. Ambos foram denunciados pelo Ministério Público do Rio.

Além do tráfico de drogas, Zeus também passou a atuar em outros ramos do crime organizado: roubo de cargas e veículos, cobrança de taxas ilegais de “proteção” a moradores e comerciantes, e exploração de serviços clandestinos de internet e TV a cabo.

Segundo os investigadores, o grupo também ocupa imóveis à força na comunidade. Os lucros obtidos com essas atividades são divididos entre Zeus e a facção da Penha. Com o fortalecimento financeiro, ele passou a investir na tomada de outra comunidade estratégica da Zona Oeste: Rio das Pedras, também alvo de disputa entre traficantes e milicianos.

Um dos principais aliados de Zeus, João Vinícius Tavares Corrêa — apontado como seu braço direito — foi preso nesta terça-feira em Porto Velho.

Influência de líderes presos vai além das celas, diz especialista

Marcos Freire, especialista em segurança pública, afirma que mesmo com o rígido esquema de segurança da Penitenciária Federal de Porto Velho, a presença de líderes do crime organizado no estado impacta diretamente na dinâmica do tráfico e da violência na região.

Segundo ele, mesmo presos, esses chefes mantêm comunicação constante com o exterior por meio de ligações telefônicas, visitas e contatos com advogados. “Existe, sim, uma influência clara. Essa é a lógica dos grupos faccionados. As informações entram e saem do presídio continuamente”, explicou.

Freire também destaca que, com a transferência de criminosos de alto escalão para presídios federais, membros de sua rede de confiança costumam se deslocar para o entorno. “Quando o criminoso vem pra cá, o staff dele vem junto. Seja advogado, seja familiar. Ele se conecta com criminosos locais e passa a ser visto como representante da facção na região”, concluiu.

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