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A derrota do Chelsea por 2 a 0 para o Tottenham, ocorrida neste sábado (24) em Stamford Bridge, contou com a falha de Mike Penders (gol contra) e a expulsão de Cole Palmer como momentos decisivos. Contudo, esses episódios não são suficientes para explicar o resultado. Antes mesmo que o placar fosse aberto, o time sob o comando de Xabi Alonso já tinha dificuldades em manter o controle do jogo, pressionar o adversário e converter a posse de bola em oportunidades reais de gol.
É comum que falhas individuais e a desvantagem numérica sejam destacadas na análise de uma partida decidida por pequenos detalhes. No entanto, o problema surge quando tais ocorrências se tornam as únicas justificativas para todos os erros cometidos.
O Chelsea não perdeu somente por conta do erro de seu goleiro ou pela expulsão de um jogador. A equipe também falhou por conta de um planejamento que não saiu como esperado, já que o Tottenham conseguiu encontrar alternativas para evitar a marcação e as respostas do treinador foram tardias.
Assim, a análise do resultado deve ser mais abrangente do que apenas focar nos lances mais impactantes. Embora Alonso não deva ser responsabilizado pela falha do goleiro Penders ou pela expulsão de Palmer, ele precisa responder pelas decisões que deixaram os Blues em desvantagem tática.
Escolhas de Xabi Alonso deixaram o Chelsea sem referências no ataque
Morgan Rogers em ação durante Chelsea 0 x 2 Tottenham (Foto: Mark Greenwood / IPS / IMAGO)
A ausência de João Pedro, que se encontra lesionado, fez com que o treinador tivesse que buscar uma alternativa para o ataque. Xabi decidiu escalar Morgan Rogers como um falso nove, apostando na movimentação do jogador inglês para dificultar a defesa adversária. Essa abordagem possui lógica: oferecer mobilidade, aproximar os jogadores e explorar os espaços entre as linhas. No entanto, na prática, o Chelsea acabou por perder uma referência mais clara na área.
Sem um centroavante que pudesse prender os zagueiros, disputar bolas aéreas e dar continuidade às jogadas em posições avançadas, a equipe enfrentou dificuldades para converter suas movimentações em ameaças constantes. Embora Rogers tenha características que favoreçam sua participação na construção de jogadas, sua utilização na posição central não compensou a ausência de João Pedro. Faltou profundidade e a presença necessária para ocupar os espaços próximos ao gol.
A titularidade de Geovany Quenda também deve ser analisada com atenção. A disputa por minutos entre o jovem português e Estêvão é uma questão relevante na gestão do elenco, mas seria simplista concluir que o brasileiro deveria ser titular apenas com base no resultado.
Decisões de escalação devem ser avaliadas considerando o contexto e as funções planejadas, e não apenas o resultado final. No entanto, o jogo reforça a necessidade de que Xabi encontre formas mais eficientes de utilizar as características de seus jogadores e distribua os minutos sem comprometer a capacidade ofensiva.
Os problemas não se restringiram apenas ao último terço do campo. O Tottenham conseguiu impor seu ritmo na maior parte da partida, dificultando a progressão da equipe mandante. Moisés Caicedo e Jordan Henderson enfrentaram dificuldades em manter o equilíbrio no meio-campo, enquanto Palmer e Rogers estavam distantes das áreas onde poderiam ser mais efetivos.
Com poucas conexões entre os setores, o Chelsea recorreu a lançamentos longos e chutões, muitas vezes sem condições favoráveis para disputar a segunda bola.
A pressão alta, outra característica importante do estilo de Alonso, não funcionou com a regularidade esperada. O time da casa tentou recuperar a posse em campo adversário, mas nem sempre conseguiu coordenar os movimentos dos jogadores.
Quando a primeira linha de defesa era superada, o Tottenham encontrava espaços para avançar e furar a marcação. A equipe de Roberto De Zerbi, assim, conseguia escapar da pressão e manter suas jogadas, expondo as dificuldades coletivas do Chelsea.
Erro de Penders e expulsão de Palmer agravaram problemas que já existiam
Palmer durante Chelsea 0 x 2 Tottenham (Foto: John Patrick Fletcher / Action Plus / IMAGO)
A leitura de jogo de Xabi Alonso pode ser considerada o aspecto mais questionável da derrota.
Diante de um Tottenham que controlou a posse de bola durante boa parte do primeiro tempo, o treinador manteve sua estrutura inicial após o intervalo, sem realizar mudanças imediatas que pudessem alterar a dinâmica do jogo. Embora os ajustes tenham chegado, o adversário já havia passado um tempo significativo controlando a partida em condições favoráveis.
Entretanto, isso não quer dizer que o Chelsea estivesse totalmente dominado ou que a derrota fosse inevitável. O primeiro tempo terminou sem gols, e os mandantes também conseguiram criar algumas chances para ameaçar o gol defendido por Kinsky. O ponto é que, mesmo com o placar empatado, havia indícios de que a equipe necessitava melhorar sua ocupação dos espaços, conectar melhor o meio-campo com o ataque e encontrar formas mais consistentes de escapar da pressão adversária.
Aos 31 minutos do segundo tempo, a falha de Penders alterou o cenário do jogo. Após uma cobrança de escanteio, o goleiro errou na saída e acabou marcando um gol contra. Esse erro individual foi grave, capaz de desestabilizar qualquer equipe, especialmente em um clássico equilibrado. Logo depois, a expulsão de Palmer complicou ainda mais a situação do Chelsea, e Mathys Tel aproveitou os espaços para marcar o segundo gol dos visitantes.
É preciso reconhecer o impacto desses eventos. O gol contra colocou os Spurs em vantagem, enquanto a expulsão restringiu as possibilidades de reação dos mandantes. No entanto, ambos os episódios ocorreram em um jogo no qual o Chelsea já lutava para controlar o meio-campo, construir jogadas e conter a progressão do adversário. Esses lances apenas agravaram problemas que já estavam presentes.
Além disso, uma questão defensiva relevante que não pode ser ignorada são os oito gols sofridos pelo Chelsea em jogadas de bola parada na Premier League. Uma sequência desse tipo exige atenção e um trabalho específico. A responsabilidade não recai apenas sobre o goleiro ou os jogadores envolvidos em cada lance, mas também diz respeito ao posicionamento, à organização coletiva, à definição de marcações e à execução. Cabe à comissão técnica encontrar soluções.
A análise não deve transformar uma derrota em uma sentença definitiva sobre o trabalho de Xabi Alonso. O treinador deve ser reconhecido quando suas ideias funcionam, suas substituições mudam o rumo da partida ou seu planejamento oferece vantagens à equipe. Com o mesmo critério, ele também precisa ser responsabilizado quando as escolhas iniciais não trazem o resultado esperado e as correções demoram a produzir efeito.
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