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Nos anos 2010, o PSG implementou um contrato de ética para seus jogadores, sendo que Neymar recebia cerca de 375 mil euros (R$ 2,24 milhões) anualmente como bônus por cumprir essa exigência. Essa cláusula, que foi revelada pelo “Football Leaks”, determinava que os atletas do clube deveriam "cumprimentar e agradecer os torcedores antes e depois de cada jogo".
Esse é apenas um exemplo entre diversas cláusulas inusitadas que clubes e jogadores negociaram e que foram trazidas à tona pelo projeto. Jogadores como Samuel Eto'o e Keisuke Honda, que atuou no Botafogo, também exigiram certos privilégios. O polêmico Mario Balotelli, por sua vez, teve uma cláusula que o recompensava caso ele não cuspisse em ninguém.
Proteções e pedidos de jogadores
O bônus atrelado à ética não era um privilégio exclusivo do PSG e frequentemente causa estranheza fora do universo do futebol. No Barcelona, por exemplo, Neymar decidiu incluir amigos nas suas vivências: o clube financiava as viagens de seus amigos do Brasil para visitá-lo a cada duas semanas. Samuel Eto'o, enquanto jogava no Anzhi entre 2011 e 2013, conseguiu um jatinho particular para realizar a rotina diária de deslocamento entre Moscou e Makhachkala.
O japonês Keisuke Honda requisitou um carro blindado por não se sentir seguro quando chegou ao Botafogo em 2020. Da mesma forma, o meia congolês Rolf-Christel Guié-Mien negociou aulas de culinária para sua esposa durante seu período no Eintracht Frankfurt, que se estendeu de 1999 a 2002.
Roberto Firmino, quando defendia o Liverpool (Foto: PA Images/Icon Sport)
Os dirigentes também demonstram criatividade em suas negociações. Em janeiro de 2018, o Liverpool concordou em vender Philippe Coutinho ao Barcelona por cerca de 160 milhões de euros, mas incluiu uma cláusula: caso os catalães contratassem outro jogador do Liverpool antes de 2020, teriam que pagar mais 100 milhões de euros. Essa foi uma maneira de desencorajar o Barça a buscar novos reforços em Anfield.
Roberto Firmino tinha uma cláusula de rescisão de 98 milhões de euros em seu contrato com o Liverpool, no entanto, o Arsenal foi excluído dessa possibilidade. O jogador brasileiro acabou se transferindo para o Al-Ahli, da Arábia Saudita, de graça em 2023.
O Manchester United previu uma cláusula que permitia a saída sem custos no empréstimo de Radamel Falcao, caso o jogador colombiano tivesse novos problemas no joelho. Ele era do Monaco e passou um ano no Old Trafford entre 2014 e 2015. Além disso, o Arsenal teria que pagar uma quantia adicional ao Southampton toda vez que Alex Oxlade-Chamberlain jogasse pelo menos 20 minutos em uma partida.
Jogadores sob a supervisão de cláusulas
Messi é o maior ídolo do Barcelona. Foto: IMAGO / Jan Huebner
Mario Balotelli poderia aumentar seu salário em um milhão de libras por temporada no Liverpool, caso evitasse expulsões por conduta violenta, xingamentos ou cuspidas. O contrato de Neil Ruddock no Crystal Palace estabelecia multas se ele ultrapassasse o peso. Lionel Messi teve que se comprometer a se integrar à sociedade e à cultura catalãs durante seus primeiros anos no Barcelona.
Em 1992, o Liverpool proibiu o sueco Stig Inge Bjornebye de esquiar, esporte que praticava desde pequeno em virtude da influência de seu pai, que participou dos Jogos Olímpicos. A respeito de Luis Suárez, a imprensa britânica chegou a mencionar uma cláusula antimordida após sua chegada ao Barcelona em 2014, mas essa informação foi desmentida pelo então presidente Josep Maria Bartomeu.
Dennis Bergkamp, que tinha medo de voar, conseguiu um acordo que o isentava de determinados deslocamentos longos enquanto jogava pelo Arsenal, clube que defendeu de 1995 a 2006. No Sunderland, o meia Stefan Schwarz possuía uma cláusula relacionada ao seu sonho de viajar ao espaço. O sueco expressou o desejo de deixar a Terra assim que fosse viável, e o clube inglês garantiu que isso não aconteceria durante quatro anos, entre 1999 e 2003.
Por fim, o alemão Giuseppe Reina solicitou ao Arminia Bielefeld, onde jogou de 1996 a 1999, uma casa construída para cada ano que permanecesse no clube. A diretoria atendeu ao pedido, mas com uma condição inusitada: as três casas prometidas eram feitas de Lego.
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