Estadão Rondônia - Sua fonte de notícias na cidade de ...

Domingo, 26 de Abril de 2026

Mundo

Conheça a guabiroba, a potência nativa que é aliada da saúde metabólica

Pesquisa indica que compostos antioxidantes do fruto resistem à digestão e podem atuar no controle glicêmico e do colesterol

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Conheça a guabiroba, a potência nativa que é aliada da saúde metabólica
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Da mesma família da goiaba, a guabiroba esbanja vitaminas, sais minerais e fitoquímicos. Esse mix tem potencial de blindar as artérias, com impactos positivos no equilíbrio glicêmico e na redução do risco de males cardiovasculares e diabetes. A espécie tem sido analisada por pesquisadores da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), que também estudam outros frutos nativos da Mata Atlântica, caso da jabuticaba, da pitanga e do araçá.

“Entre os destaques da guabiroba estão os fenólicos, sobretudo os flavonoides”, conta a engenheira de alimentos Aniela Kempka, professora da Udesc e líder do grupo por trás de um artigo publicado em 2025 no periódico Foods. Por meio de simulação do processo digestivo no laboratório, os cientistas avaliaram o comportamento dessas e demais substâncias vindas tanto do fruto quanto das folhas. “Vários desses compostos permaneceram acessíveis após a digestão simulada”, revela Kempka.

Significa que os efeitos benéficos se mantêm no organismo. Os ácidos clorogênico, gálico, cafeico e elágico, além do kaempferol, da quercetina e da miricetina, são exemplos de fenólicos da guabiroba. Todos apresentam ação antioxidante e há evidências de atuação anti-inflamatória, o que resguarda as artérias.

Publicidade

Leia Também:

Leia Mais

  • Bromélias enriquecem o solo e promovem a diversidade de plantas na floresta

    Bromélias enriquecem o solo e promovem a diversidade de plantas na floresta

  • Suco de laranja é aliado da saúde cardiovascular, aponta estudo

    Suco de laranja é aliado da saúde cardiovascular, aponta estudo

  • Abacate pode ajudar no equilíbrio do colesterol, aponta estudo

    Abacate pode ajudar no equilíbrio do colesterol, aponta estudo

Os pesquisadores também prepararam um tipo de biscoito com o extrato da espécie (folhas e frutos), que foi oferecido a cães e, entre os achados, observou-se que o alimento age no controle glicêmico, ajudando a modular as taxas de açúcar na circulação. “Ocorreu ainda a redução dos níveis de colesterol total”, comenta a pesquisadora.

Tais resultados confirmam indícios, encontrados na literatura científica, de que os flavonoides atuam em prol da saúde metabólica. Contudo, análises em humanos seriam necessárias para confirmar esses achados.

Descobrindo o fruto nativo

“A guabiroba é uma espécie ainda pouco explorada, seja para a alimentação no dia a dia, seja para o desenvolvimento de alimentos funcionais”, afirma a nutricionista Ana Paula Dorta de Freitas, do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia Iris Rezende Machado (HMAP), gerido pelo Einstein Hospital Israelita. Investigar ingredientes nativos amplifica o repertório alimentar, fortalece cadeias produtivas locais e contribui para modelos de produção sustentáveis. “Trata-se de algo estratégico em differentes perspectivas: científica, nutricional, econômica ou ambiental”, analisa Freitas.

Dietas monótonas reduzem a exposição a diferentes micronutrientes e compostos bioativos. “Quando ampliamos a variedade de frutas, verduras, legumes, entre outros alimentos, há o aumento no consumo de fibras, antioxidantes e fitoquímicos, o que impacta positivamente a microbiota intestinal, o metabolismo e a saúde em longo prazo”, observa a nutricionista.

Além dessas substâncias, análises da Embrapa Florestas revelam que a guabiroba esbanja vitamina C, a aliada da imunidade; minerais como o potássio, que favorece a pressão arterial; e ainda carotenoides, grupo de pigmentos com potente ação antioxidante. Inclusive, são eles os responsáveis pela cor amarela do fruto.

Não confunda

A Campomanesia xanthocarpa, nome científico da fruta estudada pelos cientistas da Udesc, é encontrada predominantemente nas regiões Sul e Sudeste. Cresce em árvores de grande porte, que ultrapassam 15 metros de altura. Já a gabiroba-do-campo, ou guavira (Campomanesia adamantium), é um arbusto com cerca de dois metros de altura, comum no bioma do Cerrado.

Ambas as espécies oferecem frutinhos amarelos, doces e supernutritivos, que fazem sucesso na versão in natura e incrementam preparações doces — como geleias, compotas, sorvetes e sucos — e salgadas em forma de molhos para carnes.

Mas existe ainda a guariroba ou gueroba, que apesar da nomenclatura parecida, é totalmente diferente. Trata-se da Syagrus oleracea, uma palmeira oriunda do Cerrado que aparece em parte do Sudeste e Nordeste. Oferece um palmito de textura firme e gosto puxado para o amargo, utilizado em saladas e no famoso empadão goiano. Dessa palmeira também é extraída uma amêndoa usada em sobremesas. Por toda a riqueza nutricional e pelo sabor, vale a pena conhecer todas elas.

Veja por que você não deve excluir frutas da sua alimentação

FONTE/CRÉDITOS: flavioismerim
Comentários:

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!