As ligações entre Jaques Wagner e o caso Master transformaram-se em um teste de blindagem para a pré-campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nos bastidores, cresce a pressão para que o senador deixe a liderança do governo no Senado, diante do receio de que o escândalo contamine o projeto eleitoral do PT (Partido dos Trabalhadores) em um momento considerado de alta para o partido.
Ao contrário do que esperavam parte do PT e auxiliares do presidente, Jaques Wagner não renunciou ao cargo. Até mesmo petistas mais próximos defendem que ele preste explicações mais detalhadas sobre as suspeitas levantadas após a operação da PF (Polícia Federal) que o teve como alvo. Novas conversas entre o senador e Lula são esperadas até o início da próxima semana.
Lideranças do PT articulam uma estratégia construída em três frentes para conter eventuais danos ao presidente. A primeira é reforçar que a disputa eleitoral se dá entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula, e não entre Flávio Bolsonaro e Jaques Wagner.
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A segunda é explorar as diferenças entre as relações de Flávio Bolsonaro e de Jaques Wagner com Daniel Vorcaro — o PT pretende lembrar que o filho do ex-presidente visitou o empresário, trocou áudios com ele, pediu dinheiro e, inicialmente, negou ter proximidade com o ex-banqueiro.
A terceira frente é transformar a própria operação em argumento político: segundo o PT, a investigação contra um dos principais aliados do presidente serviria como demonstração de que a Polícia Federal atua sem interferência do Palácio do Planalto.
Uma saída considerada “honrosa” por colegas seria justificada pela necessidade de Jaques Wagner se dedicar à própria defesa e à pré-campanha pela reeleição ao Senado pela Bahia. Questionado pela imprensa durante agenda em Belo Horizonte nesta sexta-feira (19), Lula não respondeu diretamente sobre a situação do aliado.
Por que Wagner ainda não saiu?
De acordo com a repórter Luciana Amaral, no WW, é preciso levar em conta a trajetória de Jaques Wagner dentro do PT para entender a resistência à sua saída. “O Jaques não é um parlamentar qualquer”, afirmou a repórter, destacando que ele foi governador da Bahia, ocupou pastas ministeriais nos governos Lula e Dilma Rousseff e é um dos fundadores do partido.
A relação entre Wagner e Lula remonta à época de atividade sindical, o que confere ao senador um nível de confiança e camaradagem diferenciado.
Além disso, a eleição na Bahia segue disputada, com Jerônimo Rodrigues (PT) tentando a reeleição ao governo estadual em acirrada disputa com ACM Neto (União Brasil), tornando o estado estratégico para Lula em âmbito nacional.
Luciana Amaral também apontou que uma troca imediata poderia ser interpretada como admissão de fragilidade ou culpa — exatamente o que o Planalto quer evitar. Outro fator é que Lula costuma resistir a tomar decisões precipitadas sob pressão externa intensa, especialmente quando envolvem figuras históricas do partido.
A repórter destacou ainda que a pressão sobre Wagner não é recente: ela já existia desde a derrota de Jorge Messias na rejeição ao STF (Supremo Tribunal Federal), e apenas se intensificou com o caso Master.
O peso político do escândalo
Para Leonardo Barreto, a situação de Jaques Wagner pode ser ainda mais grave do que a de Flávio Bolsonaro no mesmo episódio, justamente porque boa parte do processo nasceu na Bahia e porque Wagner é considerado “o cara de Lula no Congresso Nacional”.
“Se eu fosse o Jaques Wagner, eu colocaria minha barba branca de molho, porque a história não costuma ser generosa com o entorno do presidente Lula”, afirmou Barreto, lembrando casos como os de José Dirceu, João Paulo Cunha, José Genoino e Antônio Palocci.
Durante o WW, a analista e apresentadora Thais Herédia ressaltou ainda que o tema da corrupção disparou nas pesquisas ao longo deste ano, saindo de quarto ou quinto lugar entre as maiores preocupações dos brasileiros para uma ascendência acentuada nos últimos dois meses. “Como é que as campanhas vão se livrar de lidar com o tema da corrupção?”, questionou Herédia.
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