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Cristiano Ronaldo pode agora ser reconhecido como a Bola de Ouro de Todos os Tempos (BOAT, sigla em inglês). A temporada de 2008 do jogador português foi selecionada como a melhor da história em uma votação popular no site da premiação, onde competiu com vários outros jogadores que também já conquistaram o prêmio.
“O futebol pertence aos torcedores! A Bola de Ouro de Todos os Tempos também é de vocês. Obrigado a todos os torcedores ao redor do mundo”, celebrou CR7 em suas redes sociais. O icônico camisa 7 superou a temporada de 2012 de Lionel Messi e seu próprio ano de 2017. A revista “France Football”, responsável pela premiação, deixou claro que não se trata de uma homenagem oficial.
Apesar das críticas ao modelo de votação — onde cada usuário poderia votar quantas vezes quisesse após pagar um euro para se inscrever no site –, a Trivela fez uma pesquisa nos dados e declarações daquela época para analisar a temporada 2007/08 do jogador, que ainda não possuía a imagem de máquina física que se tornaria no Manchester United.
Cristiano Ronaldo era mais ‘mágico' e menos efetivo em 2008
O ano de 2008 foi um divisor de águas na carreira de Cristiano Ronaldo. Ele já estava no Manchester United desde 2003, tinha conquistado o bicampeonato inglês (sendo eleito o melhor jogador na edição de 2006/07) e acumulado troféus locais, além de ter aumentado sua contagem de gols ano após ano. No entanto, em 2007/08, ele se estabeleceu definitivamente como um goleador prolífico e um dos atletas mais decisivos da história.
Na sua temporada considerada a “melhor Bola de Ouro da história”, Ronaldo fez 42 gols, maior marca de sua carreira até aquele momento — seu recorde anterior era de 24 gols —, sendo 31 apenas na Premier League, onde estabeleceu um recorde em uma liga com 20 times, o que lhe garantiu a primeira de suas quatro Chuteiras de Ouro.
CR7 se destacou como o maior estrela na conquista do Campeonato Inglês, com atuações memoráveis, incluindo o primeiro hat-trick pelo clube contra o Newcastle e o famoso gol de falta com a batida “folha seca” contra o Portsmouth. Na Champions League, o português também foi o artilheiro da competição, com oito gols, deixando sua marca nas oitavas, quartas e na final, sempre sendo decisivo.
Entretanto, o que realmente impressionava na versão de Cristiano dessa época não eram só os gols. Ele atuava como ponta por ambos os lados, especialmente pelo direito, e sua velocidade e habilidade em driblar eram suas principais características para superar os defensores. Fintas, pedaladas, rápidas mudanças de direção e um repertório extenso de dribles atormentavam as defesas adversárias.
“Não será o último prêmio que ele vai ganhar”, previu Bobby Charlton, ídolo do Manchester United, na época. “Ele é um jogador incrível, muito acima de qualquer outro no ano passado. […] Ele pode continuar a ser um jogador extraordinário pelos próximos dez anos. Quando a equipe enfrenta dificuldades, ele tem o poder de decidir uma partida com um único lance de habilidade”.
Cristiano Ronaldo com a Bola de Ouro de 2008 (Foto: IMAGO / Newscom World)
“Ele tem apenas 23 anos. Seus melhores anos ainda estão por vir”, afirmou Sir Alex Ferguson, técnico do United na época. “Na vida, existem duas categorias de pessoas. Aqueles que alcançam seu objetivo e vão dormir dizendo a si mesmos: ‘Consegui’. E aquelas que são movidas pela vontade, pelo desejo de continuar. Quando essas pessoas ganham um troféu, dizem a si mesmas: ‘Vou em frente’… Ronaldo tem essa chama dentro de si.”
Para os que apreciam a essência subjetiva do futebol e não focam apenas nos números, esta pode ser a melhor versão de CR7. Mas, em termos de estatísticas e decisividade, não chega perto do que ele alcançou em outros momentos.
CR7 registrou temporadas mais artilheiras depois
Em oito temporadas distintas, Cristiano Ronaldo ultrapassou os 42 gols que anotou em 2007/08, a maioria delas durante seu tempo no Real Madrid, onde jogou de 2009 a 2018. Esses números ilustram a transição do ponta driblador e veloz para uma máquina de fazer gols como centroavante e decisor em finais.
Ele nem sempre apresentou o mesmo brilho que teve no Manchester United, sendo impactado a partir de meados de 2014 por uma tendinose no joelho, uma lesão crônica e degenerativa que limitava sua capacidade de movimento e causava rigidez. Seus dribles e explosões curtas se tornaram mais desafiadores.
Na temporada 13/14, Cristiano teve a sua melhor atuação na Champions, marcando 17 gols, um recorde que permanece até hoje em uma única edição, com muitos gols memoráveis, especialmente dois: um contra o Galatasaray, após pedaladas, e outro em falta por baixo da barreira contra o Bayern na semifinal.
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Ainda existem as versões “imparáveis” do tri europeu consecutivo entre 2016 e 2018, quando o atacante foi eleito duas vezes o melhor do mundo e se consolidou como o maior artilheiro e assistente da história da Liga dos Campeões.
Cada fã de Cristiano Ronaldo possui uma temporada que o marcou por alguma razão. Sendo um dos maiores da história, ele conta com vários anos passados que poderíamos considerar como os melhores de sua carreira. A votação popular elegeu 2007/08, mas muitos outros anos poderiam ser lembrados.
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