As expectativas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de aliados em relação à gestão de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central (BC) foram frustradas ao longo de quase um ano no comando da autoridade monetária. Nomeado para liderar o BC em janeiro de 2025, Galípolo — inicialmente visto como um quadro técnico promissor — passou a enfrentar críticas internas do governo devido à manutenção da taxa básica de juros (Selic) em patamar elevado e à percepção de distancia entre a política monetária e os objetivos políticos do Planalto.
Quando assumiu a presidência do Banco Central, Galípolo vinha de destacado papel no setor financeiro, tendo sido diretor de Política Monetária da autarquia e exercido funções relevantes na área econômica durante a campanha eleitoral de 2022. Apesar de não ser filiado ao PT, mantinha relações de longa data com o partido e chegou a ser chamado pelo presidente Lula de “menino de ouro”, expressão que refletia a confiança inicial depositada em sua gestão técnica.
Ao longo de 2025, no entanto, a atuação de Galípolo mostrou continuidade com a prática de política monetária rigorosa adotada antes de sua gestão, priorizando o combate à inflação e a credibilidade técnica do BC. Em contraposição, aliados do governo passaram a questionar a manutenção da Selic em níveis elevados — atualmente em 15% ao ano —, mesmo diante de sinais de desaceleração inflacionária e crescimento econômico moderado.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, chegou a criticar publicamente a decisão de manter a Selic em 15%, classificando-a como “deixou a desejar”. Parlamentares petistas também externaram descontentamento, com declarações duras sobre o nível dos juros.
Análises técnicas das atas do Comitê de Política Monetária (Copom) mostram que o BC, sob comando de Galípolo, reforçou a visão de que a sustentabilidade da dívida pública e conflitos fiscais estruturais podem elevar a taxa de juros neutra da economia, dificultando cortes mais agressivos da Selic. A interpretação dos membros do colegiado tem focado em manter a credibilidade da política monetária diante de incertezas econômicas, sobretudo no mercado de trabalho e em segmentos de serviços que pressionam índices de inflação.
Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que essa postura técnica, embora preserve a autonomia do Banco Central, acaba destoando das expectativas políticas do governo Lula, que em diversos momentos defendeu a redução mais rápida dos juros como forma de estimular o crescimento econômico. Esse descompasso tem frustado parte da base governista, que esperava uma condução mais alinhada às pressões fiscais e sociais.
O desempenho de Galípolo no Banco Central, portanto, revela as tensões entre a manutenção da autonomia técnica da política monetária e os imperativos políticos e econômicos de um governo em busca de respostas mais imediatas às demandas macroeconômicas.
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