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Domingo, 23 de Agosto de 2026

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Decisivo, Sudeste vira palco dos presidenciáveis na 1ª semana de campanha

Região que concentra os três maiores colégios eleitorais do país foi ponto de convergência para candidatos à Presidência divulgarem candidaturas, planos de governo e refiorçarem alianças estratégicas

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Decisivo, Sudeste vira palco dos presidenciáveis na 1ª semana de campanha
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Na primeira semana oficial das campanhas eleitorais, a grande maioria dos candidatos à Presidência da República investiu em agendas no Sudeste, onde estão os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A única exceção à estratégia foi Renan Santos (Missão), que apostou em compromissos pelo Nordeste, reduto tradicionalmente petista.

Ainda no domingo (16), primeiro dia que a propaganda eleitoral foi permitida, de acordo com as regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), os presidenciáveis decidiram lançar suas campanhas em seus respectivos berços políticos.

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Lula resgata raiz metalúrgica e social

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu o estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, para o ato oficial de abertura da sua campanha à reeleição. O município do ABC paulista foi onde ele cresceu como líder sindical dos metalúrgicos ainda no final dos anos 1970 e, não à toa, imagens daquela época foram projetadas no telão durante o evento.

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Ao longo da semana, Lula passou pelo Amapá e pelo Rio Grande do Norte, mas na sexta-feira (21) embarcou para Minas Gerais, onde cumpriu agendas em Governador Valadares e Belo Horizonte.

Na capital mineira, Lula subiu ao palanque na Praça da Estação, endereço historicamente ligado às manifestações políticas dos movimentos sociais de esquerda, para lançar a campanha de Patrus Ananias (PT) ao governo de Minas.

Mais cedo, Lula tinha conversado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o tarifaço imposto contra o Brasil – o tema tem sido um tópico constante nos discursos e falas públicas do petista nos últimos meses.

“Falei: Trump, em setembro tem a reunião da ONU. Convida o Xi Jinping e o Putin para sua casa. Ele tem uma casa de golfe, acho que em Miami. Convida os caras para sua casa, toma um trago e vamos procurar um jeito de fazer paz. O mundo tá precisando de paz, não de guerra”, relatou Lula, em Belo Horizonte.

Já no sábado, o presidente participou de um comício em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, para lançar oficialmente a candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao governo fluminense e as de Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD) ao Senado. Ao eleitorado carioca, Lula focou seu discurso em propostas para a Segurança Pública e combate ao crime organizado.

“Nós vamos tirar o bandido do território de vocês, vamos devolver o território ao povo do Rio de Janeiro. Não vamos matar 100 ou 200, vamos dizer que prendemos. E dizer ‘a rua é do povo, não dos bandidos’.”

Flávio aposta em périplo por redutos bolsonaristas

No primeiro dia da campanha, o senador Flávio Bolsonaro (PL) convocou um ato na Praia de Copacabana, no Rio, tradicional palco e ponto de encontro do bolsonarismo. Com um ato esvaziado na Avenida Atlântica, ele deu o pontapé em sua campanha com um discurso de combate à corrupção, ataques ao presidente Lula e reforço da ideia de que sua candidatura pretende “resgatar o Brasil”.

No dia seguinte, Flávio continuaria a campanha com uma motociata em Juiz de Fora, na zona da mata mineira. A cidade é emblemática e de importância histórica e simbólica para o eleitorado bolsonarista por ter sido onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi vítima de uma facada, em 6 de setembro de 2018.

A agenda entretanto foi cancelada por condições meteorológicas, segundo um comunicado enviado pela sua campanha. Ainda assim, ele foi a Belo Horizonte na terça-feira (18) e, ao lado de Flávio Roscoe (PL), candidato ao governo de Minas, e do deputado Nikolas Ferreira (PL), o senador frisou que “quem vence em Minas, vence no Brasil”.

“O povo quer a mudança, e a mudança vai começar aqui por Minas Gerais, porque quem vence em Minas, vence no Brasil. E aí a gente tem o melhor time aqui em Minas, como nunca antes tivemos na nossa história, pra mostrar o melhor projeto. […] Então, o Brasil vai mudar, vamos começar por Minas Gerais”, afirmou o candidato.

Na quinta-feira (20), Flávio fez sua primeira incursão pela capital paulista desde o início oficial da campanha. Ao lado do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador passeou por bairros periféricos da zona leste de São Paulo em uma tentativa de avançar sua popularidade entre eleitores baixa renda, estrato que tradicionalmente compõe a base do PT (Partido dos Trabalhadores).

A estratégia de montar uma imagem de apelo popular continuou no dia seguinte, quando Flávio fez comícios em Nova Iguaçu e Duque de Caxias, territórios da Baixada Fluminense que são estratégicos para ampliar o alcance do senador na região metropolitana do Rio, uma vez que Eduardo Paes, candidato da oposição ao governo, tem liderado com folga as pesquisas de intenção de voto.

Na manhã deste sábado (22), Flávio participou do lançamento oficial das campanhas de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio e de Eduardo Pazuello (PL) ao Senado, focando mais uma vez seu discurso no combate ao crime: “O bandido vai ser tirado de circulação, em pé ou deitado, porque quem tem que andar sem medo na rua somos nós”.

Caiado espalha a palavra da terceira via

Depois de governar Goiás por dois mandatos e largar o posto com uma aprovação de quase 85%, Ronaldo Caiado (PSD) obviamente não poderia ter escolhido outro lugar para lançar sua campanha e passou o domingo (17) em uma série de carreatas por municípios goianos no entorno do Distrito Federal.

Nos dias seguintes, o ex-governador passou a semana entre Brasília e São Paulo, indo a sabatinas, reuniões com economistas e representantes do agronegócio, além de participar do lançamento de candidaturas do PSD pelo interior paulista.

Pelas agendas, Caiado apresentou seu plano de governo e seguiu defendendo sua aposta de que os brasileiros eventualmente vão se cansar da polarização de uma “eleição de rejeitados”, como ele tem dito nas últimas semanas, e mudou de opinião sobre o fim da escala de trabalha 6×1, inicialmente classificada por ele como “medida eleitoreira de Lula”.

“Sou a favor (da redução de jornada). O Brasil precisa respeitar quem gera emprego e o empregado. Aceito a redução para o 5×2”, disse durante entrevista ao SBT.

Apesar da concentração de esforços no eleitorado paulista, Caiado já tem planos de visitar uma comunidade periférica no Rio de Janeiro. Como a CNN adiantou, o ex-governador de Goiás entende que, por ter na Segurança Pública a sua principal bandeira política, é importante fazer com que o eleitorado carioca ouça e se identifique com suas propostas.

Zema se concentra em corpo-a-corpo na metrópole

Com menos mobilidade que seus adversários, Romeu Zema (Novo) concentrou a sua primeira semana de campanha em São Paulo. Na capital paulista, ele trabalhou em aumentar o reconhecimento da sua candidatura em um corpo-a-corpo com setores alinhados às pautas da sua candidatura.

Zema foi dos bairros e áreas nobres, como Jardins e Consolação, aos centros populares, como a 25 de Março e a Feira de Guaianases. A estratégia do mineiro tem sido levar sua campanha às ruas e falar “com o povo de verdade”, mostrando-se como um homem simples e repetindo o tom das suas duas campanhas bem-sucedidas ao governo de Minas Gerais.

Nesse corpo-a-corpo por São Paulo, Zema promoveu encontros que pudessem ampliar suas pautas e com aposentados vítimas do golpe do INSS, motoboys, empreendedores e mulheres que tiveram familiares vítimas de jogos de apostas. Em Guaianazes, por exemplo, o objetivo era promover “uma ação para falar da inflação de alimentos” e, assim, manter a ideia de que é um candidato “de fora”.

“Hoje, temos governo pró-bilionário. Quem tem dinheiro aplicado nada de braçada no Brasil. Quem tem dívida está morrendo”, afirmou.

Renan Santos começa na contramão

Renan Santos (Missão) foi o único presidenciável que arriscou promover agendas eleitorais fora do Sudeste ao longo da semana e, entre quarta e quinta-feira, participou de atos na Paraíba e em Alagoas, redutos tradicionalmente petistas.

Entretanto, quando voltou a São Paulo, Renan também fez questão de acenar aos eleitorados jovem e de baixa renda. Na sexta-feira (21), ele participou de um “panfletaço” com apoiadores na Universidade Presbiteriana Mackenzie e, na manhã do sábado, foi ao Jardim Panorama, na zona leste, para lançar o “Marco da Desfavelização”.

Vestindo colete à prova de balas, Renan passeou pela comunidade e apresentou a proposta de investir entre R$ 1,3 e R$ 1,5 trilhão na “desfavelização”, com melhoras em moradia, regularização de imóveis e acesso a serviços essenciais.

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FONTE/CRÉDITOS: leticiamoreira
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