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O excelente início de temporada de Douglas Luiz atingiu seu ponto alto no último domingo (25), quando o brasileiro fez seu primeiro gol e deu uma assistência pela Juventus, após mais de dois anos no clube. Porém, o volante tem se destacado em uma função mais próxima à que Carlo Ancelotti o enxerga, conforme explicado na convocação de setembro, seu primeiro chamado à seleção brasileira desde 2024.
No início da temporada, o atleta de 28 anos atuava predominantemente como segundo volante, com liberdade para avançar devido à presença posicional de Manuel Locatelli.
No entanto, com a lesão do colega de meio, o papel do meio-campista passou a se assemelhar mais ao de um “camisa 5”, primeiro volante, exatamente como o técnico da Seleção definiu ao falar sobre suas características. “É um volante posicional”.
O fato de Douglas estar atuando nessa função é um ponto positivo para suas aspirações de Seleção, mesmo que ele tenha ficado de fora da última convocação.
Técnico da Juventus explica mudança que fez Douglas Luiz retomar bom futebol
‘Douglas Luiz é um organizador de alto nível', elogia técnico da Juventus
Nas três primeiras rodadas da Serie A, jogando ao lado de Locatelli, o brasileiro teve uma presença muito significativa no ataque, com média de 72 ações com a bola, e 78% de passes certos (138 de 176) no campo adversário, conforme dados do “Sofascore”. A posição mais avançada, distante da saída de bola com os zagueiros, é confirmada pelo mapa de calor desses jogos iniciais.
Mapa de calor de Douglas Luiz em Frosinone x Juventus (Foto: Sofascore)
No entanto, nas últimas partidas, sua participação teve alterações. Comumente na frente de uma linha de três, ele se tornou o volante mais fixo — posicional, conforme apontado por Ancelotti —, liderando os ataques e atuando ao lado de Teun Koopmeiners à esquerda e Weston McKennie à direita. No último jogo contra o Genoa, na quarta-feira (28), teve Pape Matar Sarr ao seu lado.
Nos três jogos mais recentes, sua média de toques na bola foi superior a 82. A maior parte dos seus 203 passes tentados foi no campo adversário, 131, favorecida pela participação aumentada dos zagueiros na saída de bola, mantendo um equilíbrio com 72 toques no próprio campo.
— Eu tenho um organizador de jogo de alto nível, e bons organizadores tornam a vida do treinador menos complicada. Douglas Luiz é um jogador que se relaciona bem com os companheiros e é generoso — elogiou o técnico Luciano Spalletti em 10 de outubro.
Mapa de calor de Douglas Luiz em Lecce x Juventus (Foto: Sofascore)
Na vitória por 2 a 0 contra o Lecce, no fim de semana anterior, o brasileiro mostrou sua melhor versão, com quase 100 ações com a bola, assistência em falta cobrada de forma precisa para McKennie e um gol em um chute cruzado de fora da área.
— Douglas Luiz fez uma partida importante, lutou e resolveu várias situações. Ele sabe jogar, conseguindo soltar a bola mais rapidamente, sem a necessidade de tocar quatro ou cinco vezes. Tem visão, cabeça e técnica — destacou Spalletti.
O jornal “Gazzetta dello Sport” dedicou uma matéria exclusivamente ao volante, ressaltando que ele recordou a versão de “dois anos e meio atrás”, quando se destacou no Aston Villa “em qualquer função, desde a organização do jogo até o último passe, passando por infiltrações”.
— A tranquilidade permite a Douglas administrar bolas difíceis com uma calma surpreendente. Contudo, quando ele consegue fazer as jogadas fluírem antecipadamente, como ocorreu no domingo, a dinâmica muda: é possível passar para o ‘rock ‘n' roll' — completa a análise do jornalista Matteo Nava.
Douglas Luiz em Lecce 0 x 2 Juventus
- 95 ações com a bola (líder entre todos os jogadores)
- 65 passes certos (líder)
- 2 passes decisivos (líder junto de quatro adversários)
- 6 lançamentos certos (2º junto de Wladimiro Falcone)
- 3 duelos aéreos ganhos (3º junto de quatro jogadores)
- Eleito o melhor em campo
Fonte: “Sofascore”
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— Lega Serie A (@SerieA) October 26, 2026
Entretanto, o técnico da Juventus fez uma observação sobre sua atuação: “o brasileiro tem o hábito de jogar em um ritmo lento”.
— O futebol é diferente: você toca a bola duas vezes e já a solta. Essa é uma qualidade que ele possui. Não podemos nos restringir a jogadas curtas, próximas, sem dar verticalidade às jogadas ou mudar o lado do campo. Ele tem habilidade para isso. Vocês viram a cobrança de falta que originou o primeiro gol? É necessário ter qualidade técnica para fazer aquilo.
Essa dificuldade de ritmo foi um fator que contribuiu para a derrota contra o Genoa, 2 a 0, na última semana. O volante exagerou nos passes laterais, não conseguiu ditar o ritmo e não defendeu bem a entrada na área.
Ser mais dinâmico pode assegurar a consolidação de Douglas Luiz como primeiro volante e revelar mais a versão que Ancelotti o vê.
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