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Na semana passada, o Paris Saint-Germain deixou claro seu domínio na Europa ao derrotar o Manchester City por 4 a 2 no Etihad Stadium. Com isso, o time de Luis Enrique, que já é bicampeão da Champions League, busca um feito que não ocorre desde 2018, quando o Real Madrid conquistou o troféu por três vezes consecutivas.
Durante grande parte do primeiro tempo, ficou evidente que encontrar uma forma de parar o PSG continua sendo um dos maiores desafios do futebol europeu. O time parisiense começou a partida com um impressionante 3 a 0, controlou as ações e aplicou seu jogo com pressão alta, movimentos variados e respostas rápidas após a recuperação da bola.
No entanto, o segundo tempo trouxe uma nova dinâmica: mesmo com a derrota, o City conseguiu momentos nos quais transformou o jogo e expôs falhas que provavelmente Arsenal, Bayern, Barcelona e outros concorrentes estarão atentos.
Por que o PSG continua sendo o time a ser batido
A força do Paris Saint-Germain reside menos na dependência de uma única estrela e mais na maneira como o coletivo consegue criar oportunidades. Os jogadores se movimentam rapidamente, ocupam diferentes posições a cada jogada e tentam recuperar a bola poucos segundos após a perderem. Assim, o PSG abriu uma vantagem de três gols e demonstrou novamente no Etihad por que é o dominante na Champions nos últimos anos.
O desafio para os adversários é que não basta neutralizar um atacante. Quando um jogador recua, outro se posiciona para atacar em profundidade. Quando a primeira linha da defesa do City conseguia escapar da pressão, o PSG rapidamente reorganizava sua defesa.
A profundidade do elenco aumenta esse poder de atuação. No jogo em Manchester, João Neves e Khvicha Kvaratskhelia começaram no banco, permitindo que Luis Enrique mantivesse sua estratégia de jogo.
A saída de Bradley Barcola para o Liverpool foi um desafio, mas o PSG conseguiu absorver essa perda. Na mesma rodada, Barcola mostrou seu talento ao marcar três gols contra o LASK. Contudo, mesmo sem ele, o PSG manteve sua estrutura e variedade no ataque.
Marc Guéhi durante Manchester City x PSG pela Champions League. O City perdeu por 4 a 2o. (Foto: Steve Flynn/IMAGO / Every Second Media)
A pista que o City deixou para os rivais
A dinâmica da partida começou a mudar após o intervalo. O Manchester City aumentou a intensidade, passou a atacar de maneira mais direta e forçou o PSG a um tipo de partida menos confortável.
Erling Haaland balançou as redes duas vezes, e a equipe inglesa conseguiu gerar mais finalizações e um volume ofensivo superior ao dos franceses. Embora não tenha sido suficiente para reverter a situação, isso evidenciou onde podem surgir fragilidades.
A pressão do PSG exige que seus atletas avancem longas distâncias para sufocar o oponente. Quando essa primeira linha de pressão é superada, surgem espaços nas linhas defensivas. O City conseguiu explorar exatamente esses momentos ao acelerar o jogo antes que o PSG tivesse tempo de se reorganizar.
Ayyoub Bouaddi em ação pelo Manchester City. (Foto: IMAGO / Pro Sports Images / Conor Molloy)
O verdadeiro desafio está em resistir ao que vem antes. Um adversário que busca explorar esse espaço precisa, antes de tudo, suportar a pressão sem simplesmente devolver a bola ao PSG. O City levou 45 minutos para conseguir isso e, ao reagir, já se via em desvantagem de três gols.
O Arsenal pode conhecer melhor do que qualquer outro time a dimensão desse desafio. Os Gunners conseguiram levar o PSG aos pênaltis na final da última Champions antes de perderem o título, enquanto o Bayern também forçou o Paris a atravessar uma semifinal muito aberta.
O Barcelona representa outro tipo de ameaça. Graças à sua capacidade de manter a posse sob pressão e encontrar jogadores livres entre as linhas, pode tentar evitar que o PSG transforme cada perda de bola em uma nova onda ofensiva.
Nenhuma dessas características oferece uma solução garantida. O próprio City demonstrou os riscos: para criar mais oportunidades, precisou abrir seu jogo e, consequentemente, conceder espaços.
O PSG continua a ser a referência na Champions League, uma vez que consegue navegar nesse caos controlado melhor do que a maioria. Contudo, o segundo tempo no Etihad apresentou uma pista. Se um rival conseguir resistir à pressão inicial, tiver coragem para acelerar e encontrar espaços antes da recomposição do PSG, o bicampeão pode ser vulnerável.
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