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Terça-feira, 18 de Agosto de 2026

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Eleições e cenário fiscal afastam investidor estrangeiro

Saída de investidores na bolsa brasileira é impulsionada pela política monetária e maior aversão a risco no mercado

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Eleições e cenário fiscal afastam investidor estrangeiro
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A proximidade das eleições e o cenário de juros estão mudando a percepção dos investidores estrangeiros sobre o Brasil. Neste mês, a bolsa já registrou uma saída de cerca de R$ 15,6 bilhões em capital estrangeiro, embora o saldo acumulado no ano ainda permaneça positivo. 

O movimento ocorre em um momento de atenção redobrada ao cenário econômico brasileiro. A perspectiva de redução da taxa Selic no Brasil, combinada à possibilidade de uma trajetória diferente nos Estados Unidos, pode reduzir a atratividade dos ativos brasileiros para o investidor estrangeiro.

Para Thiago Godoy, apresentador do Resenha do Dinheiro, a movimentação recente está relacionada ao chamado diferencial de juros, que compara a remuneração oferecida pelos investimentos em diferentes países.

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“O diferencial de juros é importante porque parte do capital estrangeiro que chega ao país busca justamente a remuneração proporcionada pelas taxas brasileiras. Quando essa vantagem diminui, o investidor pode reconsiderar a exposição a um mercado considerado mais arriscado”, analisa Godoy.

Essa entrada de capital vem muito do interesse do investidor estrangeiro em ganhar o percentual de juros do Brasil. 

Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, destaca que o movimento registrado no início do ano chegou a beneficiar também o investidor brasileiro.

“O investidor estrangeiro deu um grande presente para o investidor brasileiro no começo desse ano porque tinha acumulado R$ 56 bilhões de entrada. E, com esses R$ 56 bilhões, a bolsa brasileira bateu mais de 180 mil pontos”, afirma.

Nesse cenário, a entrada de capital estrangeiro também abriu espaço para investidores brasileiros que pretendiam reduzir sua exposição à Bolsa diante da aproximação das eleições.

Marilia pondera ainda que a posterior saída dos estrangeiros também mostra que parte desse capital tinha uma estratégia mais tática, e não necessariamente uma visão de longo prazo sobre o Brasil.

“Com toda essa situação que o Brasil está enfrentando de incerteza fiscal, eleições, taxa de juros elevada, o investidor não poderia ser de longo prazo”, avalia.

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Saída de estrangeiros também afeta dólar

Além disso, a movimentação do capital estrangeiro pode influenciar o câmbio. Isso acontece porque a entrada e a saída de recursos envolvem operações de compra e venda de reais e dólares.

“O dólar está estranhamente comportado para um ano de eleições há muitos meses”, reflete Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb.

Quando o investidor estrangeiro entra no Brasil, precisa converter seus recursos para reais para comprar ativos brasileiros. Esse fluxo aumenta a demanda pela moeda local e pode contribuir para a valorização do real.

No movimento contrário, a retirada de recursos tende a aumentar a demanda por dólares.

“Para tirar dinheiro do Brasil, faz o movimento oposto: vende real e compra dólar, o que aumenta a procura por dólar, a força compradora do dólar e tende a subir”, acrescenta.

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos e Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

O Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

FONTE/CRÉDITOS: marianatokura
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