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Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

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Eleições no Peru: Fujimori tem vantagem irreversível e Sánchez questiona

Deputado de esquerda afirma que não reconhecerá vitória de candidata conservadora

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Eleições no Peru: Fujimori tem vantagem irreversível e Sánchez questiona
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A lenta apuração dos votos no Peru, com uma margem estreita entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, chegou a um ponto sem retorno na terça-feira (23), quando a vantagem da candidata da Fuerza Popular se tornou insuperável para o candidato do Juntos por el Perú.

No entanto, o líder de esquerda mantém seu protesto contra as autoridades eleitorais, alertando que não reconhecerá o resultado e convocando uma “resistência”.

Com 99,86% dos votos apurados, restam menos de 140 atas de apuração para serem contadas, aguardando decisão dos JEE (Júris Eleitorais Especiais), e contendo os votos de menos de 30 mil eleitores.

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Assim, é matematicamente impossível para Sánchez com 49,88% superar os mais de 43 mil votos que o separam de Fujimori, com 50,12%.

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Além disso, a campanha do candidato de esquerda sofreu um duro golpe com a rejeição de seus recursos solicitando a anulação dos votos do exterior, que foram cruciais para a vitória de Fujimori.

A Junta Eleitoral Central 2 de Lima declarou o recurso inadmissível por ter sido apresentado fora do prazo e as taxas correspondentes não terem sido pagas, decisão que ainda pode ser contestada.

Antes do anúncio da decisão, Sánchez alertou que, se o tribunal eleitoral não analisasse as queixas, estaria concedendo um “benefício fraudulento” para Fujimori e convocou protestos.

“Não reconheceremos esse governo e nos declararemos engajados em uma luta política e social de resistência popular e patriótica”, afirmou ele.

Controvérsia sobre a votação no exterior

O partido de Sánchez não apresentou provas de fraude, mas sustenta que uma resolução emitida pelo ONPE (Escritório Nacional de Processos Eleitorais) após o primeiro turno, que modificou os procedimentos de contagem de votos no exterior, “reduziu os padrões de segurança jurídica” para a eleição.

Segundo o partido, o candidato não rejeita os votos dos peruanos residentes no exterior, mas discorda da mudança regulamentar implementada dias antes da eleição.

Em resposta, o ONPE declarou em comunicado que a mudança no método de contagem (com a transferência das folhas de apuração em malas diplomáticas em vez de serem digitalizadas nos consulados) “é de natureza operacional e processual” e foi realizada a pedido do Ministério das Relações Exteriores.

“Não modifica a Lei Orgânica das Eleições nem contraria o princípio da inviolabilidade”, declarou o órgão.

Sánchez venceu a votação no Peru, portanto, anular as seções eleitorais no exterior, onde Fujimori, filha do falecido presidente Alberto Fujimori (1990-2000), tinha uma vantagem de mais de 80 mil votos, teria alterado o vencedor da eleição.

O grupo da candidata conservadora pressionou as autoridades eleitorais para acelerarem o processo e classificou a postura do partido adversário como “antidemocrática”.

Em 2021 o partido de Fujimori perdeu por uma margem semelhante e tentou anular milhares de seções eleitorais em áreas rurais que favoreciam Pedro Castillo, também recusou-se a reconhecer a vitória do líder de esquerda.

O que falta para a decisão final?

As autoridades haviam anunciado antes da eleição que a proclamação dos resultados oficiais poderia levar mais de um mês e ocorreria por volta de meados de julho.

Em resposta aos pedidos por celeridade, o Escritório Nacional de Processos Eleitorais declarou na terça-feira (23) que está “aguardando o envio das resoluções referentes às atas de apuração observadas” dos Júris Eleitorais Especiais para que a contagem possa atingir 100%.

Embora 185 audiências públicas já tenham sido realizadas e outras sete estejam agendadas, 13 ainda não foram marcadas.

As atas são documentos eleitorais oficiais gerados nas seções de votação que contabilizam todos os votos.

De qualquer forma, mesmo quando se atinge 100%, o Conselho Nacional de Eleições só proclama o resultado depois que cada um dos 60 júris tiver realizado sua respectiva proclamação descentralizada.

A transferência de poder está prevista para 28 de julho.

Quem é Keiko Fujimori, candidata à presidência do Peru

FONTE/CRÉDITOS: poliannelima
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