A cantora Anitta, 33, tem sido assunto no cenário da música brasileira após o lançamento do álbum “EQUILIBRIUM II”, disponibilizado nas plataformas digitais em 23 de julho deste ano.
Em meio às faixas, “Okê” se destaca por unir tradição, referências e uma composição sonora que une diferentes elementos instrumentais. Segundo o produtor musical Carlos do Complexo à Universal Music, a canção celebra a força e a resistência dos povos indígenas ao unir funk 150 BPM, música eletrônica e uma sonoridade dançante.
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A letra cita diferentes povos originários e reforça imagens ligadas à mata, à ancestralidade e à sobrevivência, enquanto o visual da música propõe um encontro entre natureza, tecnologia e diversidade. Além disso, o próprio nome da canção reúne ancestralidade, já que “Okê” é a saudação aos caboclos e encantados da mata.
A música reúne ainda o Brô MC’s, um grupo de rap Guarani e Kaiowá, e a cantora e ativista indígena Katu Mirim.
Em entrevista recente à Universal Music, Anitta afirmou que a proposta da música era unir a energia da natureza e a tecnologia.
“Transformamos a floresta em pista de dança. É um dos meus visuais preferidos por mostrar essa rave de corpos diversos e livres, sabe? Rompendo com estereótipos associados aos povos originários e deixando claro que não existem inovação sem respeito à ancestralidade indígena”, disse a cantora.
“Cabocla de Pena”
A ancestralidade que aparece no início da música traz um sample de “Cabocla de Pena”, gravação da artista e pesquisadora pernambucana Alessandra Leão, que há mais de 30 anos desenvolve um trabalho dedicado à ancestralidade na música brasileira.
À CNN, ela explicou que a canção é um ponto tradicional da Jurema, uma tradição religiosa de raízes indígenas, e que também é cantado em terreiros de Umbanda. O álbum da faixa, “Macumbas e Catimbós”, foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Raízes em Língua Portuguesa em 2019.
Para Alessandra, a canção é sobre valorizar o passado e o futuro, fala de força e sabedoria. A faixa recupera um canto ancestral, coloca artistas indígenas no centro da narrativa e leva esses saberes para uma produção pop de alcance internacional.
Ouça “Cabocla de Pena”:
Parceria com Anitta
Alessandra também contou que não sabia que sua gravação entraria no álbum. Na véspera de receber o pedido de autorização, ela teve um sonho simbólico sobre algo que estava chegando. Sua companheira foi ainda mais específica: sonhou que Alessandra iria cantar com Anitta. No dia seguinte, chegou o convite.
“EQUILIBRIVM Tour”
No último domingo (9), no segundo dia da “EQUILIBRIVM Tour” em São Paulo, Anitta recebeu Katú Mirim e Bro MC’s no palco para uma performance de “OKÊ”. A apresentação foi ainda mais simbólica por ser justamente no Dia Internacional dos Povos Indígenas.
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