O governo Trump enviou cerca de uma dúzia de iranianos de volta ao país em um voo de deportação no domingo (25), segundo uma fonte familiarizada com o assunto informou à CNN.
Este foi o primeiro voo de deportação conhecido desde que os protestos antigovernamentais em larga escala começaram no Irã, resultando em milhares de mortes.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou retaliar o Irã caso o país execute manifestantes e, embora tenha afirmado que seu governo está dialogando com Teerã, não descartou a possibilidade de uma ação militar.
Segundo uma fonte, 14 iranianos estavam a bordo do voo que partiu no domingo.
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A CNN noticiou na sexta-feira (23) que dezenas de iranianos deveriam ser deportados já no domingo. No entanto, parece que diversos iranianos que foram informados de que estariam no voo não embarcaram devido à exposição ao sarampo.
Um funcionário da Casa Branca declarou que “embora o governo normalmente não comente sobre voos específicos para proteger a segurança operacional, todos os indivíduos deportados terão Ordens Finais Executáveis, o que significa que um juiz federal ordenou sua remoção dos Estados Unidos. O governo permanece comprometido em usar todas as opções legais para realizar a maior operação de deportação em massa de imigrantes ilegais criminosos da história.”
A CNN entrou em contato com o Departamento de Segurança Interna, o Serviço de Imigração e Alfândega e a Missão do Irã na ONU para obter comentários.
Bekah Wolf, advogada de dois iranianos que haviam sido informados de que estariam a bordo do voo, disse que seus clientes foram colocados em quarentena devido ao vírus altamente contagioso e não estavam no voo de domingo.
No entanto, trata-se apenas de um alívio temporário para os dois homens, que são gays e enfrentam “uma probabilidade extremamente alta” de serem executados se forem forçados a retornar ao Irã, disse Wolf à CNN na sexta-feira.
Tanto Wolf quanto a outra fonte disseram que provavelmente haverá outros voos de deportação para o Irã. O voo de domingo foi o terceiro após um raro acordo entre Washington e Teerã, que não mantêm relações diplomáticas.
Um dos homens, que falou à CNN na sexta-feira (23), disse que sua mensagem para o presidente dos EUA era: “Se o senhor se importa com as pessoas, por favor, nos deixe ficar.”
“Não somos pessoas más. Amamos este país. Se pudéssemos viver aqui, o amaríamos mais do que amamos nossas pátrias, porque nossa pátria foi tomada. Está arruinada. Foi destruída pelo governo do Irã”, disse ele.
“Viemos para este país em busca de segurança”, acrescentou. Ele pediu para não ser identificado por medo de represálias.
Há preocupações quanto à deportação de iranianos em meio à repressão contínua do regime.
A agência de notícias Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos EUA, informou no domingo que pelo menos 5.520 manifestantes foram mortos desde o início dos protestos antigovernamentais no final de dezembro.
Entre as vítimas estão 77 menores, outras 17.091 mortes estão sob investigação. A HRANA afirmou que 41.283 pessoas foram presas.
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