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O recente desentendimento entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus ofuscou as quatro vitórias consecutivas na Liga das Nações que a seleção portuguesa conquistou sob o novo comando. Cristiano deixou o elenco após uma discussão com o treinador, como relatado, abandonando a equipe em meio à polêmica. A resposta do atacante sobre sua versão dos acontecimentos desencadeou críticas de uma figura icônica do futebol em Portugal.
António Simões, ex-jogador que conquistou a Champions League e 10 títulos da Liga Portugal pelo Benfica nas décadas de 1960 e 1970, expressou sua desaprovação em relação à forma como Cristiano Ronaldo lidou com a situação. Em uma declaração ao jornal "A Bola", o ícone de 82 anos defendeu Jorge Jesus, afirmando que o camisa 7 deve respeitar a hierarquia, independentemente de ser considerado um dos maiores jogadores da história portuguesa.
— Jorge Jesus tem todo o direito de fazer Cristiano Ronaldo aquecer por um minuto ou 30. Ele é o treinador. Eu aprendi e cresci respeitando meus companheiros de equipe mais experientes e o treinador. Por que Cristiano deve ser tratado de forma especial? — questionou Simões.
No auge de sua carreira, António Simões foi parte da seleção que teve seu melhor desempenho na Copa do Mundo de 1966, quando terminou em 3º lugar. Também conhecido por sua amizade com Eusébio, o ex-jogador recordou seu tempo jogando contra Pelé nos Estados Unidos, alertando Cristiano Ronaldo de que os maiores nomes do esporte não se comportavam dessa maneira em relação aos treinadores.
— Joguei com um rei chamado Eusébio. Compartilhei o tempo com um rei chamado Pelé, Maradona e companhia… Nunca vi nada parecido em torno de um rei — finalizou Simões.
Conflito entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus na seleção portuguesa
Antes de assumir o comando da seleção portuguesa, Jorge Jesus havia trabalhado com Cristiano Ronaldo no Al-Nassr e, em suas primeiras entrevistas, deixou claro que continuaria a convocá-lo, mas a presença em campo dependeria dos treinamentos diários. Durante o jogo contra País de Gales, Cristiano começou como titular, mas foi substituído no segundo tempo, o que o deixou aborrecido com o técnico, que pediu desculpas. A informação foi divulgada pelo jornalista Piers Morgan.
Na partida contra a Noruega, o atacante ficou no banco de reservas, embora tenha recebido a promessa de Jesus de que entraria em campo por 30 minutos, o que não ocorreu. O técnico da seleção não confirmou a existência desse acordo, o que gerou descontentamento e levou Cristiano Ronaldo a retornar à Arábia Saudita durante a Data Fifa.
Na terça-feira (6), o atleta utilizou suas redes sociais para abordar a crise. Sem mencionar Jorge Jesus diretamente, Cristiano Ronaldo afirmou que o técnico não cumpriu sua palavra e não apresentou essa postura nas conversas privadas, expressando irritação com "expressões e agressividade que considera desproporcionais".
O atacante pediu desculpas aos torcedores e se colocou à disposição de Jesus para continuar a atuar pela seleção. Em sua declaração, Cristiano Ronaldo também divulgou um documento que listava oito tópicos que o treinador deveria esclarecer em uma coletiva, algo que não ocorreu. Confira um trecho do comunicado que deveria ter sido lido:
- Propus ao Cristiano eu mesmo, sem mais ninguém, um plano para ele na Seleção Nacional. Foi uma conversa demorada e muito boa;
- Sei o quanto ele vive e ama a seleção e o peso que tem no mundo, mais ainda, o peso e a influência positiva que tem na seleção há 24 anos consecutivos;
- O plano que propus ao Cristiano foi aceito;
- Ele nunca questionou as minhas opções. Foi exemplar, leal e profissional;
- Do plano que tracei para ele não constava o jogo da Noruega. No entanto, senti que ele tinha conseguido recuperar fisicamente do primeiro jogo e avisei-o que poderia ter de o utilizar. O Cristiano concordou;
- Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo. Se fosse hoje, não o faria;
- Para encerrar o assunto: Eu quero o Cristiano na Seleção Nacional. Aliás não quero pouco, quero muito. Felizmente ele também acredita em mim. Acreditou no Al-Nassr e aqui também;
- Sobre não ter cumprimentado os torcedores. Já falámos sobre isso. Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de amor a Portugal. Foi um momento de frustração que não apaga coisa nenhuma. É o jogador que mais autógrafos dá, que mais selfies tira, que mais acarinha os fãs. Não inventemos problemas onde eles não existem. Quando não estamos contentes reagimos. Foi só isso.
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