Nesta terça-feira (29), a seleção brasileira voltou a competir contra a Austrália, após ter empatado em 1 a 1 na sexta-feira (25). Agora, a equipe obteve uma vitória de 4 a 2, com gols de Vanderson, Raphinha, Bruno Guimarães e Vinícius Junior. No entanto, o resultado não trouxe tantas certezas sobre o modelo de jogo ou os padrões a serem seguidos durante o ciclo.
Sete jogadores foram alterados por Carlo Ancelotti em relação ao primeiro amistoso, mas a ideia central permaneceu: um meio-campo dinâmico e pontas velozes. Raphinha apresentou uma grande mudança — atuando como centroavante, posição que também ocupa no Barcelona, em vez de ser um meia-atacante, mas saiu com uma lesão no intervalo.
Seleção brasileira enfrenta os mesmos problemas defensivos, além do infortúnio de Otávio
A estreia de Otávio pela Seleção não foi satisfatória. Ele cometeu um erro no lance que resultou no gol de empate da Austrália, ao não conseguir encontrar a bola em um escanteio, deixando o gol aberto. Ele falhou novamente com um passe errado para Nestory Irankunda, perto da área. Na segunda etapa, não conseguiu segurar a bola em mais um cruzamento.
Entretanto, as dificuldades defensivas da Seleção não se limitam ao goleiro. Ancelotti manteve a estrutura defensiva em 4-4-2, que deve ser a norma durante todo o ciclo. Raphinha e Vinícius Junior ocupavam as posições mais avançadas, enquanto Danilo se posicionava à esquerda na segunda linha. Contudo, o sistema de pressão não teve destaque.
Austrália comemora gol marcado sobre o Brasil (Foto: Darren England/AAP via Imago)
Raphinha é um bom defensor para sua posição e pressiona os adversários, mas, sozinho, não consegue coordenar todo o sistema. Vinícius não pressiona com a intensidade e inteligência necessárias, e a segunda linha não avança o suficiente para evitar espaços nas costas. Por essa razão, não foi difícil para a Austrália manter a posse de bola, o que resultou em um percentual de posse quase dividido.
O gol que virou o jogo a favor da Austrália pode ser interpretado como um “simples” golaço de Connor Metcalfe, sem defesa possível para Otávio. Entretanto, ele ocorre após uma desorganização na defesa, especialmente no lado de Danilo. O camisa 5 abre muito ao lado de Mauro Júnior para defender na lateral, criando espaço para Metcalfe receber e finalizar sem ser pressionado.
A falta de coordenação na pressão foi uma crítica recorrente durante a era Ancelotti. Foram raras as ocasiões em que o sistema funcionou efetivamente. Sem sucesso nessa área, é improvável que o Brasil consiga manter um modelo de jogo que priorize a posse de bola e a criação paciente de jogadas. Tanto que, na segunda etapa, a Austrália teve um tempo maior com a bola.
Ancelotti e o desafio do meio-campo
O 4-3-3 adotado pela Seleção iniciou com uma proposta clara de ocupação eficiente dos espaços. Formava-se uma linha de cinco no ataque, com Vanderson e Vinícius abertos, Rayan e Danilo nos meio-espaços, e Raphinha como referência.
Bruno atuava na retaguarda e Bontempo se aproximava para apoiar o ataque. Durante a saída de bola, Danilo ocasionalmente recuava e trocava de função com o camisa 8, que por vezes avançava para conectar-se com o ataque. Essa dinâmica se mostrava interessante e mantinha a posse de bola por períodos prolongados.
A construção do jogo contava ainda com Jair e Gabriel Magalhães, que apresentaram bons momentos de passes de ruptura, encontrando os meio-campistas à frente. Diferente de ocasiões anteriores à Copa, a intenção era manter a posse, independentemente da pressão, e buscar saídas com passes curtos. Esse aspecto foi positivo, até certo ponto.
Gabriel Bontempo pela seleção brasileira (Foto: Alamy / Icon Sport)
Portanto, pode-se afirmar que o meio-campo não foi uma questão para o jogo da Seleção. Porém, os pontas encontraram dificuldades. Vinícius não teve uma performance destacada, e Rayan foi discreto — sendo substituído por Estêvão na segunda etapa. O camisa 7 teve uma participação mais ativa no final da partida, quando o Brasil recuou e encontrou mais espaço para atacar.
O gol de empate, convertido por Raphinha após pênalti sofrido por Danilo, resultou também de uma boa troca de passes — infiltração na área a partir da posse. Os dois últimos gols, por outro lado, surgiram de jogadas velozes e individuais.
No terceiro gol, Vinícius foi acionado em um campo aberto e aproveitou os espaços gerados na linha de defesa para conectar-se com Endrick, que atacou a profundidade. O camisa 9 cruzou para trás, utilizando a vantagem cinética sobre a defesa australiana em direção ao gol, permitindo que Bruno Guimarães atacasse a área para marcar. Poucos passes, velocidade e ataque aos espaços foram evidentes.
Para selar a vitória, Vini converteu um pênalti após receber novamente pelo lado com espaço para realizar um drible. Ele enfrentou Jacob Italiano e, enquanto passava por ele, foi pisado por Irankunda. Quatro gols foram criados a partir de duas "filosofias" distintas.
A visão otimista pode enxergar variação e versatilidade: um Brasil capaz de criar de diferentes maneiras. Os menos otimistas podem interpretar como falta de padrão e dificuldade do time em manter a criação com a bola de forma consistente. Ancelotti, por sua vez, termina mais um amistoso com questões ainda não esclarecidas em diversas áreas, apesar do resultado.
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