Ao menos seis pessoas morreram, 81 ficaram feridas e oito continuam desaparecidas após duas explosões na tarde de sexta-feira (4) em uma base militar no oeste da Bolívia, informou o Ministério da Defesa do país.
As explosões ocorreram no Centro Geral de Manutenção RAM-2 “Bolívar”, na cidade de Viacha, localizada nos arredores da capital administrativa de La Paz, onde material pirotécnico era armazenado, disse o ministro da Defesa, Ernesto Justiniano Urenda, em coletiva de imprensa na noite de sexta-feira.
A primeira explosão, segundo informações preliminares divulgadas por Urenda, foi relacionada à pólvora negra de material pirotécnico armazenado no local.
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As possíveis causas da segunda explosão, que foi “muito maior”, ainda estão sendo investigadas. Urenda descartou que as explosões tenham sido causadas por armas.
Um vídeo compartilhado pela Reuters mostrou uma explosão grande e repentina que lançou fumaça no ar acima de uma rua movimentada, com muitos civis buscando abrigo. O som de vidros quebrando podia ser ouvido.
Três dos mortos eram militares, e outros três permanecem não identificados, informou o Ministério da Defesa.
O Ministério Público da Bolívia abriu um inquérito pelos crimes de homicídio culposo, lesão corporal culposa e outros danos.
O Ministério da Defesa boliviano afirmou na manhã de sábado (5) que, entre as pessoas ainda desaparecidas, estavam militares.
As famílias dos soldados desaparecidos estão em contato com as autoridades para obter informações sobre as buscas.
O Ministério da Defesa criou um comitê de crise composto, entre outras instituições, pelas Forças Armadas, a Polícia Boliviana, a Defesa Civil e o Ministério da Saúde para prestar assistência às vítimas das explosões.
“A prioridade é… localizar os militares desaparecidos, prestar assistência aos feridos, apoiar suas famílias e fornecer ajuda aos moradores afetados pela onda de choque”, destacou a pasta.
Urenda comentou que, devido à onda de choque das explosões, 25 famílias foram afetadas e retiradas de suas casas. Essas pessoas receberam abrigo na Escola Militar de Música, “onde estão recebendo alimentos, cobertores e outros itens necessários”.
Área perigosa para equipes de resgate
O ministro explicou que nenhuma máquina pesada poderá entrar no local da explosão até que seja verificado que está livre de “materiais perigosos”.
“Assim que as equipes especializadas determinarem que as condições são seguras, máquinas serão utilizadas para remover os escombros e intensificar os esforços de busca”, explicou ele.
Na tarde de sábado, o Ministério da Defesa afirmou que o “alto risco” persistia na área e que a remoção dos escombros não poderia prosseguir porque um prédio atrás do local das explosões “contém equipamentos militares e uma grande quantidade de granadas”.
Além disso, “pólvora negra e reforçadores foram encontrados na área. Um especialista explicou que um reforçador é um explosivo multiplicador que, ao entrar em contato com um explosivo em detonação, pode multiplicar sua carga”, acrescentou.
A pasta também pediu à população que não tocasse ou manuseasse qualquer dispositivo encontrado na área, pois isso poderia “causar ferimentos muito graves”.
O Conselho Municipal de Viacha — o órgão legislativo deste município — declarou “estado de calamidade pública” no sábado devido às explosões na base militar.
Isso permite que o governo faça modificações orçamentárias para lidar com a situação, bem como coordene e gerencie recursos com as autoridades nacionais e departamentais.
“O Poder Executivo (de Viacha), juntamente com suas unidades correspondentes, deve iniciar ações legais, se cabíveis, contra indivíduos ou entidades públicas e/ou privadas que tenham afetado bens ou serviços públicos, no contexto do incidente”, afirma a declaração municipal de estado de calamidade pública, que terá validade por seis meses.
Por sua vez, o presidente boliviano Rodrigo Paz declarou pelo X que ordenou uma investigação “completa, técnica e transparente sobre o ocorrido”. Ele também expressou suas condolências às famílias dos falecidos.
“Em momentos como este, a prioridade do Estado deve ser proteger a vida, cuidar das vítimas e apoiar as famílias que atravessam horas de dor e incerteza”, disse o presidente da Bolívia.
“Devemos estabelecer com absoluta clareza as causas deste evento, verificar o cumprimento dos protocolos de segurança e determinar as responsabilidades correspondentes”, acrescentou.
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