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Segunda-feira, 07 de Setembro de 2026

Mundo

Boehringer amplia vendas em mais de 30% na avicultura no 2º trimestre

Avanço supera o mercado em aves e bovinos, enquanto companhia mantém cerca de R$ 3 bilhões anuais em investimentos globais em pesquisa e desenvolvimento

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Boehringer amplia vendas em mais de 30% na avicultura no 2º trimestre
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A Boehringer Ingelheim registrou crescimento expressivo nas vendas de produtos para saúde animal no segundo trimestre de 2026, com avanços em todas as principais espécies atendidas pela companhia. O destaque ficou com a avicultura, segmento em que as vendas cresceram mais de 30% no período, impulsionadas principalmente pela maior procura por vacinas vivas.

Segundo José Peron, head de Saúde Animal da Boehringer Ingelheim, o resultado reflete uma tendência de maior investimento dos produtores em prevenção de doenças, imunização e bem-estar animal. O movimento ocorre tanto na produção de aves e suínos quanto na pecuária bovina, embora com diferentes tipos de produtos.

“De forma geral, o que nós vemos é uma continuidade do investimento em ferramentas de sanidade, de saúde animal, que vão promover bem-estar, prevenção de doenças e imunização dos rebanhos”, afirmou Peron.

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Na avicultura, o crescimento superior a 30% ficou concentrado praticamente todo nas vacinas vivas. De acordo com o executivo, o desempenho ficou bastante acima do mercado e demonstra a maior busca dos produtores por soluções preventivas capazes de reduzir a ocorrência de doenças e melhorar a eficiência dos sistemas de produção.

A estratégia de prevenção também aparece na suinocultura. No segundo trimestre, as vendas para o segmento cresceram cerca de 9%, com forte participação dos produtos biológicos. A demanda esteve concentrada principalmente em soluções para prevenção de doenças entéricas e da circovirose.

Já na pecuária bovina, o comportamento foi diferente. Os principais destaques foram os produtos terapêuticos e os medicamentos utilizados no controle de parasitas.

A classe de anti-inflamatórios da companhia apresentou crescimento de aproximadamente 30%, segundo Peron. O executivo relaciona o avanço à busca dos produtores por soluções que contribuam para o bem-estar dos animais.

Os ectoparasiticidas, utilizados no controle de parasitas externos como carrapatos, bernes e bicheiras, também apresentaram desempenho positivo, com crescimento de cerca de 5%, acima do mercado.

Mudança no perfil de tratamento

A procura por terapêuticos não antibióticos também vem ganhando espaço na produção animal. Para a Boehringer, o movimento não deve ser interpretado apenas como uma resposta às novas exigências de mercados compradores, mas como parte de uma transformação estrutural na produção de proteína.

Peron afirma que a busca por prevenção já ocorre há anos e está relacionada à necessidade de manter os animais saudáveis para aumentar a eficiência produtiva. Animais com menor incidência de doenças e submetidos a melhores condições de bem-estar tendem a apresentar melhor desempenho e conversão alimentar.

O executivo reconhece, porém, que as discussões envolvendo as exigências sanitárias da União Europeia deram novo impulso ao debate sobre o uso de medicamentos e sobre os protocolos de segregação destinados a atender diferentes mercados.

“Esse crescimento dos terapêuticos vai justamente nessa tendência”, disse.

A mudança ganha importância para o Brasil, um dos principais produtores e exportadores mundiais de proteínas animais. Para acessar mercados com diferentes exigências sanitárias, os produtores precisam cada vez mais combinar prevenção, controle de doenças, rastreabilidade e protocolos específicos de produção.

Investimento global em inovação

O avanço da demanda por produtos de saúde animal também está relacionado à estratégia de inovação da Boehringer Ingelheim. A companhia mantém investimentos globais de aproximadamente 500 milhões de euros por ano em pesquisa e desenvolvimento voltados a todas as espécies animais.

O valor equivale a cerca de R$ 3 bilhões considerando a conversão mencionada pelo executivo.

Os recursos são destinados ao desenvolvimento de novas vacinas, terapias e ferramentas para prevenção e tratamento de doenças, além de soluções voltadas ao bem-estar e à produtividade dos animais.

Segundo Peron, o investimento em inovação é contínuo e busca acompanhar a evolução dos desafios sanitários enfrentados pela produção animal em diferentes regiões do mundo.

Bicheira volta ao radar nos Estados Unidos

Um exemplo dessa diferença entre os mercados está nos Estados Unidos. Segundo Peron, problemas relacionados à bicheira e a outras infestações que já haviam sido erradicadas voltaram a exigir atenção dos produtores americanos.

No Brasil, por outro lado, o controle de parasitas como berne e bicheira já está incorporado aos protocolos sanitários de parte da pecuária, em razão das condições climáticas e epidemiológicas do país.

“Somos um país tropical, como sabemos, em que há mais mosquitos, há mais vermes e, portanto, isso já faz parte do nosso protocolo preventivo”, afirmou.

A experiência brasileira também pode favorecer a utilização de medicamentos que já são conhecidos pelos produtores locais no combate a problemas sanitários que passaram a preocupar novamente a pecuária norte-americana.

Perspectiva positiva para o terceiro trimestre

Apesar das diferenças entre os segmentos, a Boehringer mantém uma avaliação positiva para o mercado de saúde animal nos próximos meses.

A expectativa está apoiada principalmente na perspectiva de continuidade do consumo de proteínas animais e na posição do Brasil no mercado internacional de carnes.

Peron afirma que a procura por vacinas, produtos biológicos, antiparasitários e terapêuticos tende a permanecer firme diante da necessidade de aumentar a eficiência da produção e reduzir os impactos provocados por doenças.

“Continuamos com uma visão muito otimista sobre o setor”, afirmou.

Saúde animal e segurança alimentar

Além dos impactos econômicos para o setor, a Boehringer defende uma abordagem integrada entre saúde animal e saúde humana. A avaliação é de que a prevenção de doenças nos rebanhos e a adoção de boas práticas de produção são fundamentais para garantir a oferta de proteínas seguras e de qualidade.

O conceito também envolve a prevenção de zoonoses, especialmente na relação entre seres humanos e animais de companhia, e o controle sanitário dos animais destinados à produção de alimentos.

Para a companhia, a discussão sobre saúde animal tende a ganhar ainda mais relevância à medida que os mercados consumidores ampliam suas exigências sobre bem-estar, segurança dos alimentos, prevenção de doenças e sustentabilidade dos sistemas produtivos.

https://stories.cnnbrasil.com.br/economia/cna-preve-queda-de-45-na-producao-de-carne-bovina-em-2026/

FONTE/CRÉDITOS: andressasimao
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