Rondônia dobra casos de feminicídio e se torna um dos estados mais letais para mulheres no país
Rondônia figura entre os estados mais letais para mulheres no Brasil, segundo dados do Observatório Estadual de Segurança. Entre janeiro e julho de 2024, foram registrados 17 casos de feminicídio, mais que o dobro do mesmo período do ano passado (8 casos) — um aumento de 112%.
A capital, Porto Velho, lidera o ranking com seis ocorrências. Em seguida aparecem Presidente Médici e Ji-Paraná, com dois casos cada. Também tiveram registros Mirante da Serra, Santa Luzia do Oeste, Vilhena, Buritis, Cujubim, Governador Jorge Teixeira e Itapuã do Oeste.
O retrato nacional da violência contra a mulher
O cenário em Rondônia reflete uma realidade que assola todo o país. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que 1.492 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil em 2024.
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63,6% eram negras;
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71,1% tinham entre 18 e 44 anos;
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64,3% foram mortas dentro de casa;
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Em 90% dos casos, o autor foi um homem: 63% companheiros, 21,2% ex-companheiros e 8,7% familiares.
Outro dado alarmante: 121 mulheres mortas nos últimos dois anos tinham medida protetiva em vigor. Somente em 2024, cerca de 100 mil medidas protetivas foram descumpridas no Brasil.
Vozes das vítimas
Por trás das estatísticas, estão histórias de dor e sobrevivência.
Solange Boaventura, vítima de uma tentativa de feminicídio, relembra:
“Nas primeiras vezes foram apenas alguns empurrões, até que na última agressão ele me enforcou e me deixou desacordada.”
Outra vítima, que não quis se identificar, contou ter sofrido abusos ainda na infância:
“Eu tinha cinco anos e não entendia o que estava acontecendo. Ele me ameaçava para não falar nada. Para todos, meu avô era maravilhoso, mas para mim ele não foi.”
Enfrentamento e ações em Rondônia
Diante do aumento da violência, a OAB-RO tem reforçado iniciativas de combate e proteção às mulheres. Durante a campanha Agosto Lilás, a entidade promoveu debates sobre políticas públicas, juizados de violência doméstica e os avanços da Lei Maria da Penha.
Entre as ações, destacam-se:
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Criação de uma ouvidoria para denúncias em bares e casas noturnas;
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Manutenção de uma comissão específica contra violência doméstica;
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Apoio a campanhas educativas e de conscientização.
Segundo a conselheira Miriam Pereira Mateus, essas iniciativas são essenciais:
“Nosso papel é garantir que as mulheres conheçam seus direitos e tenham a quem recorrer.”
Já Rosimar Francelino, presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica da OAB-RO, reforça:
“A violência contra a mulher é uma violação dos direitos humanos e não pode ser tolerada.”
Ligue 180: mais denúncias em Rondônia
Este ano, o tema do Agosto Lilás foi: “Não deixe chegar ao fim da linha. Ligue 180”. E os números mostram que as denúncias estão crescendo.
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Atendimentos do Ligue 180 em RO subiram 80,65% em 2024 (3.922 chamadas contra 2.171 em 2023);
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Denúncias também aumentaram: de 556 em 2023 para 606 em 2024;
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Em 231 casos, o crime aconteceu na casa da vítima ou do agressor.
Apesar dos avanços, especialistas alertam que muitas mulheres ainda enfrentam barreiras para denunciar — seja por medo, dependência financeira ou falta de informação.
A delegada regional Solângela Guimarães reforça:
“No primeiro momento em que a vítima se sinta ameaçada, ela deve buscar apoio. Existem casas de acolhimento, benefícios financeiros e redes de proteção que ajudam a romper o ciclo da violência.”
Como pedir ajuda?
Ligue 180 – Central de atendimento 24h, gratuita e sigilosa.
Em Rondônia, também é possível denunciar pelos seguintes canais:
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OAB-RO: (69) 3217-2112 | WhatsApp (69) 99954-9260
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MP-RO: (69) 3216-3996 | WhatsApp (69) 98408-9931
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TJ-RO: (69) 3309-7105 | WhatsApp (69) 98455-3277
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Defensoria Pública: (69) 99208-4629
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Delegacia da Mulher: (69) 3216-8800
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Polícia Militar: 190
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Polícia Civil: 197
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