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Sabado, 18 de Abril de 2026

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Fóssil de 250 milhões de anos prova que ancestral de mamífero colocava ovo

Embrião de Lystrosaurus estava dentro de um ovo quando morreu, disse à CNN o autor principal do estudo, Julien Benoit

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Fóssil de 250 milhões de anos prova que ancestral de mamífero colocava ovo
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Pesquisadores que estudam um fóssil de 250 milhões de anos encontraram a primeira prova de que os ancestrais dos mamíferos punham ovos, e a descoberta também lança luz sobre uma notável história de sobrevivência.

O fóssil, encontrado na África do Sul, pertence a um embrião enrolado de um Lystrosaurus, um ancestral dos mamíferos famoso por sobreviver a um evento de extinção ocorrido há 252 milhões de anos, conhecido como a “Grande Extinção”, de acordo com um estudo publicado na revista PLOS One.

Uma equipe de pesquisadores examinou o fóssil usando tomografia computadorizada de alta resolução e um síncrotron, que produz raios X mais brilhantes que o sol, e descobriu que as mandíbulas do embrião de Lystrosaurus não estavam completamente fundidas.

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Representação artística de como o embrião se pareceria enrolado dentro do óvulo • Julien Benoit/Sophie Vrard

Essa característica, encontrada apenas em embriões de aves e tartarugas modernas, comprova que o embrião de Lystrosaurus estava dentro de um ovo quando morreu, disse à CNN o autor principal do estudo, Julien Benoit, professor associado do Instituto de Estudos Evolutivos da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul.

“Esta é a primeira vez que podemos afirmar, com confiança, que ancestrais de mamíferos como o Lystrosaurus punham ovos, o que representa um verdadeiro marco na área”, disse Benoit.

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Benoit afirmou que esses ovos teriam uma casca externa macia e coriácea, já que ovos com casca dura só evoluíram pelo menos 50 milhões de anos depois.

O fóssil também oferece uma possível explicação para o antigo mistério de por que o Lystrosaurus sobreviveu à “Grande Extinção” – a extinção em massa que pôs fim ao período geológico Permiano, no qual 90% de todos os seres vivos da Terra morreram à medida que o planeta se tornou muito mais quente e seco, acrescentou ele.

“O Lystrosaurus vivia em um ambiente muito seco, semelhante a um deserto”, disse Benoit, acrescentando que ele provavelmente buscava alimento em leitos de rios secos e procurava por solos macios e lamacentos para cavar tocas e sobreviver a longos períodos de seca.

Reconstrução em 3D do esqueleto de um embrião de Lystrosaurus • Julien Benoit

Consequentemente, o fato de o Lystrosaurus botar ovos relativamente grandes para um animal do seu porte conferia-lhe uma importante vantagem de sobrevivência.

“Os ovos de Lystrosaurus perdiam menos água através de sua casca coriácea do que os de outras espécies daquela época”, disse Benoit.

Ovos grandes também indicam que os filhotes de Lystrosaurus já estariam bastante desenvolvidos ao eclodirem, o que constitui outra vantagem.

As descobertas têm implicações importantes para a nossa compreensão da origem da lactação entre os mamíferos, acrescentou ele, permitindo aos pesquisadores concluir que a capacidade de secretar leite para alimentar os filhotes provavelmente evoluiu entre o início e o final do período Triássico (entre 252 milhões e 201 milhões de anos atrás), após a extinção em massa.

“Os filhotes de Lystrosaurus eram grandes o suficiente para se alimentarem sozinhos e fugirem de predadores, e atingiam a maturidade mais rapidamente para que pudessem se reproduzir cedo”, disse Benoit.

Além disso, o estudo “fornece forte apoio” à hipótese de que a lactação pode ter evoluído inicialmente não como uma forma de nutrir a prole, mas para manter os ovos coriáceos postos pelos ancestrais dos mamíferos úmidos e, portanto, mais bem protegidos, disse Benoit.

Em seguida, ele planeja realizar mais pesquisas sobre a evolução da lactação e da viviparidade, ou seja, o desenvolvimento de um embrião dentro do corpo da mãe.

“Essas são algumas das características definidoras mais importantes da nossa família e ainda não sabemos exatamente quando e como elas evoluíram”, disse Benoit. “Desvendar esses mistérios contribuiria muito para a compreensão da história de sucesso dos mamíferos.”

Steve Brusatte, professor de paleontologia e evolução da Universidade de Edimburgo, na Escócia, que não participou do estudo, disse à CNN que o embrião de Lyrstrosaurus é “um fóssil interessante”.

“Esta é uma prova concreta de que alguns dos nossos ancestrais mamíferos mais próximos ainda punham ovos e se reproduziam como répteis, e não davam à luz filhotes vivos nem os alimentavam com leite”, disse Brusatte, autor de “A Ascensão e o Reinado dos Mamíferos”, em um e-mail.

“Essas coisas viriam mais tarde e seriam fundamentais para a prosperidade dos mamíferos hoje em dia.”

FONTE/CRÉDITOS: anabertolaccini
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