O Campeonato Brasileiro terá uma nova grade de horários a partir de 2027. A nova proposta foi apresentada pela CBF aos clubes na segunda-feira (21) e recebeu a aprovação unânime dos representantes dos 40 clubes das Séries A e B, além das federações estaduais.
Ainda assim, as alterações não entrarão em vigor nesta temporada, uma vez que ainda é necessário apresentá-las às emissoras que possuem os direitos de transmissão do torneio. Paradoxalmente, a CBF avança na criação de um “horário padrão para o futebol brasileiro”. Entre as mudanças aceitas está a eliminação de janelas de horários que podem ser consideradas desfavoráveis para os torcedores, evitando também conflitos entre partidas das Séries A e B que ocorrem em horários próximos.
Não é a primeira vez que a questão é discutida. Em abril deste ano, em uma reunião entre clubes, federações e a CBF, um estudo preliminar foi apresentado sobre a criação de um horário padrão para o Brasileirão. A CBF baseou suas avaliações em consultas a clubes e federações, além de comparações com as principais ligas da Europa.
Além da definição de horários fixos e redução das diversas combinações existentes, a proposta busca facilitar a venda de direitos de transmissão para o exterior. Com horários definidos, a CBF acredita que pode oferecer um produto mais atraente, com identidade própria, como as Séries A e B.
Conforme a CBF, entre 2023 e 2025 foram registradas 51 combinações de horários na Série A e 81 na Série B.
Mudanças propostas pela CBF
Embora não tenha havido votos contrários na reunião da última segunda-feira — que foi a quarta convocada pela CBF com clubes e federações —, a grade horária ainda pode ser alterada. O objetivo atual é concentrar a maioria das partidas nos finais de semana, especialmente aos domingos, com o horário das 16h (de Brasília) sendo o que terá o maior número de jogos.
Além disso, as quartas-feiras terão a concentração de até seis partidas (do total de 10 possíveis) durante as rodadas do meio de semana. A CBF está tentando implementar a “Super Quarta” para facilitar a venda comercial dos direitos de transmissão, estabelecendo horários fixos para as partidas e uma grade fixa a partir da próxima rodada de negociações, que se inicia em 2030.
Os horários do Campeonato Brasileiro, após o acordo entre clubes e a CBF, serão definidos conforme segue:
Há ainda a possibilidade de jogos serem realizados na segunda e na sexta-feira como opções para remanejamento das partidas do Brasileirão, se necessário. Com isso, a maioria dos jogos será realizada durante o dia nos finais de semana, com início antes das 18h (de Brasília).
Allan comemora gol pelo Palmeiras – Brasileirão 2026. (Foto: Jayson Braga/IMAGO / Brazil Photo Press)
— Temos um diagnóstico de que os jogos competem em horários variados. A proposta apresentada foi de estabelecer uma grade fixa de horários e, em seguida, discutir com os detentores dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, tanto da Série A quanto da Série B, a fim de concretizar um horário padrão para o futebol brasileiro — declarou Helder Melillo, diretor executivo da CBF.
Nos estudos realizados, a Premier League é considerada a liga que mais se aproxima de um modelo “ideal”, segundo a CBF. Nos finais de semana, na maioria das rodadas, não ocorrem partidas à noite. Este horário (20h, no horário local) é reservado para jogos durante a semana, como nas segundas e sextas-feiras — que deverão ser adotados no Brasil a partir de 2027.
No que tange à Série B, as alterações propostas pela CBF incluem a criação de quatro janelas exclusivas para as partidas, em relação à primeira divisão, com o sábado sendo o dia com maior quantidade de jogos. A ideia, com a formação de uma liga de futebol brasileiro, é que as duas divisões se tornem complementares.
O futuro da liga no Brasil enfrenta outras discussões entre os clubes
Desde a chegada de Samir Xaud à presidência da CBF, o futebol brasileiro tem passado por transformações, tanto dentro quanto fora dos gramados. Entre as reformas implementadas pela entidade estão o Fair Play Financeiro, a adoção do impedimento semiautomático e a profissionalização da arbitragem. A reunião desta segunda-feira, além da proposta sobre a grade fixa do Brasileirão, também trouxe à tona outras mudanças mais polêmicas.
Embora sem consenso entre clubes como Flamengo e Bahia, a reunião aprovou a redução gradual do número máximo de atletas estrangeiros no Brasileirão, de nove para cinco até 2030. Além disso, houve avanços nas discussões — ainda sem votação — sobre a criação de “times B”, similar ao modelo do Real Madrid Castilla, para competirem nas divisões inferiores.
Essas reformas visam o crescimento e desenvolvimento da nova geração do futebol brasileiro. Segundo dados da CBF, o Brasil tem a maior média de idade entre as seis ligas analisadas (Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália). A entidade também destaca que a minutagem de jogadores oriundos das categorias de base dos clubes brasileiros tem diminuído ao longo dos anos.
Essas propostas têm como objetivo a evolução do futebol no Brasil, mas ainda enfrentam outras questões que vão além de grades fixas e finanças dos clubes. Não existe consenso sobre o uso de gramados sintéticos, um debate que tem causado divergências entre Palmeiras e Flamengo nos bastidores desde a última temporada.
Essa é uma das principais preocupações do futebol brasileiro, após a CBF ter abordado diversas outras questões ao longo do último ano. Para comercializar os direitos de transmissão no exterior, a qualidade dos gramados é um fator a ser considerado— seja pela exclusão do sintético ou pela adoção de normas mais rigorosas quanto à qualidade dos mesmos.
Maracanã e Neo Química Arena, dois estádios que foram construídos de acordo com o “padrão FIFA”, têm recebido críticas em relação à qualidade de seus campos nesta temporada. Além disso, com pisos irregulares, há um risco maior de lesões para os atletas — um fator que impacta na percepção do Brasileirão como um produto a ser negociado.
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