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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2026

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Hashimoto, Down, Creutzfeldt-Jakob: por que doenças recebiam nomes de pessoas e a OMS acabou com isso?

Tradição busca homenagear médicos que contribuíram com o diagnóstico, mas pode prejudicar compreensão das doenças e até causar estigma

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Por Estadão Rondônia
Hashimoto, Down, Creutzfeldt-Jakob: por que doenças recebiam nomes de pessoas e a OMS acabou com isso?
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Você talvez não conheça a tireoidite autoimune crônica, mas pode ter ouvido falar da síndrome de Hashimoto que afeta famosos como Lexa e Cleo Pires. Muitas doenças populares receberam o sobrenome de pacientes com o diagnóstico, ou dos cientistas e médicos que as identificaram.

Hoje, a prática é considerada danosa para o entendimento e a aceitação dos quadros – e alguns especialistas lutam para substituir seus nomes por termos mais informativos.

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De onde vem o nome da síndrome de Hashimoto?

A tireoidite de Hashimoto recebeu o sobrenome do cirurgião Hakaru Hashimoto, que descreveu pela primeira vez a doença em um artigo publicado em 1912 no periódico alemão Archiv für Klinische Chirurgie.

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O quadro afeta a glândula que secreta hormônios localizada no pescoço, e pode levar ao hipotireoidismo.

Por que a doença de Creutzfeldt-Jakob tem esse nome?

O nome da doença neurodegenerativa homenageia dois médicos, e foi proposto por um terceiro profissional. Hans Gerhard Creutzfeldt descreveu em 1920 uma “doença peculiar focal no sistema nervoso central” que voltou à tona no ano seguinte, após a identificação de outros casos aparentemente similares por Alfons Maria Jakob.

Jakob relatou cinco casos de perda de funções cerebrais, dois dos quais ainda se enquadram nos critérios diagnósticos atuais da doença. Outro especialista em doenças do cérebro, Walther Spielmeyer, sugeriu “Creutzfeldt-Jakob” para referenciar ambos os profissionais.

Mas os créditos de Creutzfeldt não são unânimes na comunidade científica; alguns especialistas defendem uma inversão na ordem dos nomes (Jakob-Creutzfeldt) para refletir melhor as contribuições de Jakob, ou até o abandono total do sobrenome de Creutzfeldt.

Estigma sobre os pacientes

A origem do nome popular para a trissomia do cromossomo 21, “síndrome de Down“, é ainda mais questionada. A condição foi descrita em 1866 pelo médico britânico John Langdon Down no artigo “Observações sobre uma classificação étnica para idiotas”.

No texto, ele afirma ver similaridades nos traços físicos de pessoas com os sintomas da trissomia 21 e do grupo étnico original da Mongólia, da China e da Sibéria. O pesquisador foi além ao dizer que a semelhança seria indício da inferioridade racial da etnia mongol.

John Langdon Down e uma de suas pacientes, Florence Thornton • Wikimedia Commons; Langdon Down Museum

Depois da publicação, o quadro começou a ser chamado de “Mongolismo”. O nome foi alterado para “síndrome de Down” apenas em 1951 após uma petição internacional assinada por especialistas; entre eles, o próprio neto de John Langdon Down, Norman.

O estigma que pressupõe inferioridade continua afetando não apenas pessoas com a trissomia, mas também membros da etnia mongol. Hoje, a OMS (Organização Mundial da Saúde) opta pelo nome “trissomia do cromossomo 21” ou “trissomia 21”.

Um caso raro de aflição que ganhou o nome de um paciente, em vez de um médico, é a doença de Lou Gehrig.

A homenagem foi feita à estrela do beisebol nos Estados Unidos que, após seu diagnóstico, ajudou a expandir o conhecimento popular sobre a esclerose lateral amiotrófica.

Gehrig estava no auge de sua carreira esportiva quando descobriu a doença degenerativa em 1939. O atleta morreu dois anos depois, com apenas 38 anos.

OMS quer acabar com a atribuição de nomes humanos a doenças

Em 2015, a entidade internacional de saúde publicou um novo manual de boas práticas para nomear novas patologias. Além do uso de sobrenomes de pessoas, a inclusão de localizações geográficas, etnias e nomes de animais também foi desencorajada.

“O uso de nomes como ‘gripe suína’ e ‘síndrome respiratória do Oriente Médio’ teve impactos negativos ao estigmatizar algumas comunidades”, disse o então diretor-assistente-geral de Segurança da Saúde. “Vimos nomes de doenças causarem danos a membros de determinadas religiões ou etnias, criando barreiras sem justificativa para viagem e comércio, e incitando um massacre desnecessário de animais.”

A OMS sugere que novos nomes tragam termos genéricos, descritivos e baseados nos sintomas, além de palavras mais específicas sobre a manifestação da doença.

FONTE/CRÉDITOS: robertosouza
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