A alta dos juros e a pressão inflacionária sobre os custos de alimentos têm desafiado a indústria alimentícia brasileira, mas uma das líderes do setor aposta em estratégias de eficiência, verticalização e inovação para proteger o consumidor final e ampliar sua presença no mercado.
Em entrevista ao “É Negócio” da CNN Brasil, Ariel Grunkraut, CEO da Kraft Heinz Brasil detalhou os planos de crescimento, a estratégia multimarcas e os investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
Eficiência e verticalização como escudo contra a crise
Marcado pela elevação dos juros e pelo endividamento de empresas, o cenário econômico atual impõe ao consumidor escolhas mais racionais.
“O consumidor está, sim, passando por um momento de dinheiro mais curto e isso exige que ele faça escolhas mais inteligentes e cada vez mais racionais”, afirmou Grunkraut.
Segundo ele, o portfólio completo de produtos permite acomodar esse comportamento sem repassar os impactos da inflação de custos ao consumidor final.
Leia Mais
-
Modelos abertos de IA dividem mercado e acirram disputa entre EUA e China
-
Fed mantém juros nos EUA entre 3,5% e 3,75%; 3 membros votaram por aumento
-
Dívida pública federal cresce 2,61% em junho e chega a R$ 9,26 trilhões
A verticalização da operação foi apontada como um diferencial estratégico relevante. A não dependência de importação de insumos para o mercado brasileiro confere à companhia maior previsibilidade e menor exposição às oscilações cambiais e de safra.
Além disso, a tecnologia aplicada no agronegócio já garante 25% mais produtividade no campo em comparação à média nacional, sem que seja necessário ampliar a área cultivada, segundo o executivo.
Exportação para a América Latina nos próximos 3 a 5 anos
A ambição de exportar a partir do Brasil está no horizonte da companhia.
“A nossa ambição é que nos próximos 3 a 5 anos toda a evolução que a gente vem conseguindo consiga não só atender o nosso volume, mas também consiga atender o volume de alguns países na América Latina”, declarou o CEO.
O caminho para viabilizar essa expansão é o crescimento da capacidade produtiva, impulsionado por investimentos em tecnologia e pelo desenvolvimento de híbridos por meio do ativo proprietário HeinzSeed.
Estratégia multimarcas e foco em inovação saudável
A aquisição de marcas como Quero, Heinz, Heimer e BR Spices compõe uma estratégia multimarcas voltada à diversidade do consumidor brasileiro.
Enquanto marcas como Quero atendem ao movimento de trade-down em ciclos econômicos adversos, outras como Heinz e BR Spices respondem à busca por um “premium acessível”.
“O fato de a gente ter esse portfólio de quatro marcas fortes, presentes em praticamente todas as regiões do Brasil, permite que a gente atenda diferentes consumidores em diferentes ocasiões de consumo”, explicou o executivo.
A demanda crescente por alimentos mais saudáveis também está no centro da estratégia. Mais de mil produtos foram revisados globalmente, com redução de sódio e açúcar.
A companhia também anunciou um investimento global de US$ 600 milhões em pesquisa e desenvolvimento, parte do qual já foi direcionado ao Brasil. Mais de R$ 50 milhões estão sendo investidos na campanha de lançamento do ketchup zero no país.
Food service e meta de alcançar 100% dos lares brasileiros
Atualmente, cerca de 15% do negócio da empresa está no segmento de food service, com perspectiva de dobrar esse percentual nos próximos anos.
O restante das vendas ocorre por meio de venda direta a grandes redes de supermercados e por uma rede de mais de 50 distribuidores, que levam os produtos a aproximadamente 500 mil pontos de venda.
As marcas da companhia já estão presentes em mais de 80% dos lares brasileiros.
“A nossa ambição é fazer com que as nossas marcas cheguem a 100% dos lares brasileiros”, concluiu o representante.
É Negócio
O programa É Negócio é uma parceira do NeoFeed com a CNN Brasil, Carlos Sambrana entrevista os executivos e líderes das maiores companhias do Brasil.
Acompanhe os episódios inéditos, todos os domingos, às 20h45 na CNN Brasil, com reprise às quartas-feiras, às 19h15 no CNN Money.
Comentários: