Aguarde, carregando...

Terça-feira, 20 de Outubro 2026

Eleições 2026

AO VIVO
Apurado: 0%
Aguardando início da apuração oficial...

Saiba Mais
Mundo

Inclusão de fertilizante na lei de minerais críticos pode trazer benefícios

Setor espera que a medida amplie o reconhecimento estratégico dos insumos e estimule a produção nacional; dependência externa e disputa por matérias-primas são gargalos

Estadão Rondônia
Por Estadão Rondônia
Inclusão de fertilizante na lei de minerais críticos pode trazer benefícios
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
GOOGLE Não perca nossas próximas notícias

Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰

A inclusão dos fertilizantes NPK (nitrogenados, fosfatados e potássicos) na política brasileira de minerais críticos pode ampliar o reconhecimento estratégico desses insumos para a segurança alimentar e a economia nacional. A avaliação é de Bernardo Silva, diretor executivo do Sinprifert (Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes), em entrevista ao CNN Agro News.

Segundo Silva, a medida representa um avanço ao incluir os fertilizantes entre os insumos considerados estratégicos para o país. O setor espera que a política contribua para ampliar a atenção do governo à dependência brasileira das importações.

“É a primeira política minerária brasileira que inclui fertilizantes como minerais críticos e os considera como infraestrutura estratégica para o país”, afirmou.

Publicidade

Leia Também:

Leia Mais

O Brasil importa cerca de 90% dos nutrientes utilizados na produção de fertilizantes. A dependência varia conforme o insumo: chega a 97% no caso do potássio, também alcança 97% no nitrogênio e é de 74% no fosfato, de acordo com os dados apresentados pelo executivo.

Para Silva, essa exposição ao mercado internacional representa um risco para o agronegócio, cuja participação corresponde a cerca de um quarto do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, segundo a avaliação citada pelo dirigente.

Dependência de matérias-primas

A retomada de fábricas de fertilizantes da Petrobras é um passo importante para ampliar a oferta doméstica, mas, na avaliação do Sinprifert, não resolve sozinha os gargalos da cadeia produtiva.

As unidades em processo de reativação estão concentradas na produção de fertilizantes nitrogenados, como a ureia, e de amônia, matéria-prima utilizada na fabricação desses produtos. O setor, porém, também depende de insumos importados para viabilizar a produção nacional de outras categorias de fertilizantes.

“O calcanhar de aquiles nosso está principalmente na dependência de matérias-primas”, disse Silva.

Entre os principais pontos de atenção estão a amônia, utilizada na produção de compostos nitrogenados, e o enxofre, empregado na fabricação de ácido sulfúrico, necessário à produção de fertilizantes fosfatados. Segundo o executivo, quase todo o enxofre destinado à cadeia de fertilizantes no Brasil é importado.

A disponibilidade e o custo dessa matéria-prima têm afetado a viabilidade econômica de operações de mineração e de unidades industriais ligadas à produção de fosfato no país. Com a paralisação de parte dessas atividades, a dependência brasileira de importações desse nutriente pode aumentar.

Silva avalia que uma base produtiva nacional mais robusta ajudaria a reduzir a exposição do país a interrupções no fornecimento internacional e às oscilações provocadas por conflitos geopolíticos.

“Sem uma produção doméstica robusta, que segure o fornecimento de fertilizantes em épocas de crise, a gente não apenas corre um risco de desabastecimento como paga o preço dessas crises geopolíticas contidas na nossa importação de fertilizantes”, afirmou.

O dirigente também destaca que países fornecedores, como China, Marrocos e Rússia, podem restringir a oferta em determinados momentos, em função de suas próprias necessidades ou de decisões relacionadas ao mercado interno. Nesse cenário, a dependência externa deixa o Brasil mais vulnerável à disponibilidade dos produtos no mercado internacional.

Disputa global por enxofre

Mesmo com a queda recente das cotações do enxofre, a disponibilidade da matéria-prima continua sendo uma preocupação para a indústria de fertilizantes, segundo Silva. Para ele, o problema não se limita ao preço, mas envolve a concorrência de diferentes setores por volumes disponíveis no mercado global.

O Marrocos, importante produtor de fertilizantes fosfatados, também depende de importações de enxofre para abastecer sua indústria. Ao mesmo tempo, outros segmentos ampliam a demanda pelo insumo, entre eles a hidrometalurgia, utilizada na extração de metais como o níquel, e as cadeias industriais ligadas à transição energética.

A produção de ácido fosfórico, empregado tanto na fabricação de fertilizantes quanto em aplicações industriais relacionadas a baterias, também contribui para a disputa pela matéria-prima.

“Então, o problema é na disputa e não apenas no preço. A criticidade no Brasil e no mundo continua”, afirmou Silva.

FONTE/CRÉDITOS: gabriellaweiss

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR