O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,16% em junho, resultado bem abaixo das projeções do mercado, que esperava uma alta de 0,32%.
O principal fator por trás do resultado foi a queda nos preços dos alimentos, que registraram deflação de 0,24% no período. Ainda assim, a desaceleração da inflação não significa que os produtos ficaram mais baratos de forma generalizada.
“A inflação mede a velocidade com que os preços sobem, e não o preço em si. Se um produto sobe de R$ 40 para R$ 80 e permanece nesse valor no mês seguinte, a inflação daquele item cai para zero, mas o preço continua alto”, explica Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro.
Segundo ela, apenas uma inflação negativa, a chamada deflação, representa uma redução de preços.
O resultado abaixo do esperado também reacendeu as discussões sobre os próximos passos do Banco Central (BC). Marilia explica que, para parte dos economistas, a desaceleração reforça a percepção de que o ciclo inflacionário perdeu força, o que pode abrir espaço para futuras reduções da taxa Selic. Outros, porém, avaliam que um único mês não é suficiente para indicar uma tendência consistente.
Na visão da apresentadora, um dos principais pontos de atenção continua sendo a inflação de serviços, que representa cerca de 30% do IPCA.
“Os alimentos costumam ser mais voláteis e respondem rapidamente às condições de oferta e demanda. Já a inflação de serviços depende mais da dinâmica da economia doméstica e costuma demorar tanto para subir quanto para cair”, analisa.
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Reação imediata no mercado
O impacto do dado foi sentido rapidamente na curva de juros. No dia seguinte à divulgação do IPCA, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), que servem como referência para os juros futuros, recuaram cerca de 0,20 ponto percentual em diferentes vencimentos.
A queda nas taxas elevou o preço dos títulos prefixados por meio da marcação a mercado. Como esses papéis oferecem uma taxa definida no momento da compra, eles tendem a se valorizar quando o mercado passa a projetar juros menores no futuro.
A melhora na inflação também trouxe de volta uma dúvida recorrente entre investidores: faz mais sentido investir em títulos prefixados ou no Tesouro IPCA+?
Nos títulos prefixados, a rentabilidade é conhecida no momento da aplicação. Se, até o vencimento, a inflação ficar abaixo da expectativa embutida na taxa contratada, o retorno tende a superar o do Tesouro IPCA+.
“Hoje, o mercado embute uma expectativa média de inflação próxima de 5,5% nos prefixados de prazo mais longo. Se a inflação ficar abaixo disso, quem comprou esses títulos tende a ter um ganho maior do que quem investiu no IPCA+”, explica a apresentadora.
Por outro lado, Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, afirma que a escolha do título depende dos objetivos do investidor.
Segundo ele, o Tesouro Selic é indicado para quem precisa de liquidez diária, enquanto o Tesouro IPCA+ costuma fazer mais sentido para quem busca proteção contra a inflação no longo prazo. Já os títulos prefixados são mais indicados para investidores dispostos a aproveitar oscilações provocadas pela marcação a mercado.
Thiago Godoy, educador financeiro, também faz um alerta sobre os títulos com vencimentos muito longos, como os de 2050.
“Quem investe nesses papéis precisa estar preparado para conviver com oscilações ao longo do caminho ou ter disposição para manter o título até o vencimento”, destaca.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.
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